Araraquara Rock – 2018

Por  – Cyntia Marangon

E no final de semana totalmente dedicado ao rock, pois afinal de contas, nesta última sexta-feira 13 foi comemorado o dia Mundial do Rock, apesar deste dia ser apenas comemorado aqui em nosso país, obviamente todos os fãs de rock, metal e dentre as suas demais ramificações do gênero, tiveram um final de semana incrivelmente histórico dentre as diversas localidades do nosso Brasil. Sendo assim, mais especificamente aqui em nosso estado de São Paulo, evidenciamos um evento, já de grande importância no interior, o Araraquara Rock, este que já está na sua 17ª edição e sempre refere-se ao público, aos fãs do estilo, de uma forma muito honrosa e peculiar, é claro, pois além do evento ocorrer sempre neste período, as bandas do line up são escolhidas a dedo para agradar à todos os gostos.

O Araraquara Rock já é considerado um dos maiores eventos do país no aspecto de evidenciar sempre as bandas nacionais, este que ocorre anualmente, já ganhou notoriedade não somente pela sua organização impecável, mas também por todo incentivo fornecido pela Secretaria Municipal de Cultura e também pela Fundart, além de todo o apoio da Prefeitura Municipal de Araraquara, na sua viabilidade gratuita para o público, o que o torna ainda mais atrativo em seus diversos aspectos, principalmente por fornecer uma estrutura considerável para ambos os lados, tanto dos fãs quanto para as próprias bandas em suas apresentações.

Sem mais delongas, o evento teve o seu início na última quinta-feira, dia 12, onde os trabalhos foram iniciados no Sesc de Araraquara com a banda Inocentes e seguiu-se para os outros dois próximos dias subsequentes, já no Teatro de Arena Prefeito Benedito e o encerramento foi realizado na Praça Scalamandré Sobrinho, com a banda Angra. Nós do Heavy World, estivemos presentes apenas no sábado, dia 14, dia este que foi totalmente dedicado ao público do metal extremo, por assim dizer.

De uma forma diferenciada a apresentação foi comandada pelo ator e músico Bruno Sutter, já conhecido do público por ter o seu trabalho dedicado neste segmento, aliás, não somente a sua apresentação foi realizada neste dia, como também na sexta-feira e no encerramento no domingo, sendo assim de uma forma geral, Bruno Sutter buscou formas diferenciadas para interagir com o público de uma forma bastante divertida, procurando sempre alavancar sorrisos e demonstrar o seu conhecimento e paixão pela música e obviamente o apoio desta apresentação foi da bela Larissa Futenma que embelezou o palco de uma forma única demonstrando todo o seu carisma.

Vale lembrar que durante todo o sábado, pude notar algumas “figurinhas” icônicas, mães com seus filhos e filhas vestidos em trajes inspirados em grandes ícones do rock, como por exemplo o “Slash” guitarrista da banda Guns N’ Roses dentre outros, estas crianças estavam participando do concurso “Little Rocker”, onde ao postarem suas fotos nas redes sociais que estavam participando do evento em si e também que estas fossem enviadas por inbox para a página oficial do evento, a melhor foto faria com que a criança tivesse tal oportunidade de conhecer os integrantes da banda Angra no domingo, o que de fato já demonstra um incentivo sensacional aos pequenos para se influenciarem desde cedo a desenvolverem essa paixão por este gênero musical maravilhoso.

Portanto, vamos agora descrever como foram as apresentações deste sábado! O público começou a comparecer no local, antes mesmo dos portões se abrirem, por volta das 17hs e posso mencionar na sequência de uma forma bem ampla, que o evento contou com uma organização impecável no quesito de ordem e tempo dentre a programação do line up de sábado, que contou com bandas de grande nome por sinal, onde todas estas se apresentaram dentre os horários previstos pela organização.

