Setembro Negro Festival São Paulo 2019

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Texto – Lucas Amorim e Bruno Oliveira

Fotos – Flavio Santiago e Luciano Piantonni

 

A cada edição do Setembro Negro, o festival aparece melhor. Esse ano tivemos três dias de shows, alguns deles, raríssimos ou inéditos aqui no Brasil. Casos de At War, Vomitory, Cirith Ungol (só pra citar alguns).

.  Durante os três dias de Festival além dos shows, podemos presenciar uma organização ímpar, e um clima muito festivo nos arredores do Carioca Club. Como os shows começavam muito cedo, por volta das 14:00 horas, a pulseira que era distribuída na entrada era valida como passe para entrar e sair da casa de show . Isso é um grande facilitador, além de mostrar respeito com o público, que podia sair da casa entre os shows para poder tomar um ar, fumar, ou consumir do lado de fora, dessa maneira os preços das bebidas dentro do Carioca precisam ser atrativos para competir com os ambulantes e outros bares dos arredores e isso com toda certeza é um sinônimo de liberdade e um dos pontos alto do Festival.

Os shows se iniciaram na Sexta feira com as bandas SHAYTAN, GRAVE DESECRATOR, GORGASM,
LEGION OF THE DAMNED, AT WAR  e  EXODUS, pontualmente a casa iniciou os espetáculos e dali ja percebíamos que as coisas seriam pontuais, com respeito ao horário, tanto da apresentação como do inicio dos shows de cada banda.

SHAYTAN, GRAVE DESECRATOR, GORGASM fizeram as honras de inicio do festival e não fizeram feio os caras tocaram com muito muita vontade a gradar a galera e conseguiram, colocar fogo no festival logo de início, shows curtos porem recheados de peso e muita honestidade musical por parte de todos os músicos ali presentes, como era após o Gorgasm a casa estava mais cheia e a partir daí as coisas foram se animando ainda mais.

Pontualmente as 21:45 o Legion of The Damned começou seu show brutal para prover seu novo album Slaves of the Shadow Realm que  cm toda certeza é um dos discos mais legais que os caras ja soltaram, e foi isso que tivemos nessa apresentação, peso, e muita agressividade com essa banda que sabe muito bem fazer música pesada.

Ne sequencia os caras do At War prova que, de certo modo, merecia muito mais atenção do que lhe foi dada na década de 80. Sem dúvidas, a maior referência é o Motorhead – a banda foi considerada a versão inglesa dos caras – portanto aliado a mais extremidade e com temáticas mais agressivas focadas em guerras e ao vivo é suja pesada como nunca.Um show que podemos resumo como uma metralhadora de riffs. Quem for pego desatento pode acabar nocauteado. A cozinha estremece tudo com aqueles  típicos refrões que  é uma de nostalgia das melhores possíveis.

E para encerrar a noite nada mais nada menos que os caras do Exodus em um show completo sem por e nem tirar nada, com uma banda empolgada e com sua formação clássica reunida Gary e Steve lideram a mais pura pancadaria imaginável com mais de uma hora de puro Thrash Metal para o publico nessa hora lotava o Carioca Club.

Um show do Exodus é meio indescritível, porém podemos ter um esboço com essa simples descrição, guitarras altas, bateria alucinada riffs sensacionais a voz de Zetro rasgada e muito mosh na plateia para agitar clássicos absolutos que estão na memória de todos aqueles que curtem música pesada, um show digno de fechamento desse primeiro dia de festival.

Falando do sábado aos shows, a primeira banda que eu vi no sábado foi o quarteto americano de grindcore, Full Of Hell. O show dos caras foi excelente, apesar de não ser um consumidor de grindcore, o som dos moleques é muito bem tocado ao vivo. Os vocais de Dylan Walker e a bateria Dave Bland (uma das mais bem timbradas do dia) se sobressaíram e foram os pontos positivos de uma apresentação na qual eu não sabia o que esperar.

Depois, outro quarteto americano apareceu para tocar. Dessa vez, o grupo de black metal melódico Uada. Outra banda nova (formada em 2014) mas que já tem uma base sólida de fãs. Eles apelam para um clima sombrio, introspectivo, sem falação, e sem rostos. Sim, a banda é mais uma das que faz uso de capuz no palco. Não é meio tipo de som, mas devo afirmar que os caras fizeram seus papel, conseguiram trazer uma atmosfera “gelada” mesmo no calor de 30 graus que fazia em São Paulo.

Mais tarde, o Rotten Sound, da Finlândia, trouxe o grind de volta ao palco do setembro. Um show cru e bastante direto. Na estrada desde 1993, os caras tinham uma boa base de fãs presentes, que acompanharam um show muito enérgico, com todos os instrumentos alinhados sem nenhuma interferência.

