Seu Roque: “Em cada audição de cada música de Visceral dá pra encontrar uma nova surpresa”

Oficialmente criada em 2009 a banda Seu Roque tem como missão mostrar que aquele rock com belas letras em português e com a pegada crua das bandas do rock clássico inglês, com fortes raízes no blues americano, está vivo e mais forte do que nunca. As composições dessa nova revelação do Rock nacional, traz composições que são  fortemente influenciadas por bandas de Hard Rock dos anos 70, tais como Trapeze, Deep Purple e  Rainbow.

A banda hoje composta por Flavio Anunciação (Voz e Baixo), Neube Brigagão (Voz e Guitarra) e Diego Denucci (Voz e Bateria),  já lançou dois albuns independentes, que contaram com a participação especial do tecladista Ed Roth que já trabalhou com feras como Rob Halford e Glenn Hughes e lançaram em Outubro deste ano oo seu terceiro CD,  denominado Visceral.

E justamente para nos contar sobre esse album, sobre a banda, e sobre a sua música, batemos um papo com os caras e vocês podem conferir nas linhas abaixo:

1 – Nos conte sobre o Seu Roque, sua origem, seus estilos e suas influências

Flávio – Bom, a banda começou em 2009, o processo iniciou com o Neube e o Marcio (guitarrista, faleceu em 2010), eu fui chamado logo depois pra assumir a baixaria. Somos aquela banda que faz músicas com intro longa, tem muitos solos de guitarra e adoramos rock inglês. XD

Neube – A idéia sempre foi resgatar a onda do rock clássico. Deep Purple sempre foi minha banda favorita mas além dela comos influenciados por tudo daquela época. Black Sabbath, Led Zeppelin, Grand Funk. Mas temos tb um grande carinho por bandas de progressivo e black music. Uma música nossa chamada Atrás dos móveis por exemplo, todo mundo acha que veio do Zeppelin (falam de the ocean) quando na verdade a introdução veio de Cissy Strut do The Meters. Isso posto, vale dizer que em termos de letra sempre buscamos referências brasileiras como Celso blues boy e Barão. A música Cigarros e Bourbon é um bom exemplo disso.

 

2 – Com esse boom digital vocês pensaram em lançar apenas uma versão digital do novo álbum

Flávio – Absolutamente, queríamos uma versão física do álbum. Algo pra poder tocar, ver, sentir. Talvez sem isso não tivéssemos a sensação de dever cumprido. Além disso o CD serve como material de divulgação da banda.

 

 

3 – Vocês estão com um álbum fresquinho no mercado, o Visceral, terceiro da carreira. Contem um pouco o conceito dele e em que ele se diferencia dos demais trabalhos da banda.

Flávio – Quando deixamos de ser um quinteto (2010-2015). As músicas começaram a ficar mais diretas e “Aqui e Agora” surgiu nesse processo como um Farol. Promessas, a última do álbum Queria te contar já seguia essa direção mais direta que adotamos pra Visceral.

 Todo o conceito de Visceral foi baseado na ideia de que queríamos lançar um álbum como aqueles que ouvíamos na adolescência, de bandas como Purple, Led. Eram aquelas capas sensacionais, que por mais tempo que você tivesse o álbum dava pra descobrir alguma coisa nova. Era aquela musica que na primeira audição tu deixou de lado mas na centésima se tornou a tua predileta… Visceral tenta evocar isso. È nossa homenagem pra essa época boa do rock ‘ n ‘ roll.

Neube – De fato, o formato de trio torna as coisas mais diretas. Na gravação naturalmente não colocamos limites nas canções e colocamos todos os elementos que julgamos necessários para tornar a música mais rica e interessante. Mas o fato de ter sido composta e arranjada em trio invariavelmente deixa a música mais crua e pesada.

4 – Vocês começaram a banda em 2009 com quatro integrantes e recentemente decidiram seguir como trio. Porque? A redução de um integrante impactou de que forma o som o Seu Roque?