A primeira banda a subir ao palco, por volta das 18hs, foi a Toxic Death, banda esta local, que trouxe um death metal totalmente diferenciado e já começou a esquentar o público que começava a chegar ao evento. A Toxic Death pode até mesmo ser considerada uma banda recente, porém mostrou uma maturidade única no palco trazendo um som totalmente inspirado em bandas de grande nome como por exemplo, Cannibal Corpse, Death além da clássica e icônica Sepultura. Durante a apresentação da banda, Bruno Sutter resolveu dar sua contribuição e cantou junto com o quarteto, mostrando todo o seu carisma e desenvoltura, afinal de contas o Deus do Metal, Detonator, serve-se para tal inspiração.

A banda Toxic Death, atualmente conta na sua formação com João Morandini na guitarra, Gustavo Lourenço na outra guitarra, Fernando Moura no baixo e vocal e Marcello Kenji na bateria e o que se pode dizer de uma forma geral é que estes definitivamente marcaram sua presença de forma única.

Em seguida, o anuncio dos apresentadores foi para banda Woslom, banda esta já conhecida do público em geral, pois não é à toa que os longos anos da banda e por apresentarem já um histórico considerável, além de um som impecável, o público já foi ao delírio. Deve-se ressaltar que tivemos uma alteração nesta formação de forma temporária, onde o guitarrista Rafael Iak precisou se afastar da banda devido a uma bursite, e quem o substituiu foi o guitarrista da banda Machinage Fábio Delibo, mas os demais membros estiverem presentes como, Silvano Aguilera, com sua presença de palco marcante nos vocais e guitarra, André Mellado no baixo e Fernando Oster na bateria.

Outro ponto refere-se que a banda Woslom também estava em turnê nacional, ao lado da headliner do evento Claustrofobia. Por fim, o som matador levou a galera fã de thrash metal a loucura. A maturidade dos músicos e a importância que realmente os fãs levam em consideração os clássicos apresentados desta banda foram incríveis, principalmente quando sua apresentação foi finalizada, com chave de ouro, com o clássico “Time to Rise”.

E não paramos por aí, outro ícone do cenário brasileiro iria subir no palco, o que fez com que cada vez mais que o público fosse chegando ao evento se aglomerasse na frente deste palco que por sinal estava impecável no quesito iluminação e demais instalações. Ao anuncio da banda Genocídio, a aclamação do público foi marcante.

Com 32 anos de carreira, praticamente os pioneiros dentre este gênero musical, com nove álbuns de estúdio, com uma carreira digna e espetacular, pois tal banda realmente marcou na vida de muitos dos fãs deste aspecto, a sua notoriedade nesta apresentação não poderia ter sido diferente. Vale ressaltar que a banda apresenta um recém álbum “In Love With Hatred” um dos marcos definitivos e ganhou vários elogios da crítica nestes últimos tempos.

Atualmente a banda está com Gil Oliveira na bateria, que diga-se de passagem um exímio baterista, além de Rafael Orsi na guitarra, W. Perna no baixo e a presença marcante de Murillo Leite nos vocais e guitarra. A banda Genocídio fez um show histórico neste Araraquara Rock, que certamente ficou na memória.

E não paramos por aí, este sábado certamente foi histórico! Na sequência tivemos nada mais nada menos que a banda Attomica, banda esta também já conhecida de longa data pelo público em geral por apresentar um Thrash Metal de qualidade e também por ser do interior, mas especificamente de São José dos Campos, realizou uma apresentação impecável.

Outra banda incrível, também com mais de 30 anos de carreira, que possui uma competência indescritível em toda parte musical como também profissional, e que por sinal recentemente lançaram o álbum “The Trick”, que foi muito bem descrito dentre suas diversas qualidades em diversos meios da imprensa no geral. Dado também que a banda está em turnê intitulada de “You Bet Tour – Part 1”.

Atualmente a banda está em um formato de “power trio” matador por sinal, e que vem respondendo muito bem as expectativas dos fãs, com o lendário André Rod no baixo e vocal, Argos Danckas na bateria e Marcelo Souza na Guitarra, a Attomica fez história nesta noite.

