Pain Of Salvation: Entrevista exclusiva com Daniel Gildenlöw

Pain Of Salvation

Por Paula Alecio

Todos sabemos que os Suecos do Pain of Salvation são considerados uma das bandas mais emblemáticas e inteligentes no Cenário Mundial. A banda sempre teve como norte o seu  mentor e principal compositor , Daniel Gildenlöw que possui muita criatividade, e é considerado por muitos um gênio musical, tendo sido convidado a tocar com Transatlantic e recentemente se juntado aos The Flower Kings.

Nas vésperas da banda iniciar as suas apresentações no Brasil, batemos um papo com Daniel que nos contou muitas coisas, sobre a banda, a sua doença entre outras coisas, que você fica sabendo a partir de agora. Senhoras e Senhores, com a palavra  Daniel Gildenlöw:

 

1- Daniel, primeiro conte nos sobre o susto que você teve.  Como você esta agora?

DG – Eu passei 4 meses na cama de um hospital ano passado, devido a Strep A, uma Fascite necrosante (bactéria comedora de carne humana, no popular), eu acho que tive sorte de ter sobrevivido. É uma doença meio rara, mas está cada vez mais comum.

Acredito que por causa do uso indiscriminado dos antibióticos. Basicamente, bactérias comuns de resfriado, dores de garganta, sobrevivem dentro do corpo e começam a se alimentar dos nossos tecidos agressivamente. Você pode morrer em apenas dois ou três dias. Assustador!

Eu li nos jornais outra semana, que uma mulher pegou a mesma coisa no mesmo tempo que eu peguei, só que não conseguiram parar a doença no tempo certo. Ela perdeu as duas pernas, os dois braços e uma boa parte de seu rosto. Vejam, a coisa mais importante é se livrar disso rapidamente, antes que entre no sistema sanguíneo.

Então, passei um dia de excruciante dor e recebendo toneladas de vários antibióticos pesados de largo espectro (o quarto tipo que tomei foi jocosamente referido como “Uma bomba de antibiótico” por um médico). Eles disseram que estavam correndo contra o tempo para não ter que me abrir no meio da noite para remover as bactérias cirurgicamente, desde que começaram a se espalhar rapidamente.

Os médicos acabaram removendo um pedaço grande em minha parte inferior das costas (não, não era a minha bunda, eu não estou usando o termo “inferior das costas” por prudência, haha), deixando um buraco através do qual você pode realmente ver partes de minha espinha. Eles também tiveram que raspar uma área de 20×20 cm de carne das minhas costas, pra limpar.

Depois disso, a cura completa é que levou tempo – eles tiveram que me colocar de observação a cada segundo dia, para tratamento de feridas, substituindo todas as esponjas que foram inseridas nas feridas. Jesus, esses foram quatro meses muito pesados.

Além das fortes dores, não comia, a fadiga, não via minha família, isso poderia levar qualquer um a loucura nesses quatro meses! Quando recebi alta do hospital, os médicos disseram que eu precisaria de um ano a um ano e meio para me recuperar desses quatro meses de cama.

Menos de dois meses depois eu estava no palco no Sweden Rock, pulando. Isso doeu muito, mas era como dirigir um conversível em alta velocidade – o vento nos meus cabelos, o sol nos meus olhos, a estrada a minha frente e todo o horizonte. Agora, contra todas as probabilidades, estou na melhor forma que poderia estar em toda a minha vida.

Eu fui forçado a começar a ir para academia depois de sair do hospital, para fisioterapia – eu mal podia subir cinco degraus de escada – e continuo indo, me empurrando. Eu acho que tenho que agradecer a essa bactéria, não só por isso, mas também por ter me dado a chance de ver minha própria medula espinhal. Afinal de contas, quantas pessoas tem essa oportunidade na vida? Metal até nos ossos, certo? Hahaha.

 

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2 – Sobre o novo Álbum – “Falling Home” 2014. Quando ouvi, pela primeira vez,  apenas uma palavra vinha em minha mente em todos os sons, emoções. É incrível, parabéns! Então, como vocês tiveram a idéia de fazer tudo acústico?

DG – Muito obrigada! Emocional e incrível – ambas verdadeiras estrelas do norte para o meu objetivo na criação de música! Eu espero que esse seja o título dessa entrevista, hahaha.

Tivemos uma oferta de um organizador alemão de alguns anos atrás. Ele nos perguntou se estaríamos interessados em fazer um show acústico, como fizemos quando nós gravamos 12: 5. Nós adoramos variações e desafios, e por isso, não pensamos duas vezes. Imaginamos que deveríamos gravá-lo também, como com 12: 5.

Infelizmente (ou muito felizmente, desde que todo “Falling Home” como conhecemos agora, fosse gerado a partir daquele fracasso) quando alguma coisa deu errado com a sincronização das interfaces do áudio. Quando saímos do palco depois do show, vimos que foi que metade dos canais eram apenas arquivos vazios. Eu ainda me lembro daquele sentimento . Enfim, depois que a frustração (e vontade de deitar-se e morrer) diminuiu muito ligeiramente, percebemos que não poderia deixar de ir ao álbum.

