Fear Factory – Live São Paulo – 10/10/2015

Foi em um feriado prolongado que a cidade de São Paulo teve a oportunidade de receber a turnê comemorativa de 20 anos do lançamento do disco “Demanufacture“, o grande divisor de águas na carreira dos norte-americanos do Fear Factory.

O disco influenciou inúmeras bandas da década de 90 e dos anos 2000, mas poucas aprenderam a fazer a lição de casa com os mestres do chamado Metal Industrial. Aliás, é muito complicado rotular o Fear Factory, pois a banda foi muito além do que uma nomenclatura possa definir.

O local escolhido para esta festa de aniversário foi a Clash Club, que já recebia um bom público quando o Marrero, banda responsável por abrir os shows do Fear Factory na turnê brasileira, começou sua apresentação.

 

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O trio paulistano passa longe da proposta de “som moderno” que o Fear Factory trouxe nos anos 90, fazendo um som muito pesado com um pé no Stoner Rock, o outro pé no rock ‘n’ roll dos anos 60/70 e a cabeça no Black Sabbath. Tudo isso em português.

O público entendeu bem a proposta da banda que, com uma excelente qualidade de som, trouxe um contraste bem interessante para o evento. Entre as músicas apresentadas destacam-se “Dó Que Destrói” e “Desdém”.

Após uma rápida troca de palco, era a vez da “máquina” começar a trabalhar. Sem nenhuma cerimônia o quarteto, que hoje em dia é formado por Burton C. Bell (vocal), Dino Cazares (guitarra) – ambos da considerada formação clássica da banda – , Tony Campos (baixo) e Mike Heller (bateria), abriram o show nada menos do que com a faixa-título do clássico de 1995, cantada em uníssono pelo público.

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Logo na sequência tocaram “Self Bias Resistor” deixando claro que a banda tocaria o disco na sequência original, agradando todo o público desde o início. Algo que não agradou muito foi o som exageradamente alto que estava saindo do sistema de PA da casa, que deixou o ouvido de muitos zumbindo durante todo o feriadão.

Quem conhece o clássico “Demanufacture” sabe que a música “Replica”, que teve seu clipe exibido à exaustão nos idos dos anos 90 pela MTV Brasil, é sempre um dos pontos mais altos dos shows da banda e em São Paulo não foi diferente. Foi impossível ver alguém parado durante sua apresentação.

A cozinha da banda executa as músicas com perfeição e discrição ao mesmo tempo, deixando os holofotes para Cazares e Burton. E por falar em holofotes, a iluminação foi um show à parte, deixando o espetáculo completo.

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Durante a execução do disco “Demanufacture” na íntegra Burton se comunicou pouco com o público, deixando isso para a parte final do show. Era possível perceber um certo desgaste em sua voz no fim da primeira parte do show, mas nada que tenha comprometido o seu desempenho. A banda deixou o palco após executar a melancólica “A Therapy For Pain”, desacelerando um pouco o ritmo do show.

Após um breve descanso da banda, Burton voltou ao palco para agradecer ao público, mostrando estar muito feliz com a resposta dos fãs brasileiros à turnê de 20 anos do “Demanufacture”. A primeira música do bis foi “Shock”, clássico absoluto do disco “Obsolete”, álbum de maior sucesso comercial da banda até hoje. A segunda parte do show trouxe grandes surpresas como “Dielectric”, excelente música do mais recente álbum da banda intitulado “Genexus”.

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Outro fato muito positivo foi ver a banda tocando “Archetype”, música da fase em que Cazares não estava na banda, cuja letra foi feita para o guitarrista após a sua saída conturbada, com versos que dizem “The infection has been removed/The soul of this machine has improved” (A infecção foi removida/A alma desta máquina melhorou).

Cazares já afirmou que não tem problemas em tocar a música e que quer apenas agradar os fãs. Realmente ele não pareceu estar incomodado, inclusive convidou o público para cantar o refrão da música junto com a banda.

Para encerrar a banda tocou a música “Martyr”, desafiando a resistência física de quem ficou no mosh pit o show inteiro. Pareceu ser a escolha certa, pois a banda foi ovacionada ao fim de sua apresnetação.

Com mais de 25 anos de carreira o Fear Factory continua relevante e mostra ter fôlego para muito mais. Vida longa à máquina!

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Matéria enviada por Bruno Teixeira

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