Vale lembrar também e para não perdermos o costume, que Bruno Sutter juntamente com a apresentadora Larissa, realizaram uma “brincadeira” um pouco inusitada durante o intervalo dentre as apresentações das bandas, uma “dança das cadeiras” ao som de muita música e claro de muito metal extremo, o que fez o público rir demais com os tombos dos participantes que estavam “alegres” por assim dizer, obviamente que no final das contas o vencedor ganhou um “kit” da lojinha do Detonator para comemorar tal vitória.

Seguimos para a penúltima banda, a Cangaço, banda de Recife que vem ganhando o público brasileiro cada vez mais durante estes seus anos de estrada. A banda já possui sua relevância na cena, por ter sido destaque quando venceu a seletiva do Wacken Metal Battle Brasil, onde se apresentou em um dos maiores festivais do mundo, em específico na Alemanha no Wacken Open Air.

Com Rafael Cadena na guitarra/vocal, Magno Barbosa Lima também nos inusitados vocais e baixo, Evandro Natividade na Bateria em um performance que particularmente mal consigo descrever, pois foi incrível, e com a participação e presença ilustre de Vinícius de Farias na Sanfona, certamente o que não faltou nesta apresentação foram referências para o público de uma forma geral do que realmente é o significado da banda Cangaço.

A textura musical da banda demonstrada neste show por todas as suas tradicionais influências das músicas regionais brasileiras, principalmente por tratarmos de suas essências tipicamente nordestinas, onde essa mistura com o metal em si, agrega em definitivo a qualidade e demonstra todo o diferencial desta banda que também levaram sua música para seus fãs neste sábado.

Por fim, chegamos ao final desta noite de sábado com a banda headliner Claustrofobia. Atualmente a banda está com uma formação sensacional, um power trio de grande peso que além dos irmãos Caio D’Angelo na bateria e Marcus D’Angelo no vocal e guitarra, temos agora a presença de Rafael Yamada representando no baixo. A banda que estava em turnê intitulada de “Brotherhood Loco Tour” por algumas cidades aqui do estado de São Paulo e também pelo Paraná, ao lado da banda Woslom, não podia deixar de marcar sua presença neste belíssimo evento.

O que dizer deste encerramento? Apenas descrever que foi “animalesco”, o público ficou de uma forma insana, pois até mesmo uma grande roda se formou na frente do palco, onde seus fãs puderam transmitir toda a sua admiração pela banda, claro que toda essa reciprocidade parente aos veteranos da banda Claustrofobia foi transmitida de forma única e a cada música do set parecia que a empolgação só aumentava de ambas as partes.

Vale ressaltar que além dos vários clássicos apresentados pela banda, pois são longos anos aí pela estrada, marcando presença em vários lugares, principalmente por terem um estilo único, a evidência maior foi para o último álbum Download Hatred, além de toda a divulgação que a banda vem realizando dentro deste aspecto, um dos pontos importantes é a música “Curva” que foi composta juntamente com Andreas Kisser, da banda Sepultura.  Não posso deixar de mencionar que a banda lançou no último mês de junho o seu primeiro single “Zica do Pântano” do seu novo EP intitulado de “Swamp Loco”. Contudo, foi um show sensacional, que certamente já está instaurado na memória de todos os presentes.

O Araraquara Rock já é um evento de suma importância para você que está no interior do estado de São Paulo, ou até mesmo dentre outras localidades deste Brasil, que deve ter uma importância ampla dentre todos os aspectos descritos além de você anotar aí na sua agenda dentre os eventos a serem prestigiados anualmente. Mais uma vez parabéns para toda a organização e a todos os envolvidos na realização de um evento como este, tão importante para a evidenciação das bandas brasileiras e que mostra a cena do metal nacional mais ativa do que nunca.

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Matéria enviada por Lucas Amorim