Morrissey: Para Quem Foi Escutar Smiths “I’m so sorry”

Texto: Lucas Amorim

Fotos – Marcelo Rossi 

No ultimo dia 21/11/2015, ocorreu um dos eventos mais esperados do ano, Morrissey, finalmente retornou ao nosso país, depois do fatídico cancelamento em 2013, que deixou muitos fãs decepcionados, porém para alegria de todos ele retornou ao Brasil, e em São Paulo foram duas apresentações, o Heavy World compareceu na segunda lá no Citibank Hall e te conta como foi esse espetáculo nas linhas abaixo.

Casa lotada, corre, corre, e muita expectativa era o que se via em toda a casa, pessoas procurando seus lugares, outras conversando sobre a sua expectativa para à apresentação, até que as luzes se apagam e um Ramones começa a passar em um telão improvisado no palco.

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Foram cerca de 30 minutos de filme, bandas, atores, e performances artísticas para entreter a galera, uma coisa muito bacana colocar artistas que serviram de influência para outros artistas ou performances culturais que agregaram algum valor, eu não pesquisei sobre esse filme, mas eu gostei de ver aquelas cenas nostálgicas e o que a música era e o que é hoje, faz a gente pensar bastante, acho que fazer pensar é uma boa característica nos shows do Morrisey, e isso é louvável.

Bem, mas voltando à apresentação, o gigante pano que servia como telão é retirado e a banda adentra ao palco, toda de preto se cumprimentando, e cada músico toma o seu lugar, e assim do nada já iniciam com Suedehead, que já fez todo mundo cantar em uníssono, e não parou por aí quando a banda emenda sem delongas Alma Matters.

Sorrisos e mais sorrisos, na pista, mãos para o alto, emoção, abraçar a namorada valia também….e toda forma de satisfação de ouvir a canção, ou seja, o show prometia, e a próxima canção serviu para provar que o Morrissey veio para abalar a galera, You have killed me, matou todo mundo mesmo, mas de emoção amigos,  que começo, não da pra falar nada, um início que até quem não é fã pularia que nem pipoca.

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Mas as surpresas não parariam por ali, Speedway, canção do ótimo Vauxhall and I, me tirou aquele sentimento de saudade daquela canção, coisa que não escutava fazia tempo, e ainda ver essa canção com a interpretação do Morrisey é demais, ele incorpora, e em cada música é um novo artista, veja por exemplo em World Peace Is None of Your Business, do mais recente álbum do cara, onde ele abre o peito para fazer aquelas vozes mais fortes ou em Ganglord onde ele faz aqueles seus vocais já característicos que marcaram a sua carreira.

O som estava magnífico, e a montagem do palco, sensacional, a banda de Morrissey é muito simpática, se apresentou completa integrante por integrante para a galera, que os recebeu sob muitos aplausos.  Apenas uma opinião pessoal que posso colocar aqui, e é uma coisa que não me agradou muito, foi o Morrissey ter tocado muitas músicas novas, uma atrás da outra, ele poderia ter mesclado mais, e conseguido mais atenção do público, caso as tivesse conectado a sons mais antigos, pois nessas o público da uma ascendida, e daria uma ponte para vir outro som novo.

Percebi na parte que eu estava, que uma grande parte da galera transpassava um sentimento de desestimulo uma vez que muitas pessoas não conheciam o trabalho novo do cara, mas não dá para reclamar da performance de Morrissey ou de sua banda, que foram impecáveis, mas questão do set e de muitas músicas novas  na sequência desestimulou muita gente sim

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Por falar em performance, o Morrissey está com ela em dia, o cara conversa, faz piada, brinca, deu bronca em um fã que queria gritar demais durante uma canção, e ainda tem tempo tempo de ir segurar umas mãos lá na plateia, e pra completar fez até um cover do Elvis, ele sempre faz, eu sei, mas é legal.

Seguindo com o set, um dos momentos mais marcantes da apresentação foi o famosos vídeo de Meat Is Murder e toda a repudia que Morrissey expressa quanto ao abatimento de toda forma de animal para alimentação, um vídeo comovente e forte que, alguns fãs do meu lado criticavam, enquanto outros aplaudiam, mas enfim, o show é do artista e ele expõe a sua arte e seu modo de ver o mundo, e com toda certeza o vídeo fez muita gente pensar, aliás, lá atrás eu disse que os shows do cara fazem você pensar, e mais uma vez eu pensei, como muitos ali, quando veio a pergunta “QUAL A SUA DESCULPA AGORA ?”

E nessa canção entrou o primeiro som do Smiths na noite, quase não vem não é ? Mas veio pelo menos um…rsrsrs…que foi seguido por outra das antigas, lá atrás, túnel do tempo, lá do Viva Hate,  a ótima Everyday Is Like Sunday que fez mais uma vez todo mundo agitar como nunca, pois esse som é bom demais.

No fim a sombria Jack the Ripper, e seu fundo depre, seguida por mais um som dos Smiths e mais uma do Meat, dessa vez What She Said, e aí é explosão de adrenalina na pista, pois esse som é poderoso e pesado ao vivo, e tem uns OOO que faz a galera agitar. Mas tudo que é bom dura pouco e era hora de dizer tchau ao Morrissey, mas antes ele tem que fazer uma cena né? O cara arranca a camisa roda, roda e joga para a galera e saí com a moral lá em cima.

Morrissey Live

Mas o povo queria mais e mais, e os pedidos são atendidos e I’m Throwing My Arms Around Paris, é muito bem executada no Bis, seguida do último som da noite com a clássica The Queen Is Dead, fechando a conta da apresentação de  Steven Patrick Morrissey, com saldo positivo no Citbank Hall, teve pouco Smiths ? Sim teve !…. eu gostei mais do show de 2000 e do de 2012 ?, Sim eu gostei !!,….. mas dizer que essa apresentação foi ruim é mentira, ela foi muito boa e de excelente qualidade, e pra quem foi lá só pra ouvir Smiths, o Morrisey cantou pra você na primeira canção da noite “I’m so sorry”

 

 

 

 

 

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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