São Paulo Trip com Guns N’ Roses + Alice Cooper + Tyler Bryant & The Shakedown

Texto – Thiago Rahal Mauro

 

Fotos – Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

 

Foram quatro noites mágicas de São Paulo Trip, com nomes como The Who, The Cult, Alter Bridge, Bon Jovi, Aersomith, Def Leppard e para fechar as apresentações deste festival que já deixou saudade as lendas vivas Guns N’ Roses e Alice Cooper.

A expectativa era grande já que a repercussão do show do Guns N’ Roses no Rock in Rio foi muito comentada nas redes sociais. Alguns fãs falando muito bem e outros muito mal sobre a performance de Axl Rose principalmente. Mas sempre parto da seguinte ideia de que o melhor é ver ao vivo e sentir pessoalmente o resultado final.

A abertura ficou por conta de Tyler Bryant & The Shakedown, banda que participou do Rock in Rio dias antes. Poucos conhecidos no Brasil, este primeiro show cativou a audiência com uma mistura de hard rock, heavy metal, blues e southern rock. Formada em Nashville, nos Estados Unidos, por Tyler Bryant (guitarra e vocal), Noah Denney (baixo), Graham Whitford (filho de Brad Whitford do Aerosmith, na guitarra) e Caleb Crosby (bateria), a banda começou o show com “Weak & Weepin”, numa sonoridade enérgica e envolvente.

A banda lançou seu primeiro álbum, “Wild Child”, em 2013, e o disco logo teve destaque na imprensa, com uma apresentação no programa de Jimmy Kimmel. Em 2015, saiu o segundo registro de estúdio, o EP “The Wayside”.

Os grandes destaques do show ficaram para as músicas “Criminal Imagination”, ‘Mojo Workin”, e ‘Lipstick Wonder Woman’, que encerrou o show com direito a Caleb Crosby levando o surdo da bateria para frente do palco. O repertório foi curto,  mas acredito que deu uma ideia do que é o Tyler Bryant & The Shakedow. Ainda assim, acredito que uma banda brasileira de nome seria a mais adequada para a abertura.

 

Tyler Bryant & The Shakedown – Set list:

Weak & Weepin’

Criminal Imagination

House on Fire

Don’t Mind The Blood

Got My Mojo Working (Ann Cole cover)

Lipstick Wonder Woman

House That Jack Built

 

Pouca gente sabe quem é Vincent Damon Furnier, um senhor nascido em Detroit em 1948. Mas quem gosta de rock certamente conhece seu pseudônimo – Alice Cooper. Após dois álbuns, ‘Pretties for You’ (1969) e ‘Easy Action’ (1970), Alice Cooper se associou ao experiente produtor Bob Ezrin e lançou ‘Love it to Death’ (1971), que entrou direto nas paradas americanas graças ao sucesso da canção ‘I’m Eighteen’. Com muitos de estrada e várias visitas ao Brasil, Copper mostrou porque é um dos mestres do horror em um show que ficará na história da música pesada.

 

Divulgando o novo álbum, “Paranormal” (2017), Alice Cooper retornou aos palcos paulistanos, local que teve o primeiro contato do artista no Brasil com o lendário show ocorrido a 30 de março de 1974, no Salão de Exposições do Anhembi. Após a macabra introdução de Spend the Night, o pano de fundo que ficava na frente do palco desce e Alice Cooper e banda iniciam o show com a pesada “Brutal Planet”. Fico feliz com a escolha dessa faixa, pois é uma das melhores da carreira do cantor.

 

“No More Mr. Nice Guy” mostrou como a banda de Cooper formada por Ryan Roxie, Tommy Henriksen e Nita Strauss (guitarras), Chuck Garric (baixo) e Glen Sobel (bateria) estava entrosada e com muita energia sendo mostrada aos fãs presentes no estádio. Alice Cooper sempre com seu show teatral trouxe a clássica “Billion Dollar Babies” de volta ao repertório e nela o vocalista foi um show à parte, jogando notas de dinheiro forjadas a mão e com a cara de Cooper para os afortunados que estavam na grade. Em seguida, a ótima nova música “Paranoiac Personality” trouxe um excelente jogo de luzes com o telão apresentado de trás do palco.

Uma das coisas que chamam mais a atenção do público na atual banda de Alice Cooper com certeza é a guitarrista Nita Strauss, que ganhou um solo exclusivo no show, sendo ovacionada pelo público o tempo todo. Em seguida, o clássico “Poison” foi cantado por todos. Acredito que não exista uma alma vida que não conheça essa música.

Alice voltou em cena usando um avental ensanguentado para ‘Feed My Frankenstein’. Esta marcou os fãs no filme conhecido como “Quanto Mais Idiota Melhor”. No meio da música, Alice foi amarrado em uma mesa e eletrocutado, retornando como uma versão gigante de Frankenstein. Ponto alto do show, sem dúvida.

Após os lances mais teatrais, um dos destaques do show de Alice Cooper foram com as músicas “Only Women Bleed”, “I Love the Dead” e “I’m Eighteen”, que fechou a primeira parte do show em grande estilo. Após o Bis, a banda voltou para o palco para apresentar o clássico absoluto de “School’s Out”, com a participação do guitarrista brasileiro Andreas Kisser, abrilhantando ainda mais o evento.

Se você ainda não viu uma vez na vida um show de Alice Cooper, não perca a oportunidade caso a tenha, pois com certeza se lembrará de cada momento. Não é apenas um show, mas sim um teatro musical em forma de show. Imperdível!

