Uli Jon Roth – Live São Paulo

Por Bruno Nascimento

A lista de guitarristas que não foram tão reconhecidos como mereciam é longa. Aquele período pós-Hendrix/pré- Van Halen, deixou ótimos talentos no esquecimento, ou com menos reconhecimento que mereciam. Robin Trower, Pat Travers, Frank Marino, Gary Moore e tantos outros músicos de primeiro escalão atualmente são apreciados por um público muito específico.

Uli também é um desses casos, até hoje é lembrado por seus quatro grandes discos com o Scorpions (para mim os quatro melhores discos da banda). Após sair do Scorpions, Uli partiu sua caminhada como Electric Sun, onde gravou mais três discos de estúdio e continuou a carreira como artista solo.

Felizmente, já pude presenciar Uli ao vivo uma vez, foi em 2013. Naquela oportunidade, ele estava acompanhado por Michael Schenker, além de outros ex-Scorpions como: o baixista Francis Buchholz e o baterista Herman Rarebell.

Desta vez, comemorando 50 anos de carreira, o guitarrista veio apenas com a sua banda, o que possibilitou num setlist maior do que o apresentado em 2013.

Uli e sua banda entram no palco um pouco após as 22:00 horas, e já emendaram três clássicos do Scorpions: “All Night Long” que foi lançada no álbum ao vivo “Tokyo Tapes” (1978), “Longing For Fire” e “Sun In My Hand”, ambas do disco “In Trance” (1975).

Depois, Uli se comunicou pela primeira vez com a plateia. “Olá São Paulo, agora vou tocar uma música sobre um homem que se perdeu no caminho das trevas”, disse o músico, antes de começar o clássico riff que abre a canção “Sails Of Charon”. A partir daí, vieram duas grandes surpresas, “Don’t Tell The Wind” em homenagem ao seu irmão mais novo Zeno, que faleceu em fevereiro desse ano e sucessivamente, “Enola Gay” dos tempos de Electric Sun.

O mais incrível em assistir esse mestre das cordas tocar, é a emoção que é transmitida, ele não simplesmente toca a música, ele a sente, dança e vibra a cada nota que tira de seu instrumento, é uma sensação ótima, ver tão descaradamente o prazer de um músico em fazer o que mais sabe, tocar.

O show seguiu com mais três músicas do Scorpions, “We’ll Burn The Sky”, “In Trance” e “Fly To The Rainbow”, que combinam muito bem em sequência, por conta do seu tom cadenciado, além da excepcional performance vocal de Niklas Turmann, um grande achado aliás, que já acompanha Uli por um bom tempo.

Em outro momento da apresentação, Uli destacou que sempre teve afinidade com a música clássica e com a guitarra acústica, então brindou o público presente com um bonito solo em sua guitarra de doze cordas.

Nesse momento, já tinha tudo valido a pena, porém, o repertório do show era longo e ofereceu mais duas sequências espetaculares. Antes do encore. A sequência de músicas mais pesadas da noite, “Catch Your Train”, “Pictured Life” e “Dark Lady” e logo após uma pausa, o encore em que a banda pode brilhar mais uma vez: “All Along the Watchtower” de Bob Dylan, mais conhecida pela versão sensacional de Jimi Hendrix e “Little Wing” outro clássico eternizado por Hendrix, tiveram o papel de encerrar um dos melhores shows de rock do ano.

 

SETLIST:

  • All Nigh Long
  • Longing For Fire
  • Sun In My Hand
  • The Sails Of Charon
  • Don’t Tell The Wind
  • We’ll Burn The Sky
  • In Trance
  • Fly To The Rainbow
  • Polar Nights
  • Cath Your Train
  • Picture Life
  • Dark Lady
  • Yellow Raven
  • All Along The Watchtower
  • Little Wing

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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