Samsara Blues Experiment – Um Show de Experimentalismo

Texto – Bruno Oliveira

Fotos – Fernando Yokota

Primeiramente gostaria de enaltecer o trabalho que a produtora Abraxas tem feito ultimamente, trazendo bandas diferentes, muita coisa que não se imaginaria que um dia tocasse por aqui, fugindo da mesmice. Em 2016, vieram à América do Sul bandas como The Shrine, Stoned Jesus e Radio Moscow, o que é muito legal.

Havia pouca gente do lado de fora do Clash Club neste último sábado, esperando pelo show do trio alemão, pelo menos quando eu cheguei. 18:30 começou a rolar o som de uma banda da qual eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Hammerhead Blues, a banda formada por Otavio Cintra (Vocal e Baixo), Luiz Felipe Cardim (Guitarra) e Willian Paiva (Bateria), apresentou um ótimo show, com psicodélico e muito inspirado nos heróis dos anos 70, o próprio visual da banda remete a época de UFO, Deep Purple e Thin Lizzy. A casa não estava muito cheia, mas até o fim da apresentação dos caras, já havia um bom público, que foi brindado com um solo na faixa final, “Drifter”. A banda me surpreendeu bastante e fez o show mais legal da noite.

Samsara 2               Fernando Yokota

“Nós somos a Saturndust, e a gente toca brisa ruim”, foi assim que o vocalista e guitarrista Felipe Dalam, apresentou a banda ao público. “Brisa Ruim” no melhor sentido da palavra, Saturndust é uma banda que mescla o peso do Doom Metal, com muita psicodelia, é arrastado, cadenciado, ao mesmo tempo que é extremo.

Alguns comentários no Youtube descrevem o som dos caras como Space doom, eu já não sei, mas o experimentalismo da banda paulistana é bem trabalhado e a atmosfera é única. A banda ainda conta com Gulherme Cabral (Baixo) e Douglas Oliveira (Bateria), o último, mandou um solo de bateria com a participação do Willian Paiva do Hammerhead Blues, muito bem avaliado pelos fãs na pista, por sinal.

Samsara 1              Fernando Yokota

Abriram muito bem o caminho para grande atração da noite.

Seguindo o horário programado, subiu ao palco o trio alemão, agora sim com a Clash Club lotado, e deu pra sentir o calor do público ao receber a banda pela primeira vez. O grupo aproveitou o show para tocar algumas músicas, clássicas além de algumas inéditas do futuro disco “One With the Universe”.

A banda destila sua psicodelia desde 2007 e vem cada vez mais atraindo fãs em suas turnês de sucesso pela Europa e América do Norte. O som do Samsara faz uma bela mistura de stoner e rock psicodélico, agregando influências de folkblues e indian raga.

Christian Peters, Hans Eiselt e Thomas Vedder, provaram toda essa fama adquirida no palco da Clash Club, com muito feeling, e com um show muito bom tecnicamente, digo tecnicamente, pois falando de interação com o público a banda não teve tanto sucesso, uma vez que mal se comunicou com a galera da pista.

Samsara 3               Fernando Yokota

Mas claro que isso não ia apagar o brilho da noite, pois a linguagem da música é universal e quando os instrumentos falavam o público  agitava sem parar músicas como Singata, For The Lost Souls, Army Of Ignorance, Center Of The Sun, Double Freedom, além de apanhados dos seus dois discos posteriores e inéditas do seu próximo lançamento, One With the Universe, anunciado para maio.

O som estava alto, como tem que ser, o baixo rivalizava com os outros instrumentos, de tão alto,  e nenhuma cabeça ficou parada em Into the Back, Hangin’ On The Wire e Shringara.. Apesar de ter feito um bom show, e ter levado os fãs à loucura, a banda foi muito tímida no palco, se despedindo da galera com um sutil “obrigado”, e recebendo muitas palmas para finalizar essa ótima noite de musica boa.

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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