Solid Rock Live – Rio de Janeiro

Resenha – por Luis Carlos “carlinhos”

Fotos por Bárbara Lopes (T4F)

 

Quando anunciaram que teríamos uma turnê pelo Brasil com Deep Purple, Lynyrd Skynyrd e ZZ Top no cast eu não acreditei, já que teria a chance de assistir três ícones do Rock mundial em uma mesma noite. Mas minha alegria não durou muito quando o ZZ Top saiu da turnê e anunciaram o Tesla, uma banda que nunca me agradou e que para mim não passava de um segundo ou terceiro escalão do Hard Rock da década de 80, onde grupos como Bon Jovi, Motley Crue, Twisted Sister, Cinderella, me agradavam bem mais. Se já não bastasse isso, logo teria outra decepção a frente com a saída do Lynyrd Skynyrd do cast, e justo a banda mais esperada do evento, que com todo respeito ao “headliner” Deep Purple, o Lynyrd estava sendo responsável por boa parte do público que estava comprando ingresso para o festival, até porque, no Rio de Janeiro seria a primeira vez que eles tocariam.

A decepção só não foi maior porque dessa vez arrumaram um substituto à altura, o Cheap Trick, um grupo que não é tão popular no Brasil, mas que possui uma carreira maravilhosa e digna para figurar em um evento desse porte. O Deep Purple todos já conhecem de cor e salteado, já passou pelo Brasil outras vezes e possui uma carreira mais do que clássica. Aliás, carreira essa que dizem estar quase no fim. Estão divulgando seu mais recente disco, “Infinite”, tendo lançado seu novo clipe para a música “The Surprising”, uma grande e bonita canção, aliás, com um belíssimo clipe feito em animação.


Cheguei cedo no local e a casa ainda estava bem vazia, não sei se pelo horário em plena sexta-feira ou se por desinteresse de boa parte do público que assim permaneceu até o tempo que o Tesla fez sua apresentação. Os poucos que estiveram para assistir o grupo curtiram e até se simpatizaram com seu Hard Rock “estilo Aerosmith”, em especial, com as performances do esforçado e “rebolativo” vocalista Jeff Keith e o guitarrista Frank Hannon, um dos fundadores do grupo. O som do grupo é um Hard Rock puro e simples, mas que minha opinião, a de um grupo que não tem o feeling necessário que traga algum brilho e cause algum destaque.

O vocal do Jeff Keith é chato e em certos momentos irrita, considerando ele a parte mais fraca na apresentação banda, e apesar de citar o Aerosmith como uma influência, algumas vezes o Tesla parece uma cópia piorada do mesmo. Mesmo com a difícil tarefa para arrumar algum destaque em alguma canção, “Edison`s Medicine”, que abriu o show”, e “Little Suzie” causaram algum impacto em uma apresentação onde jogar paletas para o público foi um bom momento para despertar alguma atenção enquanto tocavam. Minha impressão sobre o Tesla continua a mesma. Encerrada a apresentação do Tesla, uma aula de Rock and Roll estaria por vir e ela tinha um nome: Cheap Trick.

Um grupo que faz do palco uma grande festa e que com uma apresentação memorável agradou em cheio o público que já enchia o Jeneusse. Logo de cara, a trinca com “Hello There”, “Big Eyes” e “You got you goin on” era para deixar qualquer fã feliz da vida e se eu citei antes sobre o grupo não ser tão popular por aqui, quem estava lá e não conhecia o grupo foi tomado pela energia daqueles “jovens senhores” que se divertiam tocando, em seus trajes bizarros e a postura de quem tocava como quem se divertia como uma criança em um pátio de escola, em especial o guitarrista Rick Nielsen que é um espetáculo à parte, e onde muitas vezes parece mais “frontman” do que o vocalista Robin Zander, aliás, Zander estava a cara do Vince Neil do Motley Crue, mas claro, em uma versão talentosa.

 

Diante de tantas músicas do seu maravilhoso set, ainda tocaram “The Magical Mistery Tour” dos Beatles em uma versão sensacional. Ouvir “Stop this Game”, “I want you to want me” e “Surrender” foi mágico, sem esquecer da balada “The Flame”, música bastante conhecida pelo clipe que rolava na antiga MTV do tempo em que ela era sinônimo de um bom canal de música. O Cheap trick encerrou sua apresentação com “Goodnight Now”, onde Rick Nielsen entrou com a sua guitarra, aliás, tão sua que a guitarra era uma imagem dele mesmo, em uma cena engraçadíssima e bem pastelão até. Que Banda! Que show maravilhoso !!!


