Pearl Jam: Um ótimo show, mas… Ótimo pra quem?

Texto: Ismar Ferreira

Fotos: MRossi/ 89FM

 

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Ainda hoje, há quem se pergunte por que o Pearl Jam é tão grande hoje em dia, visto que após o declínio do Grunge e boicote à Ticketmaster, eles nunca mais atingiram o sucesso de venda dos três primeiros álbuns, que somam mais de 20 milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos, sendo o primeiro álbum, Ten, o maior clássico e ainda hoje, maior responsável por levar a maior parte dos mais de 60 mil espectadores ao longínquo estádio do Morumbi. A resposta virá a seguir…

Às 20:45 o Pearl Jam veio ao palco com “Long Road”. Sim, eles abriram o show com um lado B, e de um single! Aí há de se fazer uma divisão entre os presentes: os poucos que se sentiam privilegiados por estarem vendo uma canção tão rara, que só havia sido tocada uma vez no Brasil e uma grande maioria, que parecia até confusa talvez por não conhecer ou simplesmente por achar que a música não era a ideal para a abertura de um show como esse. Na sequência, mais duas raridades e que nunca tinham sido tocadas no Brasil, “Of The Girl” e “Love Boat Captain”, que também foram recebidas com certa frieza por um público que parecia desanimado até que, os primeiros acordes de “Do The Evolution” ganharam os PA’s e aí sim! Finalmente o show começou para todos!

 

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Desde o início havia um clima tenso no ar, os atentados em Paris tiveram impacto direto sobre a banda que estava claramente abalada com os acontecimentos, não apenas pela pele do bumbo de Matt Cameron, que trazia uma estampa da torre Eiffel ou pelos dizeres na camiseta de Jeff Ament com dizeres “Unfuck the World”, mas também por uma mensagem de paz que a banda trouxe ao longo de todo o show, tanto pelos discursos de Eddie Vedder, quanto pela cover de “Imagine” de John Lennon, que foi tocada algumas vezes durante essa turnê, mas que nesse sábado teve um significado especial.

Ironicamente, justamente durante a faixa titulo do álbum mais recente, “Lightning Bolt”, um céu trovejante e fortes ventos fizeram com que o show fosse interrompido e os integrantes se retirassem enquanto a equipe amarrava os equipamentos de som, luz e também um pássaro de metal, um dos poucos adereços do simples palco usado por eles e que balançavam de forma preocupante no momento. Essa foi a deixa para Vedder improvisar “Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town” (que aparentemente não fazia parte do setlist) e após uma pausa, retornaram com “Even Flow”, para delírio do público que mostrou ter sim energia de sobra.

 

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A característica principal do show do Pearl Jam é a imprevisibilidade. Embora algumas sejam muito frequentes, poucas são as canções que são executadas em todos os shows. Há uma constante quebra de ritmo, como na transição entre a punk “Mind Your Manners” para a depressiva “Deep”, possivelmente até visando a segurança dos fãs e é exatamente dessa forma que o show segue, com os momentos de  euforia e calmaria se alternando de forma tão bem controlada pelo quinteto, que alguns sequer notaram as imagens aéreas do estádio que foram feitas durante o dia e exibidas durante “Given to Fly”, tal concentração só fora quebrada alguns minutos mais tarde, em “Better Man” na qual uma forte pancada de chuva atingiu o estádio e algumas dezenas correram para se abrigar em uma área da pista premium em que não era possível ver o palco.

 

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Depois de um longo set e um bis com sete músicas, a parte mais apoteótica do show: o segundo bis que contou com “Black”, “Alive”, “Rockin’ In The Free World” (de Neil Young) e
“Yellow Ledbetter” que costumeiramente fecha os shows, mas dessa vez ainda coube um cover de “All Along the Watchtower” de Bob Dylan, raramente executado, para fechar a noite em grande estilo.

Se não ficou claro porque o Pearl Jam é tão grande, a resposta é simples: Não é pelas causas sociais ou ambientais em que eles se envolvem, ou pela atenção que dão aos fãs. O motivo principal de tamanho sucesso é a grandiosidade de seus shows, que satisfaz a cada tipo de espectador de uma forma diferente.  Queremos mais bandas assim!

 

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SET 1

 

Long Road

Of The Girl

Love Boat Captain

Do The Evolution

Hail, Hail

Why Go

Getaway

Mind Your Manners

Deep

Corduroy

Lightning Bolt

Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town

Even Flow

Come Back

Swallowed Whole

Given To Fly

Jeremy

Better Man

Rearviewmirror

 

ENCORE 1

Footsteps

Imagine

Sirens

Whipping

I Am Mine

Blood

Porch

 

ENCORE 2

Comatose

State of Love and Trust

Black

Alive

Rockin’ In The Free World

Yellow Ledbetter

All Along The Watchtower

 

 

 

 

 

 

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Matéria enviada por Aline Narducci

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