São Paulo Trip com Aerosmith + Def Leppard

Texto – Thiago Rahal Mauro

 

Fotos – Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

 

Mais de 40 mil pessoas presenciaram dois shows históricos do Aerosmith e Def Leppard em São Paulo, no Allianz Parque, com produção da Mercury Concerts, dentro do festival São Paulo Trip, que reuniu grandes nomes do rock e metal mundial.

 

As duas bandas tem histórias bem peculiares com o Brasil. O Aerosmith esteve no país pela sétima vez no país e sempre foi figura carimbada em festivais, shows em estádio, além de carregar uma legião de fãs graças aos vídeos clipes super produzidos dos anos noventa. Em compensação, o Def Leppard depois de não poder participar da primeira edição do Rock In Rio veio em 1996, num momento em que as atenções estavam voltadas ao grunge e quando promovia o álbum “Slang”, um dos discos que vendeu menos em sua carreira até aquele momento. Era hora da redenção.

 

Muita gente acha que o Def Leppard é norte-americano, tamanho o sucesso que faz no país, mas eles são da Inglaterra: a banda britânica já vendeu mais de 100 milhões de álbuns em todo o mundo e foi homenageada com dois Diamantes, prêmio que a indústria norte-americana entrega a álbuns que venderam mais de dez milhões de cópias cada. Formada em 1977, o Def Leppard – Joe Elliott (vocais), Phil Collen (guitarra), Rick Savage (baixo), Vivian Campbell (guitarra) e Rick Allen (bateria) – é uma das bandas mais bem sucedidas da história do rock mundial.

Seu último lançamento, “Def Leppard” (2015), foi um sucesso de crítica e público e a banda lançou em fevereiro de 2017 o DVD ‘And There Will BE A Next Time… Live From Detroit’, que entrou em primeiro lugar na lista de DVDs mais vendidos dos Estados Unidos, França e Canadá.           Com isso em mente, o Def Leppard entrou no palco com a boa música “Let’s Go”, faixa que abre o mais recente e homônimo álbum de 2015. Em seguida, “Animal”, presente no álbum que completa trinta anos, “Hysteria”. Talvez abrir com está música seria ideal para começar incendiando.

 

“Let It Go” do High ‘n’ Dry, de 1981, mostrou o baterista Rick Allen em ótima forma. Além disso, o vocalista Joe Elliott pode agitar a plateia com seus trejeitos bem característicos e as caras e bocas já conhecidas por todos. Em seguida, “Love Bites”, muito conhecida no Brasil pela versão do Yahoo (Mordidas de Amor), que foi trilha sonora da novela “Bebê a Bordo”, de 1989. Nessa, Phil Collen tocou uma guitarra que trazia uma pintura com a imagem bem curiosa do Drácula. Vários casais aproveitaram a música para reativar o relacionamento, simplesmente um hino.

 

Vale a pena relembrar um pouco da história de Rick Allen. Em dezembro de 1984, o baterista sofreu um acidente de carro e perdeu o braço esquerdo, forçando a banda a cancelar vários shows, inclusive uma participação no Rock in Rio I em 1985.

 

Por meio de um kit adaptado especialmente para ele, Allen voltou a tocar e o Def Leppard lançou ‘Hysteria’, que chegou ao topo das paradas em todo o mundo e vendeu mais de 30 milhões de cópias. Por isso, a banda apresentou várias desse álbum neste show como a ótima “Armageddon It”, um clássico atrás do outro.

O ápice da apresentação foi quando o Def Leppard tocou “Bringin’ on the Heartbreak”, “Hysteria” e “Pour Some Sugar On Me”. Faixas que ultrapassaram o teste do tempo e até hoje são lembradas pelos fãs e passadas de pai para filho, quase como uma celebração à vida e as boas coisas que temos todos os dias.

 

O Def Lappard fechou um dos melhores shows de sua carreira na América do Sul com as radiofônicas “Rock of Ages” e “Photograph”. Após esta apresentação catártica, temos a certeza que a banda retornará mais vezes ao Brasil e nos brindará com excelentes shows e músicas que elevam nossa alma para todo sempre.