 

Alice Cooper – Set List:

Spend the Night Intro

Brutal Planet

No More Mr. Nice Guy

Under My Wheels

Billion Dollar Babies

Paranoiac Personality

Woman of Mass Distraction

Guitar Solo (Nita Strauss)

Poison

Halo of Flies (com solo de bateria de Glen Sobel)

Feed My Frankenstein

Cold Ethyl

Only Women Bleed

Killer

I Love the Dead

I’m Eighteen

Bis:

School’s Out (com participação de Andreas Kisser)

 

 

Los Angeles, 1987. A história do rock nunca mais seria a mesma após o lançamento de ‘Appetite for Destruction’, até hoje o álbum de estreia mais vendido de toda a história, com mais de 33 milhões de cópias. Com hits como ‘Sweet Child O’Mine’, ‘Paradise City’ e ‘Welcome to the Jungle’, entre outros, o álbum levou o Guns N’Roses ao topo do Olimpo do rock e transformou Axl Rose e cia. em celebridades instantâneas.

A hora marcada era 20h30 e o Allianz Parque já estava repleto de fãs da banda mais perigosa do planeta. O atraso foi pequeno, quinze minutos pra ser exato, mas enfim começava o famoso tema de “Looney Tunes”, o que era a deixa para que o Guns N’Roses começasse seu show. Formado por Axl Rose (vocal), Slash (guitarra), Duff McKagan (baixo), Richard Fortus (guitarra), Dizzy Reed (teclado), Frank Ferrer (bateria) e Melissa Reese (teclado), a banda começou com ‘It’s So Easy’, de “Appetite for Destruction”, álbum que completou 30 anos em julho passado.

Também de “Appetite for Destruction”, a banda continuou com ‘Mr. Brownstone’, seguida de “Chinese Democracy”, faixa-título do mais recente lançamento de estúdio, de 2008. O som, impecável, mostrava toda a força da atual formação, e Axl Rose se redimia com o público com uma performance maravilhosa até então.

 

A história dessa reunião começa após uma série de polêmicas e abusos. Em 2012, a banda foi indicada ao Rock and Rol Hall of Fame, mas ainda não seria desta vez que Axl, Slash e Duff voltariam a tocar juntos: a reunião que o mundo inteiro esperava só aconteceu em abril de 2016, quando o Guns N’ Roses anunciou a volta triunfal de sua formação clássica com a turnê ‘Not in This Lifetime’.

Axl entrou soltando a voz ainda mais em “Welcome To The Jungle”, terceira de “Appetite for Destruction” na noite. “Double Talkin’ Jive” e “Better”, outra de “Chinese Democracy”, mostraram um pouco da oscilação do vocalista mas nada muito grave. O show teve seus altos e baixos, mas mais clássicos do que qualquer outra coisa.

Destaques para as músicas “Live and Let Die”, “Rocket Queen”, “You Could Be Mine” e “Civil War”, todas cantadas pelo público o tempo todo. São verdadeiros clássicos do Hard Rock, imortalizados na voz de Axl e que ganham uma alma diferente e original com a junção do talento de Slash nas seis cordas e Duff no baixo, dois músicos que possuem entrosamento bem acima da média.

Os pontos baixos ficam para os excessivos covers apresentados pela banda como New Rose (The Damned) e Wish You Were Here (Pink Floyd), além de algumas improvisações com solos intermináveis, o que para quem estava em pé por longas horas assistindo e esperando os shows acabrema se tornando maçante, mas que no frigir dos ovos tudo isso faz parte de um grande show de Rock.

Daqui até o final do repertório do show foram alguns covers e as clássicas ‘My Michelle’, ‘November Rain’, com Axl Rose ao piano, ‘Black Hole Sun’ (cover do Soundgarden em homenagem ao vocalista Chris Cornell), ‘Knockin’ on Heaven’s Door’, ‘I Got You (I Feel Good)’ (cover de James Brown) e também ‘Nightrain’, que fechou a primeira parte da apresentação com mais de 3 horas no palco.

Após o bis, as baldas ‘Don’t Cry’, do “Use Your Illusion I”, e ‘Patience’, do “G N’ R Lies”, certamente gerando certa nostalgia àqueles que viveram aquela época. No encerramento, ‘The Seeker’ (The Who), e o hit arrasa quarteirão ‘Paradise City’, com direito a fogos de artifício finalizando o São Paulo Trip.

Ao final, a banda se despediu do público em tom de reverência. Set list repleto de clássicos e surpresas e a certeza que a volta do Guns N’ Roses foi acertada para deleite de todos os fãs da banda e da mídia especializada. Esperamos que o São Paulo Trip siga firme e forte trazendo os clássicos do Rock e Metal para o Brasil. Uma primorosa estrutura no Allianz Parque, qualidade impecável de som e luz que deve ser usada como referência para qualquer show independentemente do porte das bandas.

 

Guns N’ Roses – Set List:

Looney Tunes Intro

The Equalizer (Harry Gregson-Williams song)

It’s So Easy

Mr. Brownstone

Chinese Democracy

Welcome to the Jungle

Double Talkin’ Jive

Better

Estranged

Live and Let Die (Wings cover)

Rocket Queen

You Could Be Mine

New Rose (The Damned cover)

This I Love

Civil War

Yesterdays

Coma

Slash Guitar Solo

Speak Softly Love (Love Theme From The Godfather) (Nino Rota cover)

Sweet Child O’ Mine

Wichita Lineman (Jimmy Webb cover)

Used to Love Her

My Michelle

Wish You Were Here (Pink Floyd cover)

November Rain

Black Hole Sun (Soundgarden cover)

Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan cover)

I Got You (I Feel Good) (James Brown cover)

Nightrain

Bis:

Don’t Cry

Patience

The Seeker (The Who cover)

Paradise City

 

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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