Kool Metal Fest – Live SP

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Por Bruno Nascimento

A segunda parte do Kool Metal fest, aconteceu no último domingo (10), no Carioca Club e contou com algumas bandas revelações do cenário nacional como Eskröta, Cemitério e Surra, e também com nomes já consagrados Brasil afora, como Nervosa e Krisiun, além do headliner, Brujeria.

O clima de união underground, era bem visível, o público compareceu em um bom número desde o primeiro show da tarde. A vibe do festival foi excelente, todas as bandas pareceram bem confortáveis em tocar, desde as meninas da Eskröta, até os veteranos do Brujeria.

Vindas do interior de São Paulo, a Eskröta abriu o festival, com seu crossover/thrash de protesto, do primeiro e único EP, “Eticamente Questionável’’. Yasmin Amaral e Tamy Leopoldo fazem uma linha de frente bastante segura no comando das cordas, enquanto cantam letras bastante pertinentes como “Executável’’ e “Mulheres’’, a última, com a participação de várias mulheres que estavam presentes entre o público e ajudaram a entoar as frases: “Ninguém me representa/Não sou obrigada/Machista não passa.”

Depois, Cemitério, projeto de death metal old school do músico Hugo Golon, baterista em diversas bandas da cena underground (Whipstriker, Flagelador, Comando Nuclear, etc…). O Cemitério já é figurinha carimbada no underground, com dois discos lançados, “Cemitério”, de 2014 e “Oãxiac Odèz”, de 2016, o grupo é uma das minhas bandas favoritas da cena, e o show no Kool Fest só constata o porquê. O instrumental rápido e cortante preencheu todo o espaço do som da casa, músicas como “Tara Diabólica”, “Sexta-Feira 13” e “A Vingança De Cropsy” levaram os fãs do verdadeiro death metal oldscool à um bater-cabeças desenfreado.

De Santos, o Surra apareceu com o seu hardcore pesado, e também de protesto. Desde de 2012 na ativa, os caras mostram que estão cada vez mais estabilizados no meio, a maior prova disso, foi o número de pessoas que estavam no Carioca Club para vê-los, a partir desse show, foi só casa lotada. O público comprou a ideia da banda, uma grande roda se abriu no meio da pista, e o trio se sentiu à vontade para tocar as músicas dos dois discos, “Tamo na Merda” e “Escorrendo Pelo Ralo”. Foi um show divertido e contestador, em diversos momentos a banda e o público protestaram contra o atual governo do Presidente Jair Bolsonaro, em outro momento um pato de borracha amarelo foi jogado na pista, fazendo a alegria dos “surfistas” de plantão.

Depois, um show que eu estava curioso para ver novamente, Nervosa. Após a grande apresentação no Rock In Rio, o trio formado por Luana Dametto (bateria), Prika Amaral (guitarra) e Fernanda Lira (baixo e vocal), retornou à São Paulo com mais uma grande apresentação. As três são “donas do palco”, principalmente Fernanda, que anda para todos os lados, fala com o público, canta e toca o seu baixo com bastante força. O setlist não mostrou grandes novidades, mas trouxe momentos divertidos e rodas empolgantes, principalmente em músicas como “Masked Betrayer” e “Death”.

O festival ia se aproximando do fim, mas a empolgação do público não acabava, o Krisiun, sempre uma das respeitadas bandas do Brasil, trouxe ao Carioca club o seu “caos controlado”, num show bastante preciso e tecnicamente sem erros, aliás, ver o Krisiun ao vivo é quase como uma aula de música, os três irmãos estão num nível técnico que é muito raro de ver por aí, mesmo no metal extremo, um gênero que naturalmente já exige muito músico. A banda tocou músicas do seu último disco “Scourge of the Enthroned”, lançado ano passado, mas os grandes destaques são sempre as clássicas “Combustion Inferno” e “Black Force Domain”.

Por fim, o esperado show do Brujeria aconteceu quando os “chicanos” subiram ao palco com suas tradicionais bandanas cobrindo parte de seus rostos. Primeiramente, é preciso entender o que é um show do Brujeria, bom…é muita intensidade, energia, despejadas num death/grind cru e rápido, tudo isso com bastante humor negro, e o mais importante, cantado em espanhol. Foi basicamente esses elementos que a banda trouxe para cá, eles eram os headliners do evento, e mostraram para que vieram, praticamente todas as músicas foram cantadas a plenos pulmões pelo público, que parecia incansável, mesmo após outros 5 grandes apresentações.

O Brujeria abusou do carisma, já que os fãs subiram muitas vezes no palco, os músicos foram bastante solícitos todas as vezes, inclusive fumaram um baseado junto com as fãs, e chamaram várias garotas para ajudar na música “Consejos Narcos”, num dos grandes momentos da noite. Outras músicas também marcaram positivamente, como “Matando Güeros” e “Marijuana” (uma paródia de Macarena), que levou algumas dezenas de fãs ao palco para dançar junto com a banda.

Essa edição do Kool Metal Fest foi importante para consolidar de vez a marca. É importante que o underground tenha mais espaços, principalmente com essa estrutura e organização que o Kool Fest vem apresentando, só podemos esperar passos cada vez maiores.

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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