D.R.I. – Live São Paulo

 

Por Bruno Nascimento

Fotos – Flavio Santiago

 

O D.R.I. já tem se acostumado a tocar no Brasil, o passado recente dos caras mostra que uma certa frequência aqui no país. Dessa vez eles vieram com um material novo na bagagem, o EP “But Wait… There’s More!” , lançado em 2016, que consiste em 3 músicas novas mais alguns clássicos.

Por si só, um show do D.R.I. já suficientemente empolgante, porém, desta vez o show contou com a participação especial do NOT S.O.D. – Fist Banging Maniacs, uma espécie de tributo da influente banda de crossover S.O.D. A banda conta com 3 músicos rodados no cenário, João Gordo (vocal), Cleber Orsogli (guitarra), Guilherme Martim (bateria), além do baixista original, o lendário Danny Lilker.

João Gordo, carismático como sempre, conduziu muito bem a banda, ele entrou no palco alguns (vários) papéis nas mãos, era as letras das músicas. O vocalista afirmou que não teve tempo de decorar tudo certinho, inusitado, mas não altera em nada a dinâmica do show. Eles mandaram todo o disco “Speak English or Die” de 1985, uma por uma, as músicas iam saindo, numa pegada feroz, o tradicional baixo de Lilker, as guitarras e bateria certeiras iam dando forma e plantando o caos no Fabrique Club.

Outro momento inusitado foi em “Speak English or Die” – faixa título do álbum, Gordo disse que não iria cantar a letra original: “Essa música é polêmica, meio fascista”, disparou o vocalista, e continuou: “Eu falo inglês mal pra caralho, então resolvi mudar a letra”. A versão em português ficou algo como “Eu não falo inglês, foda-se”. Com certeza um lampejo de criatividade de João Gordo.

Depois, foi a vez do hino “United Forces”, João Gordo continuou conversando com o público: “Agora vamo mandar um hino que junta todo mundo, cabeludo, careca… contra o fascismo nesse país de merda”, o público mais uma vez saudou a banda e vibrou, uma grande roda se formou no centro da casa, aliás ela se fez presente durante toda a apresentação, com picos de intensidade elevados em alguns momentos como nesse, ou em “Milk”.

NOT S.O.D. valeu cada minuto, mesmo não sendo a banda original o clima estava incrível, os músicos conseguiram igualar o peso da gravação original, ainda com um toque brasileiro. Um show tão bom quanto o que estava por vir.

O D.R.I. entrou no palco sem muito alarde, os caras ainda preservam uma atitude bem punk e mandaram uma música atrás da outra, foi assim grande parte da primeira metade do show.

A banda que ficou conhecida na década de 80 por misturar o Thrash Metal com Punk tem um repertório extenso e divide o show de maneira curiosa, na primeira metade eles tocam as músicas com maior apelo Punk, do começo da carreira, colocaram também músicas do novo EP (que também resgata essa sonoridade punk), já na segunda metade eles inserem os clássicos do crossover que os consagraram. Eu tenho que admitir que essa segunda parte me chama mais atenção, marca uma época que eles conseguiram se diferenciar de outras bandas, desde de o “Crossover” de 1987 até o “Definition”, lançado em 1995. Aqui no Brasil eles seguiram o setlist dos outros shows que fizeram na América do Sul, como no Chile e Peru.

Kurt, o vocalista ficou impressionado pela animação do público brasileiro, várias vezes saudou e elogiou a galera, realmente o pessoal estava louco. Mesmo com as constantes vindas do D.R.I ao Brasil, eles conseguem dominar o público, ninguém se cansa. Kurt dedicou “Suit and Tie Guy” para um cara que estava de terno no meio do mosh, ninguém sabe se era um segurança, ou alguém que saiu do trabalho (no sábado?), enfim, outra cena inusitada.

O final foi fantástico, “Thrashard”, “All For Nothing”, “Manifest Destiny”, “I Don’t Need Society”, e “Beneath The Wheel”, foi a melhor sequência de todo o show, que ainda terminou com “Five Year Plan” são faixas que mostram a velocidade punk combinada com a técnica e sonoridade marcante do Metal, com certeza o melhor que a banda tem para mostrar.

No final era possível ver rostos satisfeitos com a apresentação que contemplou toda a história da banda. Shows de Thrash Metal geralmente são divertidos e com algum teor político, desta vez não foi diferente.

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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