Matanza Fest – São Paulo

Por Cyntia Marangon

Fotos: Pri Secco

 

No último dia 21 ocorreu O Derradeiro Matanza Fest na cidade de São Paulo/SP, mais especificamente na casa de shows Tropical Butantã. Evento este de caráter determinante e também histórico, pois definitivamente foi um marco para todos os fãs que estavam presentes, menciono isto pois após o anúncio feito recentemente, pelos próprios integrantes da banda Matanza, que suas atividades se encerrarão no mês de outubro ainda deste ano, a banda desencadeou uma série de eventos e shows para todos os fãs como se fosse uma “pré-despedida” e podemos descrever que obviamente por um lado muitos destes fãs ficaram tristes com tal notícia, porém o apoio dos mesmos para a banda, ainda por se dizer nestes shows e festivais, estão sendo demasiadamente intensos, afinal o que vimos para este Festival em São Paulo foi o que remete toda a história, paixão, amor que este fãs possuem por todo o contexto que evolve a banda Matanza em si, levando assim ao esgotamento dos ingressos. Sim! Tivemos a casa lotada neste último sábado, ou seja, não havia praticamente espaços para locomoção e o público foi incrível em todos os aspectos.

Os festivais que envolvem a banda Matanza sempre são considerados pelo público, além da sua organização e pontualidade, um marco diferenciado no line up, pois todas eles apresentam bandas que possuem uma certa representatividade em seu gênero e também relevância para com o seu público em específico. Sendo assim, as bandas que se apresentaram neste festival, além de serem 100% nacionais, são de extrema importância na cena em si.

Nesta noite tivemos a irreverência da banda Bruto, banda de Brasília que foi formada no ano de 2004, ou seja, os caras já possuem uma longa estrada e já são conhecidos pelo público. A personalidade do vocalista KBÇA no palco é algo que precisa certamente ser descrito, pois foi muito marcante tanto para alavancarem o público, que ainda chegava ao evento, como para enfatizar a apresentação dos brasilienses, que foi marcante e intensa.

Sem mais delongas, como já mencionado anteriormente, não tivemos atrasados dentre as bandas neste evento. A próxima a subir no palco foi a Justabeli, banda de Black Metal caracterizada por ser diferenciada dentro desta sua vertente. Devemos considerar que grande parte do público não conhecia tal banda, devido ao seu gênero ser diferenciado de certa forma, porém todos a receberam muito bem.

A Justabeli foi formada na cidade de Diadema no ano de 2001 e os caras estão na ativa até hoje, com uma ressalva de que temos a mesma formação apenas desde o último EP lançado no ano de 2017 o “Blast the Defector”, com o baixista e vocalista irreverente War Pheriz, com o guitarrista Blasphemer que demostrou uma presença de palco incrível e Morbus Deimos na bateria. Contudo, a Justabeli demonstrou sua imponência no palco de forma relevante para o público presente, fincando mais uma bandeira e evidenciando além deste seu novo trabalho, músicas do aclamado “Cause the War Never Ends”.

Na sequência tivemos a banda Golpe de Estado, que vem de uma turnê marcante onde comemoraram os seus 30 anos de banda e isto realmente não é pra qualquer um, além de lançarem o seu CD ao vivo que definitivamente foi um marco, com a presença de diversos nomes renomados da cena, estes não poderiam ficar de fora desta grande festa.

Com clássicos como “Janis”, “Quantas vão” e até mesmo a ovacionada “Noite de Balada” a banda levou o público ao ápice. O que mais chama atenção na banda, sem sombra de dúvidas, é o carisma notável do vocalista João Luiz, que possui uma energia única, o que agrega aos demais integrantes da banda que ainda é composta pelo Marcelo Schevano na guitarra, Nelson Brito no baixo e Roby Pontes na Bateria e o que se pode descrever é que toda esta interação fez com o que o público cantasse os vários clássicos da banda em conjunto, alavancando uma energia incrível e marcando historicamente e definitivamente este show desta grande banda brasileira.

