Kamelot – Haven

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Por Júnior Pontes

 

A Banda do Estado da Flórida está de volta com um novo petardo, “Haven”. Trazendo de

volta a sonoridade clássica da Banda, deixando um pouco de lado as sinfonias e a melancolia dos recentes discos.

 

Quando, na turnê do álbum “Poetry For The Poisoned”, diversos motivos levaram Roy

Khan (vocal) a deixar a banda, Thomas Youngblood (guitarrista, compositor e fundador da banda)

se viu em uma encruzilhada, mas ainda assim decidiu colocar os pés na estrada, mesclando alguns

vocalistas e, como suporte principal, Fabio Lione (ANGRA, RHAPSODY OF FIRE, VISION DIVINE), ao

fim da turnê do álbum “Poetry For The Poisoned”. Thomas não ficou se lamentando, pelo

contrário, ele foi em busca de uma nova alma para a banda e encontrou em Tommy Karevik

(SEVENTH WONDER), e dessa forma saiu o bom “Silverthorn” em 2012. Álbum que foi bem

recebido pelos fãs, e assim, a banda criou novo fôlego para voltar a figurar entre os grandes

novamente.

 

O KAMELOT nos presenteia com seu 11º álbum de estúdio: “Haven”. O qual com certeza os

fará voltar ao “mainstream” do estilo. Coisa que a banda tinha conseguido a partir do álbum

“Epica” de 2003, com o qual veio a se tornar influência definitiva para o estilo melódico, com a

mistura de power metal e metal progressivo. E consagrado no definitivo e clássico “The Black

Halo” de 2005.

 

Vamos mergulhar no álbum? Temos muitas novidades, o afastamento, mesmo que moderado do lado mais sinfônico, é

uma mescla de uma nova banda com a essência dos clássicos. Essa mudança é perceptível logo de

cara, com a faixa “Fallen Star”, que já começa sem introdução instrumental, apenas com a voz de

Tommy Karevik. Então entra o teclado de Oliver Palotai fazendo a cama para o vocal, ai sim uma

leve introdução para o peso abrir caminho.

 

Tommy, além de ser um excelente vocalista, não sei se proposital ou não, encarna o lado

teatral que Roy tinha. Os dois tem timbres parecidos, isso é ruim? Óbvio que não, pois, por mais

que tenham comparações, Tommy tem sua personalidade. Nesse novo álbum ele prova que a

banda acertou na loteria pela segunda vez, assim como foi quando Mark Vanderbilt deixou a

banda em 1996, para a entrada de Roy Khan. Voltando a música, ela poderia estar por exemplo

num “Ghost Opera”, talvez seja a música mais sinfônica do play. Tem uma letra espetacular,

ressalto aqui as letras desse álbum, parece que Thomas soube se reencontrar como letrista,

fazendo “Haven” ser o álbum que possui as melhores letras já escrita pela banda, na minha

opinião.

 

“Insomnia” na sequência. Não poderia ser melhor, novamente o peso impera, teclados

furiosos e a bateria sincronizada e destruidora de Casey Grillo, as guitarras de Thomas soam

melodiosas e pesadíssimas. Essa ficou encarregada de ser o primeiro vídeo clipe para o álbum,

certamente será uma das favoritas dos fãs. “Citizen Zero” é intensa e pesada novamente,

cadenciada e teatral. Ótimo trabalho realizado por Tommy nessa faixa, o refrão é espetacular, tem

algo de “March Of Mephisto” nessa faixa.

 

“Veil Of Elysium” foi a primeira faixa divulgada, lembra vagamente a “Sacrimony” (Angel

Afterlife), é rápida e novamente outra faixa pesada e com a cara do velho Kamelot, os coros nesse

álbum soam grandiosos. Depois de quatro tijoladas, temos a calma e belíssima “Under Grey Skies”

balada nos moldes que somente a banda sabe fazer, temos aqui a aparição da bela e talentosa

Charlotte Wessels (DELAIN) e do talento dE Troy Donockley (NIGHTWISH). Essa é uma das

melhores baladas que a banda já fez em toda carreira, juntamente com “Wander” do álbum

“Epica” e “Abandoned” do álbum “The Black Halo”, as vozes dos dois se casaram perfeitamente,

trazendo emoção para o ouvinte.