Flávio – Em meados de julho de 2016, com Visceral na agulha pra começar a produção, tínhamos uma certa dúvida em relação ao nosso vocal, Paulo. Ele queria morar fora e coisa e tal. Nessa indecisão toda, resolvemos por continuar a banda como um Power Trio e eu acabei assumindo os vocais. O som da banda mudou muito, ficou de certa forma mais pesado. Cantar e tocar baixo é algo complexo e algumas das linhas que eu criei anteriormente tive que simplificar pra dar conta. E o resultado é esse aí que vocês conferem no álbum.

Neube – Na verdade éramos 5. E sim, concordo com o Flávio, a mensagem ficou mais direta. Acabei incorporando mais peso na guitarra e a própria voz do Flávio nos direcionou para um caminho mais hard do que o projeto inicial da banda. Você ouve no primeiro disco coisas que facilmente entrariam em um disco do barão vermelho como – Algum Lugar, É o fim. Hoje não vejo isso acontecendo mais.

 

 

5 – Vocês são bem influenciados na cena rock, principalmente na casa da banda, o Rio de Janeiro. Nas redes sociais vemos músicos como dos Detonautas e Barão Vermelho com vocês. Para premiar essas boas relações, gravaram com Ed Roth – tecladista super premiado que já trabalhou com Rob Halford, Chickenfoot e Glenn Hughes. Como vocês se conheceram?

Flávio – Essa eu vou deixar o Neube responder. O homem dos contatos.

Neube – Além de músico sou hoteleiro e em 2007 tive a oportunidade de hospedar o Glenn Hughes. Acabamos nos tornando amigos e assim como o Glenn também mantive uma ótima relação com o Ed Roth e com o JJ Marsh, guitarrista dele naquela época. De todos o Ed foi o que mantive mais contato e quando estávamos para gravar nosso primeiro cd perguntei  a ele se ele toparia e ele abraçou o projeto na hora. Tem sido um ótimo parceiro desde então. 

6 – A qualidade da produção é algo notável nos três discos da banda e Visceral foi masterizado em um dos mais emblemáticos estúdios do mundo, o Abbey Road, ícone na carreira dos Beatles. Contem como ocorreu o processo de levar o disco até lá para esse trabalho e – para além dele ser um estúdio histórico – porque pensaram nele para o som do Seu Roque? O que vocês buscavam obter?

 Flávio – Tem a ver com o conceito do álbum, Neube pode explicar melhor.

Neube – Todo o processo se iniciou com referências sonoras. Desde antes da gravação já falávamos sobre isso com o Paulo Loureiro e com o Aurélio Kauffman. É super Importante trabalhar com alguma referência em mente. Depois de tudo pronto fui atrás dessa questão da masterização e busquei referências em trabalhos que eu achei que tinham sido bem impactados após a remasterização e outros que desde a primeira masterização já tinham um som marcante. Curiosamente nossa primeira opção não funcionou porque teríamos que esperar meses  por um espaço na agenda. Seria o Bob Ludwig que fez um trabalho primoroso na edição de 35 anos do Come Taste The Band do Deep Purple. Pesquisando mais cheguei no Sean Magee que remasterizou a obra do rush, cosas do purple, Iron Maiden etc. Ele trabalha em Abbey Road. Então na verdade o estúdio foi uma consequência em função do profissional que estávamos buscando.

 

7 – Para a banda está claro quais caminhos o rock and roll precisa tomar no Brasil para recuperar o espaço que perdeu para outros tipos de música?

Flávio – O rock é maldito, é arrogante. Rock não é democrático tá mais pra seita religiosa. Dentro das próprias derivações do rock o pessoal se estapeia entre si. Ao mesmo tempo é um estilo vigoroso, de luta e resistência. Parte do rock no Brasil deixou de falar o que acontece, abandonou essa propriedade de tocar na ferida, ficou manso. Pra passarem a mão na cabeça, pra parecer suave ao ouvido, o público vai ouvir sertanejo meloso mesmo. A gente busca um meio termo. Acho que começa por aí.

Neube – Acredito que tudo que precisamos e podemos fazer é focar na qualidade do trabalho e esperar que o ciclo do rock volte novamente. A galera gosta de rock mas tem muita dificuldade para abraçar o novo. Você vê que os shows mais animados do rock in rio são sempre os que abrem o palco mundo. Esse ano teve Capital, Frejat, Titãs e por aí vai. Sepultura arrebentou no palco mundo, Raimundos levou a galera a loucura em um palco alternativo. Na real o streaming é um dos vilões dessa história e precisamos aprender a lidar com ele. Acho que quando for encontrado um equilíbrio entre o que é bom para o público, artista e gravadoras, será nesse momento que as coisas irão melhorar.

