Odin’s Krieger Fest – Live SP

Por Bruno Nascimento

Por mais estranho que pareça, cultuar música, dança, e vestimentas do século VIII, está em alta. A cena folk, viking e pagan metal cresce muito em todo o mundo, o Brasil acompanha essa efervescência, hoje a cidade de São Paulo recebe alguns festivais interessantes voltados à essa temática, Thorhammerfest, e o próprio Odin’s são grandes referências no segmento.

A edição deste ano trouxe bandas como Hagbard, Confraria da Costa, Hugin Munin, Tuatha de Danann, além dos holandeses do Rapalje. Fora as atrações musicais é importante destacar a preocupação visual com o tema proposto, a feira medieval organizada no mezanino do Tropical Butantã, assim como as vestimentas do público e as apresentações promovidas pelo grupo Ordo Draconis Belli evocaram o espírito medieval.

Musicalmente o festival acertou em escolher nomes já admirados pelos fãs, Hagbard foi a primeira banda a subir ao palco, o show dos caras é muito enérgico, extremamente pesado quanto técnico. Apesar do pouco público presente a banda conseguiu fazer um show certeiro, ótima escolha para preparar os ouvidos.

A segunda banda a subir ao palco do Tropical foi a Confraria da Costa, na minha opinião conseguiram fazer o show mais divertido do festival. As vozes estavam entoadas para acompanhar as letras. Os “piratas” estavam animados e toda a mistura de rock com trompete, violino e banjo que eles trazem no som ajudou a criar uma atmosfera de taberna. As faixas “Preparar… Apontar…Fogo!” e “És Cadavérico” foram os destaques da apresentação do septeto.

Depois foi a vez dos Santistas da Hugin Munin se apresentarem. Comemorando 10 anos de carreira, a banda entrou com fúria executando seu som numa pegada mais Death Metal. Se a banda anterior conseguiu um clima bêbado de taberna, o Hugin Munin deu um tom bárbaro ao festival. Os vocais são pesados, assim como as cordas, e a caixa da bateria é muito marcante. O vocalista Pedro Rogério anunciou a gravação do show para o próximo DVD do grupo. Na pista o público formava uma grande roda enquanto no palco o grupo Ordo Draconis Belli encenava mais uma apresentação ostentando suas armaduras, escudos e espadas.

O show mais aguardado foi o da conhecida banda Tuatha de Danann, a plateia recebeu muito bem os mineiros. Os caras mostram porque são tão queridos pelo público paulistano. As guitarras limpas, belas melodias e o vocal do simpático Bruno Maia deram um novo som na festa, as rodas foram substituídas por danças em toda a extensão da pista, músicas dos quatro discos foram tocadas, um show completo, Tuatha se mostrou tecnicamente perfeito. No fim, Bruno agradeceu a presença de todos com um sorriso de satisfação no rosto, e ainda ressaltou o crescimento do folk no Brasil.

Por fim, era a esperada a hora do Rapalje para fechar a noite. David surpreendeu quando apareceu do fundo da pista tocando sua gaita de fole e percorreu todo o caminho até o palco em cima de um carrinho empurrado por roadies. Após uma longa introdução a bando começou de vez o show de música celta. É interessante ver o grupo ao vivo, pois a formação é muito diferente do habitual, afinal não são uma banda de rock com guitarra, baixo e bateria combinados com outros instrumentos. É realmente uma banda folk! Com todos aqueles instrumentos que não estamos tão acostumadas em ver, além disso é interessante que nem todas as músicas do grupo são em inglês, causa um divertido estranhamento, dando a sensação de imersão em algum festival de música pagã na Europa. Além da grande representação da música medieval, os holandeses foram carismáticos durante todo o show, agradando todos que ficaram até o fim.

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Matéria enviada por Lucas Amorim