Radio Moscow – Live São Paulo

Por Bruno Nascimento

Foto – Fernando Yokota

Os fãs não aguentavam mais esperar pela Radio Moscow, depois de dois anos desde a última vez que o trio americano tocou no Brasil, finalmente chegou a hora do aguardado retorno.

Antes de tudo, é preciso ressaltar a atmosfera da banda americana. Inspirada no rock psicodélico das décadas de 60 e 70, ver os caras evoca um sentimento nostálgico, sim, mais uma dessas bandas que reverência os tempos dourados do rock. A diferença está no som mais blueseiro, enquanto muitas das bandas mais recentes apostam numa mistura clássica com o peso mais moderno (vide Red Fang), a Radio Moscow sabe como soar extremamente clássico, sem forçar a barra. Desde a formação de um clássico power trio (bateria, baixo e guitarra), passando pelos vocais “relaxados” de Parker Griggs, até o visual do trio. Tudo faz parte dessa boa viagem que é apreciar a Radio Moscow ao vivo.

                            Fernando Yokota

Para acompanhar esse culto ao passado proporcionado pela banda principal, era importante bandas com proposta similares para não destoar o tom da noite. O cast de abertura foi certeiro.

A primeira banda, Aura, diretamente da terra do Pão de Açúcar, os moleques apresentaram um show bastante psicodélico, numa vibe do início dos anos 70. O quarteto composto por: Enzo Mastrangelo (guitarra), Paulo Emmery (guitarra), Bauer França (baixo) e Vicente Barroso (bateria), tratou de começar a noite com um belo set instrumental, cheio de efeitos nas guitarras e uma bateria marcante. Ainda parecem um tanto quanto tímidos no palco, mesmo assim, inegável o talento e o bom gosto dos garotos.

A segunda banda a se apresentar foi o Quarto Ácido, do Rio Grande do Sul. Com a proposta parecida, som instrumental, surpreender pela clareza dos instrumentos, a guitarra e o baixo estavam redondinhos, talvez com um som até mais limpo do que a banda principal.

Sem muitas palavras, agradeceram o público paulistano pela presença na primeira vez dos caras por São Paulo. O trio gaúcho soltava som em cima de som, uma aula de palco, e de como tocar, algumas passagens mais pesadas chegou até a lembrar uma versão instrumental do Kyuss (referência no stoner).

Depois dos dois primeiros atos instrumentais, enfim subiu ao palco a Radio Moscow, sem firulas, eles mesmos que afinaram seus instrumentos antes do show. Todo o prestígio alcançado pela banda nesses anos está na capacidade dos músicos.

Um baixo Rickenbacker, uma velha guitarra Fender Stratocaster e um simples kit de bateria posicionado atrás, foi assim que o trio fez sua apresentação. É incrível como muitas vezes, menos é mais.

A banda toca músicas que já são clássicas pelos fãs: “250 Miles’’ e “Brain Cycles” são dois exemplos, animaram o inquieto público. A todo instante os fãs sorriam e agitavam. Uma vibe totalmente amistosa no vic club cheio.

A grande diferença desse show para o último em 2016 foi o lançamento do ótimo “New Beginnins” e com isso, a adição de algumas novas músicas no set. “Drifitin” e uma das minhas favoritas, “Deceiver” foram os grandes destaques, não só entre as novatas, e sim do set como um todo.

Justo dizer que Paul Marrone, Anthony Meier e Parker Griggs ofereceram mais um grande show de rock e simplicidade, sem dúvidas é uma banda que vem trilhando um caminho interessante e ainda tem muito o que mostrar. Já eu, não poderia ter começado o feriado de páscoa de forma melhor.

Tagged with:
2
Matéria enviada por Lucas Amorim

Similar articles