O Monolord subiu ao palco. Era o meu momento, o show que eu mais esperei para ver no sábado. Os riffs da trio sueco de doom metal, ecoaram por todo o lugar. Era Possível sentir cada nota tocada, principalmente as notas vindas do poderoso baixo de Mika Häkki, que estava numa tarde inspirada, e fez um show particularmente incrível. Foi interessante a quebra no ritmo que o Monolord trouxe ao festival, um doom cadenciado no meio daquela avalanche de som rápido, deu uma boa balanceada nos ouvidos. Empress Rising foi a grande música da apresentação, e foi responsável por encerrar o set dos caras. Espero que retornem breve, para um show solo com um repertório maior.

 

Na sequência, Necrophobic e Vomitory fizeram dois muito bons. O Necrophobic me chamou ainda mais atenção. É incrível como as passagens mais melódicas das guitarras casam com a bateria incansável, formando um som bem único, e o melhor de tudo, os instrumentos todos audíveis, como uma boa banda de metal deve fazer.

Assim como na sexta-feira, o thrash metal americano foi responsável por encerrar o dia. Demolition Hammer fez um show muito esperado. Calcado nos dois primeiros álbuns, Tortured Existence e Epidemic of Violence, dois expoentes do último respiro do gênero, já no começo da década de 90.

Com a formação quase toda original, com exceção do baterista Angel Cotte. O Demolition se mostrou coeso e agressivo, mesmo após anos de hiato, essa volta aos palcos parece ter acontecido de forma bem natural, já que a banda está tocando como se nunca tivesse parado. Junto com o Monolord, foram meus dois shows preferidos do sábado.

No domingo, além do metal extremo, havia as banda mais voltadas ao heavy metal tradicional, casos de Night Demon, Midnight e o grandioso Cirith Ungol.

Sábado já tinha reservado ótimos momentos e bons show, mas eu esperava mesmo pelos três shows já citados. Eu poderia ter ido apenas no domingo que já valeria a pena, poie então, vamos aos shows.

O Night Demon, banda bem recente de heavy metal, trouxe o som característico dos anos 80 para o festival, além do setlist dos dois discos lançados pela banda, trouxeram dois covers “surpresas”, primeiro, Overkill do Motörhead, e lá no final do show uma versão mais agitada de Wasted Years do Iron Maiden. Jarvis Leatherby – que também é baixista no Cirith Ungol, estava muito à vontade, afinal, essa foi a segunda vez dos californianos no Brasil.

Depois do Night Demon, a banda grega Dead Congregation trouxe seu Death Metal bastante calcado na velha guarda. O show foi muito bom, e mostrou a técnica do quarteto, que executou cada nota com perfeição. Apesar de ainda estar extasiado com o Night Demon, eu consegui curtir o Dead Congregation lá do fundo.

Era vez do Midnight, o trio americano, calcado no metalpunk. Era o show que eu estava mais ansioso para ver. Já tinha visto os caras quando vieram ao Brasil pela primeira vez. Agora, eles lançaram mais um disco, e tem mais repertório pra tocar, e foi exatamente assim que começaram. Penetratal Ecstasy e Poison Trash, do últim disco, deram as caras. Mas não faltou os já “clássicos” do Midnight. O trio encapuzado fez de longe, a melhor apresentação de todo o festival. É de ficar de cara com a qualidade apresentada por eles. Visual, atitude, som, feeling, técnica, carisma, tudo na mesma banda. Eu ainda quero ver o Midnight muitas outras vezes.

A minha tríade chegaria ao fim com a apresentação dos headliners do dia, Cirith Ungol. Outra banda que nunca havia pisado no Brasil. Na pista, era visível alguns sorrisos, tamanho o contentamento com a presença do tradicional grupo de heavy metal americano.

 

A banda apresentou um setlist completo, passeando pelos 4 discos lançados, e com a presença do novo single Witch’s Game, lançado no ano passado.

Foi de fato uma exaltação ao metal tradicional, a banda completa, entoando seus hinos: I’m Alive, Black Machine e outras canções épicas. Seria injusto aqui, destacar um elemento deste show bárbaro, mas não poderia terminar sem elogiar a performance vocal de Tim Baker, ele tem um tom muito peculiar/próprio, porém, parece que a idade fez bem à ele. Alcançando tons alongados e tornando as músicas quase que peças musicais. Foi um dos melhores shows do ano com toda a certeza.

A próxima edição do Setembro Negro já está confirmada para o ano que vem, e agora só podemos especular os nomes que virão, mas uma coisa é certa, com o nível de profissionalismo no qual o festival vem sendo tratado, podemos esperar grandes nomes de diferentes vertentes do metal.

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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