 

A sexta faixa é “My Therapy”, é uma poesia em forma de música, é apoteótica e possui um

refrão dos mais espetaculares já criado por essa trupe, entre tantas músicas excelentes, ainda

assim “My Therapy” se destaca. Seria injusto essa faixa não estar no set list da nova turnê. Após o

choque da faixa anterior, temos um interlúdio chamado “Ecclesia” que abre caminho para a

pseudo balada “End Of Innocence” talvez uma das três melhores faixas de álbum. Sabe aqueles

dias que você está meio “lost” essa música pode te trazer várias sensações, seria um sonho ouvir

essa música ao vivo, e certamente levaria os fãs as lágrimas. Na sequência temos a “Beautiful

Apocalypse” que tem um início que lembra música oriental, outra ótima música com belos coros e

refrão bonito.

 

“Liar Liar” (Wastelan Monarchy), é power metal na veia, bateria pesada, bela

interpretação vocal, e um dos melhores refrões do álbum, a guitarra se faz presente, assim como

os teclados. Nessa faixa temos a participação mais que especial de Alissa White-Gluz (ARCH

ENEMY), fazendo uso do gutural e também cantando de forma limpa no refrão, soando perfeito

para a proposta da banda, certamente fará a alegria dos fãs ao vivo. Seguindo temos “Here’s To

The Fall”, onde é possível imaginar que Roy Khan está cantando! Só que não, é Tommy soando

teatral e dramático, esta faixa entraria facilmente no álbum “Poetry For The Poisoned” é uma

bonita canção, ainda que destoe das demais.

 

Fazendo uma inversão da frase, calmaria após a tempestade, aqui temos o contrário,

“Revolution” que vem destruindo tudo. Temos pitadas de thrash metal, a música mais pesada do

KAMELOT e talvez uma das mais pesadas do metal melódico. Temos outra bela aparição de Alissa

nessa faixa, destaque para Casey Grillo que quebra tudo, numa possível oportunidade dessa ser

tocada ao vivo, certamente iríamos ver rodas se abrindo na pista para o “bate cabeça”. Finalizando

o disco temos a instrumental “Haven” que da título ao álbum, uma música comum, mas que não

ofusca o que ficou pra trás.

 

O novo álbum “Haven” irá bagunçar novamente a cabeça dos fãs que ficarão em dúvidas

quanto ao melhor álbum da banda, ainda que o clássico “The Black Halo” ainda esteja um pouco a

frente, o novo disco se juntará a “Karma” “Epica” e “Ghost Opera” como obras primas da banda.

Confesso que desde “Ghost Opera” 2007 não me empolgava tanto com um novo álbum da banda.

Fato mostrado quando cito apenas dois lançamentos após o citado disco, mas “Haven” empolga,

por diversos fatores, uma volta ao velho estilo da banda, a inspiração espetacular de Thomas

Youngblood, que é o grande destaque desse álbum, assim como Casey Grillo nas baquetas, Sean

Christians foi preciso no baixo e Oliver soube encaixar a linhas de teclado, mesmo que não tenha

tido tanto destaque dessa vez e Tommy evoluiu como vocalista do Kamelot, soando mais solto e

emotivo para aquilo que a música pedia.

 

O KAMELOT, tem tudo para fazer uma excelente turnê, e deu um grande passo para em

breve lançar um outro clássico como “The Black Halo”, pois se reencontrou pela segunda vez, e

você poderá perceber isso nesse novo “Haven”. O que falta para a banda se fixar no topo de vez?

Talvez uma gravadora que faça um trabalho massivo de divulgação , mas enquanto isso não

acontece, ouça “Haven” sem moderação e encontre seu refúgio.

 

Haven – KAMELOT

(Napalm Records, 2015)

1 – Fallen Star

2 – Insomnia

3 – Citizen Zero

4 – Veil Of Elisyum

5 – Under Grey Skies

6 – My Therapy

7 – Ecclesia

8 – End Of Innocence

9 – Beautiful Apocalypse

10 – Liar Liar (Wasteland Monarchy)

11 – Here’s To The Fall

12 – Revolution

13 – Haven

Line up:

Tommy Karevik – Vocal

Thomas Youngblood – Guitarra

Sean Christians – Baixo

Oliver Palotai – Teclado

Casey Grillo – Bateria

 

Participações:

Alissa White-Gluz (ARCH ENEMY) – Faixa 10 e 12

Charlotte Wessels (DELAIN) – Faixa 5

Troy Donockley (NIGHTWISH) – Faixa 5

 

Produzido por Sascha Paeth e masterizado por Jacob Hansen.

A arte da capa foi feita por Stefan Heilemann com imagens adicionais de Gustavo Sazes.

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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