Accept – Live Rio de Janeiro

Por Luis Carlos “Carlinhos”

Fotos – Luis Carlos “Carlinhos” e Heloisa Vidal

Quando soube que o Accept estava em turnê com o Anthrax e passaria pelo Brasil, eu fiquei super feliz em saber que teria uma oportunidade excelente para assistir uma dupla imbatível no mesmo palco já que gosto muito das duas bandas e seria uma dobradinha incrível. Porém, logo veio a “ducha fria” ao saber que só o Accept viria pra cidade maravilhosa.

Não é que eu não goste do Accept, longe disso, curto demais a banda e acho que estão em uma fase incrível, e também porque eu assisti o show anterior e fiquei maravilhado com a apresentação do quinteto alemão no Imperator, casa de show que fica no Méier, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Eles ainda continuam em excelente forma, aliás, de todas essas bandas que perderam seus vocalistas originais, o Accept é o grupo onde os saudosistas de plantão não tem do que reclamar, pois com todo respeito ao Udo, vocalista original, Mark Tornillo está “matando a pau”.

Até o momento, todos os discos dos quais participou são excelentes e mostram que essa formação ainda tem muito o que render, tanto que eles já estão revelando alguns clássicos na carreira do grupo, daquelas músicas que serão eternizadas em futuras coletâneas da banda. Com Mark Tornillo, que está na banda desde 2010 quando lançaram “Blood of the Nations”, e  somados  ao “Stalingrad”, “Blind Rage” e o novo álbum “The Rise of Chaos”, o Accept ainda se mostra uma banda muito competente no que faz, sem perder sua identidade musical e completamente revigorada. É o tipo de banda que você confia e sabe que vindo deles o fã mais tradicional de Metal nunca irá se decepcionar.

Os vocais de Tornillo não são tão diferentes do Udo, mas em momento algum ele plagia seu antecessor, pelo contrário, além de cantar muito, tem personalidade e deu a energia que o grupo precisava para continuar. Falando em energia, a nova formação está imbatível, e como não destacar o guitarrista Wolf Hoffman que é o maestro do grupo com seus riffs maravilhosos e solos cheios de personalidade. Aliás, acho o guitarrista ainda muito subestimado, o que eu considero uma grande injustiça com o músico. Depois de “Shadow Soldiers”, Wolf fez um lindo solo e levou o público ao delírio, assim como depois de “Objection Overruled”, onde fez um dueto com o baixista Peter Baltes, músico que assim como Wolf está desde o começo do grupo.

Dessa vez, o show foi no Teatro Rival, um lugar menor que o Imperator, mas que no final acabou sendo a melhor opção já que o público presente foi menor que o show anterior. A casa é ótima e comportou bem um público apaixonado pela música do Accept. Sobre o público carioca, Por essas é que temos que ouvir reclamações como: “Banda fez turnê no Brasil e não passou no Rio…”. Por que será ?

Quem não foi, perdeu, e perdeu feio, porque mais uma vez foi uma aula de Heavy Metal. Abriram o show com a música que abre o novo disco, “The Rise of Chaos”, com “Die by the Sword”, fora que ainda tocaram outras canções desse disco como a que a própria música que dá nome ao disco e “Analog Man” e “No Regrets”. Não faltaram outras grandes canções de discos lançados com o novo vocalista, como “Stalingrad” e “Teutonic Terror”. Inclusive, essa última foi tocada no bis, o que prova que a banda não se prendeu ao passado e mostra que continua lançando novas e excelentes músicas capazes de prender a atenção dos fãs. Não faltaram os grandes clássicos, com a “trinca” com “Neon Nights”, “Princess of the Dawn” e Midnight Mover” que fizeram com o que o público cantasse em uníssono, ainda que as também clássicas “Metal Heart” e Balls to the Walls”, músicas que fizeram parte do bis, tivessem tamanho poder sobre o público onde boa parte dele agitassem ainda mais. Só que de todas, nenhuma supera a imbatível “Fast as Shark”.

Se quem ouve aquela introdução consegue ficar parado, talvez devesse ser um objeto de estudo, já que estamos falando de um clássico do estilo, daquelas que se fizesse um “Besto of” das 10 melhores músicas do Heavy Metal, certamente ela estaria figurando nessa lista. E foi nela que abriu o maior mosh no público, onde se via jovens e senhores agitando feito loucos.

Repito, quem não foi perdeu feio e se não foi porque foi no show anterior, reflita sobre esse pensamento porque o Accept veio mais uma vez ao Rio e destruiu em cima do palco. Sim, novamente nós ouvimos todos aqueles clássicos, mas, saí do Teatro Rival com a certeza de que o Accept é uma banda que está seguindo em frente sem se agarrar ao passado. Isso é maravilhoso. O novo disco “Rise of Chaos” é a prova cabal disso.

Então, se você gosta de Heavy Metal mesmo, vai por mim, jamais perca um show do Accept.

 

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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