8 – Quais as maiores dificuldades que a banda encontra para aumentar o alcance do seu trabalho? 

Flávio – A pirataria deslavada. O Napster tem que acabar. Zoeira. Na verdade a gente quer que pirateiem, o que chamam hoje de compartilhar. Tava até conversando com o Neube esses dias, da gente fazer um viral, mostrar os mamilos talvez.

Mas falando sério, na internet tem muita coisa acontecendo e é difícil pacas se destacar em um local onde aparecem trezentas formas de entretenimento por segundo, seja em forma de meme, seja em foram de vídeo,  seja em forma de post no twitter. Criar relevância nesse ambiente, que é o mais democrático e de fácil acesso, da um trabalho danado.

 O dinheiro pra botar a musica na radio, que ainda é o recurso pra maior alcance, é curto. Então vamos de internet.

Neube – Sem dúvida a falta de espaço na grande mídia. Tudo custa muito caro! E infelizmente, sem o impulso da mídia, fica difícil despertar o interesse nas pessoas pela novidade. O público consome o que é empurrado goela abaixo sem sequer parar pra pensar.

 

 

9 – Na biografia da banda, vocês já abriram e participaram de shows com Glenn Hughes, Uriah Heep e Joe Lynn Turner. Vocês chegaram a estabelecer e manter o contato com esses monstros do rock?

Neube – Não com o Uriah Heep mas com Glenn e Joe sim. O Joe inclusive só não fez uma participação no cd por questões contratuais mas é um bom amigo da banda. O Glenn é mais na dele. Também é muito ativo em milhões de projetos então não fico perturbando. Mas saímos pra jantar sempre que ele está por aqui. 

 

10 – Vocês lançaram clipe para a faixa Visceral. Mais clipes serão produzidos para essa era do disco?

Flávio – Pretendemos lançar mais clipes sim, mas como banda independente conseguir verba pra produção é  um esforço constante. Por nós faríamos clipes de todas as músicas.

Neube – Estamos sentindo a resposta da galera para decidir que músicas trabalharemos a seguir e precisamos achar um jeito de fazer algo especial sem gastar tanto rsrsrs. Tudo indica que faremos algo para Diana e Segredo.

 

11 – O tipo de som que vocês fazem, que flerta muito com a escola inglesa de rock, pode deixar surpreso o ouvinte que escuta as letras em português e não em inglês. E muitos artistas de rock declaram que preferem cantar em inglês que  é a língua mátria desse som por considerarem que soa melhor. Falem um pouco dessa aposta de vocês em cantar em português.

Neube – Já consideramos algumas vezes gravar em inglês também mas como só tocamos por aqui acaba que fazemos tudo em português. Não é algo que descartamos completamente.Se ficar muito difícil por aqui acho que será o caminho a ser adotado no futuro mas quero crer que nosso país vai abraçar a nossa causa.

 

12 – Seu Roque por Seu Roque (risos!). Quem é a banda Seu Roque e porque um novato no som de vocês deveria ouvi-los?

Flávio – Pesado, melódico e direto. Ouça o nosso som porque somos feios, logo compensamos tocando bem.

Neube – Porque abraçamos o sentimento sem abandonar a técnica e colocamos em primeiro lugar fazer algo que tenhamos orgulho de ouvir. O resto é consequência. Vejo artistas dizendo que não ouvem o próprio cd. Acredite, não é o nosso caso. Ninguém gosta mais do nosso som do que nós mesmos. 

 

 

13 – Última pergunta Agradecemos a oportunidade e pedimos que deixem uma mensagem aos leitores do Heavy World.

Flávio – A gente que agradece o espaço, é muito bacana podermos divulgar o trabalho em que acreditamos e eu espero que os leitores da Heavy World curtam bastante o álbum, em cada audição de cada música de Visceral dá pra encontrar uma nova surpresa. Ah sim, ouçam no talo. Abraços e nos vemos pela estrada.

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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