Para encerrar a noite, o “Headliner” Deep Purple, um grupo que já está na história do Rock mundial, mas que me causava um pouco de apreensão por conta de alguns comentários sobre suas apresentações atuais serem mornas e o que até me fez questionar antes de sua apresentação se o Cheap trick roubaria a noite deles nesse evento. Errei, e quem disse que o Deep Purple faria uma apresentação morna errou mais ainda. Tratem de rever seus conceitos se o problema está na idade dos integrantes porque está na hora de saberem que isso chega para todo mundo.

 

Às vezes nem chega. Tudo bem que Ian Gillan parece mesmo cansado, mas vamos concordar que para quem canta a tarefa é bem mais árdua, ainda mais para ele que ao longo de sua carreira sempre fez coisas bem difíceis para quem canta. Até para quem é baterista também, mas isso no Purple não, afinal, Ian Paice continua destruindo tudo. Os demais seguem tinindo, Roger Glover tocando feito um garotão, Don Airey, que estava a cara do Charles Bronson, é um tecladista maravilhoso e um substituto à altura do saudoso John Lord. O solo que ele fez foi emocionante, tocando um pequeno trecho de “Mr.Crowley”, música do Ozzy e do qual fazia parte de sua banda, e, trechos de conhecidas canções Brasileiras, como aquela que todo gringo acha que Brasileiro gosta, a monótona “Garota de Ipanema”, mas sabem como é, na hora todo mundo acaba gostando porque sabe quem está tocando.

A apresentação deles me surpreendeu logo de cara, já que começaram o set tocando “Highway Star” e “Pictures of Home” (Aquele solo de baixo no meio da música é demais!), músicas que fazem parte do disco que eu mais amo do grupo, “Machine Head”. Confesso que fiquei com os olhos marejados durante suas execuções. Claro que foram tocados outros clássicos como “Lazy” e “Stragekind of Woman” e que levaram o público ao delírio também. Novas canções forma tocadas, e como sempre as pessoas acabam mais prestando atenção do que agitando, mas te digo que elas tiveram uma boa recepção. Outra parte do show que foi bastante celebrada foi a fase do grupo nos anos 80, tocando “Perfect Strangers” e “Knockin at your Back Door” e que agradaram em cheio. E Lembram que eu mencionei sobre a performance de Ian Gillan? “Space Truckin” foi a canção que mostrou mais descaradamente que o vocalista não alcança mais certas notas. Ficou ruim? Longe disso, Ian Gillan fez bonito até, mas talvez fosse uma boa ideia repensar a música no começo do set.

O Deep Purple ainda tocou o “seu hit dos hits” “Smoke on the Water”, uma excelente canção, daquelas onde quem vai para o show e não conhece nada e enche o saco com seus celulares para gravar a música que talvez seja a única que ele conheça do Purple, ganhe destaque pela resposta do público. A canção teve a participação ode “Rick Nielsen do Chheap Trick. Ainda teve a psicodélica “Hush”, única música tocada que não é da fase do Gillan. Encerraram a apresentação com “Black Night”, mas claro, com aquela “esticada” para um solo aqui e ali, e falando em solos, a minha opinião sobre Steve Morse continua a mesma. É um guitarrista incrível, já está até mais tempo que o próprio Ritchie Blackmore esteve no Purple, mas, de um músico que se me agrada tocando e ao mesmo tempo não me impressiona a sua performance no palco, e apesar de Blackmore ser um “reconhecido mala sem alça”, ainda assim ele tinha uma presença de palco que Steve Morse não possui, tanto que no decorrer da apresentação do grupo, o tecladista Don Airey aparecia bem mais e o que para mim parece estranho sendo Morse um guitarrista e a frente do palco.


Enfim, para quem foi, a certeza de que saiu do evento feliz da vida, e agora é torcer para que o evento se repita no ano que vem e quem sabe com a presença do Lynyrd Skynyrd e ZZ Top no cast. Aliás, posso sugerir uma banda para abrir o evento? Europe. Que venha 2018 !!!

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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