 

Def Leppard – Set list:

Let’s Go

Animal

Let It Go

Love Bites

Armageddon It

Man Enough

Rocket

Bringin’ on the Heartbreak

Switch 625

Hysteria

Let’s Get Rocked

Pour Some Sugar On Me

Rock of Ages

Photograph

 

Já com o Allianz Parque lotado, o Aerosmith entrou no palco com a plateia em êxtase. Depois da introdução, um vídeo mostrando imagens dos mais de 45 anos da banda já mostrava o que estava por vir. Neste momento, Steven Tyler (vocais), Joe Perry (guitarra), Brad Whitford (guitarra), Tom Hamilton (baixo) e Joey Kramer (bateria) entraram no palco com “Let the Music do the Talking”, de “Done with Mirrors” (1985). Tyler e Perry usaram a plataforma que ia até o meio do público e incendiaram os fãs com suas performances mais do que explosivas.

“Love in an Elevator”, “Cryin’” e “Livin’ on the Edge” foi a trinca perfeita para o Aerosmith ganhar ainda mais a plateia. Steven Tyler estava cantando muito bem e agitava o tempo todo, nem parecia que estava doente ou com algum problema de saúde. Na sequência, uma parte que deu uma diminuída no ânimo dos fãs, com a jam blues e os covers de “Stop Messin’ Around” e “Oh Well” de Fleetwood Mac, ambas com Joe Perry nos vocais e na guitarra. Na hora, não entendi muito bem esse momento pois baixou muito a bola da plateia, mas após o show e com o cancelamento do restante da turnê sulamericana, percebi que a banda estava dando um descanso para Steven Tyler, que teve um problema de saúde naquele dia e após o show de São Paulo seguiu direto para os Estados Unidos se tratar.

 

“Crazy” e “I Don’t Want to Miss a Thing” mostraram a força dos videoclipes e do poder do Aerosmith em conseguir novos públicos com músicas que transcende o Rock. Percebi várias mulheres cantando e berrando o refrão dessas músicas o tempo todo. O cover de “Come Together” dos The Beatles foi uma surpresa e mais uma vez percebi a banda ajudando Steven Tyler durante o show.

A primeira parte do show foi finalizada com “Sweet Emotion” “Dude (Looks Like a Lady)”, em um momento que ficará na memória de todos os fãs. Após o Bis, Steven Tyler volta a passarela com seu lindo piano para apresentar um momento mágico com a clássica “Dream On”, cantada em uníssono pelo público. Com problemas de saúde ou não, está composição em especial é a marca do vocalista e não pode faltar em nenhum show do Aerosmith.

 

“Walk This Way” fechou o show para a alegria dos fãs, que presenciaram um momento único e por motivos de saúde, o último da banda na América do Sul. Este redator e o site Heavy World torcem pela rápida recuperação de Steven Tyler e que o vocalista volte aos palcos para nos brindar com sua voz, performance e carisma.

 

A história do Aerosmith começou bem cedo. A banda se reuniu em Boston em 1970 e dois anos depois lançaram o álbum de estreia. Intitulado apenas ‘Aerosmith’, era repleto de hits que só mais tarde entrariam para a história do rock, como ‘Dream On’ e ‘Mama kin’. A banda lançou ‘Get Your Wings’ em 1974, mas foi com o álbum seguinte, ‘Toys in the Attic’ (1975), que o Aerosmith se tornou um grande nome.

Mesmo com tudo isso o Aerosmith e Steven Tyler são incríveis ao vivo que nem as partes onde claramente a banda estava enrolando no show conseguem diminuir o brilho das excelentes apresentações da banda. O domínio de palco do Aerosmith é único e torna a banda uma lenda dentro do Rock e Hard Rock mundial.

 

Aerosmith – Set list:

Let the Music Do the Talking

Love in an Elevator

Cryin’

Livin’ on the Edge

Rag Doll

Stop Messin’ Around (Fleetwood Mac cover)

Oh Well (Fleetwood Mac cover)

Crazy

I Don’t Want to Miss a Thing

Mama Kin

Come Together (The Beatles cover)

Sweet Emotion

Dude (Looks Like a Lady)

Bis:

Dream On

Walk This Way

 

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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