The Pretenders & Phil Collins – Live São Paulo

Por Bruno Nascimento

 

Um dos maiores músicos britânicos de todos os tempos está de volta, retornando ao palco para as primeiras apresentações ao vivo em 10 anos, estamos falando de Phill Collins.

Com vendas superiores a 100 milhões em seu nome, álbuns que ocuparam a primeira posição em países pelo mundo a fora e músicas que foram trilhas sonoras de milhões de vidas, Phil Collins é uma lenda viva cujo trabalho tem recebido aclamação crescente, uma vez que toda uma nova geração de artistas tem descoberto e se inspirado em sua carreira notável.

Phil Collins anunciou como convidado especial para a turnê da América Latina a banda Pretenders. A banda icônica abriu os shows no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. O Pretenders cruza estilos como o punk, o new wave e a música pop como nenhuma outra banda, com sucessos como I’ll Stand By You, Back On The Chain Gang e Don’t Get Me Wrong. O grupo já vendeu mais de 25 milhões de álbuns e sua fundadora e líder Chrissie Hynde é uma das mais proeminentes compositoras da música contemporânea.

 

 

                Creditos – DestakJornal

Como previsto, The Pretenders subiu ao palco pouco antes das 19:30. Numa apresentação que foi ganhando ritmo aos poucos. Chrissie Hynde foi destaque desde o começo, a vocalista entrou sem a guitarra nas mãos. Mas logo após “Don’t cut Your Hair”, Chrissie já estava com sua bela guitarra. Foi na terceira música, com o clássico “Back on the Chain Gang” que a coisa começou a esquentar, o público, que esperava pelo show mais pop de Phil Collins, entendeu a proposta mais rock n’ roll de Chrissie e companhia.

O show seguiu com um com um repertório mesclando clássicos com alguns sons mais recentes. Apesar da mistura, o clima oitentista estava instaurado, chame como quiser, new wave, radio-friendly rock, indie, o fato é que o grupo tem domínio de suas canções ao vivo, nada parece perdido ou fora de contexto. Além das clássicas “Don’t Get me Wrong” e “Middle of the Road’, um cover da música “Forever Young”, de Bob Dylan também foi muito bem recebida.

                Creditos – DestakJornal

A apresentação intimista foi interessante, a proposta mais crua, sem grandes jogos de luzes e outros efeitos especiais. A banda parecia se apresentar num pub londrino, essa decisão deixou a apresentação mais especial, focada nas músicas e no som dos instrumentos. Por falar em som, me impressionou o tom das guitarras, uma prova de que tocar com baixo ganho é muito rock n roll. A ótima performance do guitarrista e o carisma de Chrissie Hynde, que em um momento disse se sentir “quase paulistana”, a líder da banda morou na avenida São Luís em 2004.

O saldo final do show foi positivo, mais um grande show de uma banda dos anos 80, mostrando que ainda tem muita lenha para queimar.

Era vez do aguardado “tio Phil”, aos 67 anos e algumas limitações físicas, Phil Collins não poderia ter escolhido nome melhor para uma turnê. “Not Dead Yet” é uma viagem na longa trajetória do cantor.

 

                   Creditos – Folha de São Paulo

Outras bandas já brincaram muito com o tempo antes, Rush, Pink Floyd (companheiros prog do Genesis), mais uma vez a brincadeira foi certeira. Logo na primeira música, “Against All Odds”, o público já cedeu aos encantos de Phil e sua numerosa banda. Seguindo com “Another Day in Paradise” e as dançantes “I Missed Again” e “Hang In Long Enough” acompanhadas por um enorme painel de luz vermelha no palco.

Depois foi o momento Genesis “Throwing it All Away” de 1986 e “Follow You Follow Me”, um espetáculo, quando o Phil Collins atual sai de cena dos telões e é substituído por imagens antigas do Genesis enquanto tocava a música, se revelando no grande momento nostálgico da noite.

Outro destaque foi para “In The Air Tonight”, o jogo de luzes dá um tempo, e Collins aparece em meio a escuridão, muito mais concentrado do que quando canta hits com apelo mais pop, só essa música já valeria o show, porém o que se viu depois foi um show de habilidades de Phil e banda, destaque para os backing vocals em “Easy Lover” e para o filho de apenas 16 anos do cantor, agora não sente o peso e foi muito certeiro em todas as levadas de bateria, o pai-professor ajuda né?!

Chegando no final do espetáculo, “Sussudio” mais uma vez abusa dos efeitos de luz do palco, além de efeitos práticos, como uma colorida chuva de papel picado, e “Take Me Home”, o aguardado bis, finalizado com outra chuva, agora de fogos de artifício.

Após 40 anos sem excursionar pelo Brasil (a última vez foi com o Genesis, ainda na década de 70), Phil Collins sabe que deixou saudades e após idas e vindas em sua carreira, o cantor prova que não deveria ter parado. Sua voz, sua banda e seu show são de altíssima qualidade, primeiro esquadrão da música pop.

 

 

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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