E antes do grande encerramento, tivemos a banda Olho Seco, e o que dizer dessa lenda? Banda esta da década de 80, que possui mais de 30 anos de carreira, sem falar nos diversos clássicos históricos marcantes da cena nacional punk como “Isto é Olho Seco” dentre outros. Foi um marco nesta noite, a banda fez um show histórico! Realmente foi nesta hora que notavelmente não havia mais espaços para nos locomovermos e o público foi ao delírio, cantando todos os clássicos juntos, interagindo o tempo todo, demonstrando assim tal reciprocidade até mesmo nas “rodas” que foram formadas durante a apresentação da banda.

Chegamos ao final deste festival, sem sombra de dúvidas o público que lotou a Tropical Butantã, já estava ovacionando por “Matanza!” Matanza!” devido tal ansiedade. E sem atrasos, pois o show decorreu dentre o seu horário previsto, o que posso mensurar em breves palavras, ou melhor, em apenas uma palavra é que foi “DERRADEIRO”. Quando Jimmy entrou no palco e começaram com a música “O Chamado do Bar” a galera ficou ensandecida!  Com uma formação de peso, além da presença notória, marcante e inconfundível de Jimmy nos vocais, ainda tivemos Dony Escobar no baixo, Jonas Cáffaro na bateira, Maurício Nogueira na guitarra e o que estes levaram, sem dúvida alguma para os fãs, foi muita energia e uma presença de palco inigualável.

Os fãs da banda Matanza são sensacionais no aspecto de resposta e demonstrarem toda a sua paixão e amor pela banda. Obviamente que clássicos como “Clube dos Canalhas”, “Eu não gosto de Ninguém”, “Ela Roubou meu Caminhão”, “Bom é Quando faz Mal”, dentre outros, foram ovacionados e aclamados pelo público.

O que mais chama a atenção, não foi somente pela quantidade de pessoas presentes, ou até mesmo pelos ingressos terem se esgotado em tão pouco tempo, claro isso é apenas a resposta de todo o trabalho que essa grande banda nacional fez e faz ainda para o seu público, mas sim o amor e dedicação destes anos todos da banda e a resposta dos seus fãs em um show onde cantaram todas as músicas initerruptamente, as “rodas” enormes que se abriram, todas as pessoas falando bem e dizendo o quanto estavam felizes por estarem nesta noite que definitivamente marcou, tanto historicamente falando quanto nos corações de cada fã.

O setlist da banda foi algo destruidor, ou melhor, derradeiro como já mencionamos. Não faltou absolutamente nada, digo, nenhuma música que não levasse o público a cantar junto e mais uma vez demostrarem o quanto a banda Matanza foi e ainda é importante na cena nacional em diversos aspectos. Confesso que mal notei o tempo passar, isto que tivemos um show além de intenso também de longa duração.

Descrever uma noite como esta certamente é algo muito diferenciado, por toda a energia que foi envolvida, mas tivemos um festival digno, marcante e que certamente todos vão levar na memória.

 

Setlist Matanza:

1 – O Chamado do Bar.

2 – Meio Psicopata.

3 – Country Core Funeral.

4 – O Último Bar.

5 – Eu não gosto de ninguém.

6 – Santa Madre Cassino.

7 – A sua Assinatura.

8 – Pé na Porta, Soco na cara.

9 – Odiosa Natureza Humana.

10 – Tudo Errado.

11 – Clube dos Canalhas.

12 – Ela não me perdoou.

13 – Conforme Disseram as Vozes.

14 – Remédios Demais.

15 – Mesa de Saloon.

16 – Mulher Diabo.

17 – Carvão, Enxofre e Salitre.

18 – A Arte do Insulto.

19 – Interceptor V6.

20 – Ressaca sem fim.

21 – Maldito Hippie Sujo.

22 – Pior Cenário Possível.

23 – Todo ódio da Vingança de Jack Buffalo Head.

24 – Matanza em Idaho.

25 – Tempo Ruim.

26 – Whisky para um condenado.

27 – Rio de Whisky.

28 – Eu não bebo mais.

29 – Ela Roubou meu Caminhão.

30 – Estamos todos Bêbados.

31 – Bom é quando faz mal.

 

Confira o álbum de fotos completo do evento:

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Matéria enviada por Lucas Amorim