Veja, nós tinhamos imaginado isso em nossas cabeças, e uma vez que tínhamos feito isso, ele tinha tomado o seu lugar no plano das ideias de Platão, e de alguma forma, já era real para nós. Uma vez que começamos a gravá-la no estúdio, semtransformou em um álbum muito especial, o que nós vemos agora.

 

3- Conte para os leitores do Heavy World, sobre as inspirações para as letras.

DG – Eu sempre me pergunto, quem nunca precisou procurar por inspiração? A vida por si só não é suficiente? E o que passa a nossa volta, a cada segundo nesse Planeta? Pessoalmente, eu estou sempre em conflito interno, sobre se perder na vida e tentar encontrar o caminho, sobre a beleza do imperfeito. E eu sempre uso várias maneiras diferentes para contar estórias – usando uma pequena perspectiva para lançar luz sobre questões sociopolíticas, ou tópicos de grande escala que servem como espelhos, olhando para a nossa forma de funcionar na menor escala individual.

Canções como “1979” e ” Through the Distance” são exemplos muito claros disso. As maiores emoções normalmente surgem de pequenas situações, como uma onda de subindo do silêncio. Ou podemos encontrar em grandes eventos, como uma guerra, e seu coração se foca em uma pessoa que você ama, a pequena coisa em sua vida. Eu quero que as minhas letras trabalhem da mesma forma, para refletir como nós funcionamos (e nossa disfunção) como uma espécie e cultura.

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4 – Sobre a seleção dos cover, como foram feitas as escolhas?

DG – Foi, principalmente, por coincidência. Esta releitura estranha de Holy Diver estava no meu sistema já há alguns anos, quando foi feita em um evento local, 80s metal event. Eu sempre senti que merecia ser gravada, e essa era a chance perfeita!

A música de Lou Reed,  eu tinha acabado de apresentar no casamento de minha cunhada, a algumas semanas, a pedido dela, e eu me apaixonei instantaneamente pelo som. O arranjo que fiz para o casamento (então realizado em conjunto com Fredrik Hermansson), ficou perfeito para esse álbum, então foi uma sugestão natural para colocar à mesa. Estranho que eles estavam vivos quando eu fiz os arranjos. Talvez eu tenha que ter cuidado ao escolher covers no futuro.

 

5 – Como vocês descreveriam as expectativas da banda para esse álbum? Você acha que alcançaram suas expectativas?

DG – Nós queríamos algo corajoso, íntimo, honesto, intransigente, e acho que trabalhamos muito bem nessa marca no final. Eu nunca fui um fã de sons eletrônicos serem tocados da mesma maneira quando executados acústicos.  Para mim, isso está apenas emulando os resultados naturais de uma falta de energia ou apagão. Bem, se eu tivesse a chance de vestir uma música para uma ocasião diferente, eu ia querer ter a oportunidade de experimentar uma roupa completamente diferente. Eu me sento com elas assim como faria se fossem novas ideias de marcas, tentando achar uma nova maneira de entrar.

E aqui é onde entra a pedra angular de novas maneiras: assim que você encontrá-la, toda sua jornada seguirá por novas rotas, e você não poderá nunca ter certeza de onde você vai parar. Pra mim, isso é um sentimento maravilhoso depois desses anos todos. Como achar uma nova porta em uma casa que você viva há muito tempo.

 

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6 – O que os fãs brasileiros podem esperar sobre os shows?

DG – Eles serão emocionantes e incríveis, claro! 🙂 Nós vamos tocar músicas de muitos de nossos álbuns, todo no clima de  “Entropia”. E como de costume, vamos em máxima aceleração. Nessa turnê, nós adicionamos muito do “Remedy Lane”, material que os brasileiros nunca ouviram ao vivo. E algumas do “Falling Home”, claro. Mas a música que eu estou realmente ansioso para tocar ao vivo é The Physics of Gridlock – (álbum Road Salt Two – 2011), que tentamos durante o nosso último ensaio. Porra, esse som vai ser foda ao vivo!

7 – Qual o próximo passo para Pain of Salvation?

Nós estamos trabalhando em um novo álbum de estúdio. Vocês vão nos ver voltar à música mais difícil e mais complexa, mas sem nunca perder de vista o íntimo e intransigente. Eu estou realmente ansioso para juntar as ideias do álbum, e eu acho que os fãs de nossos álbuns anteriores vão adorar!

 

8 – Daniel, você tem um “título” de gênio musical. Conte-nos como você se sente sobre isso.

DG – Eu posso viver com isso, haha. Eu li a entrevista com Mikael Åkerfeldt do Opeth, , na qual ele recusou seu título de gênio musical, alegando que os gênios musicais são as pessoas que podem escrever canções inteiras em suas mentes, e pegar múltiplas harmonias e vozes na primeira audição. Então eu suponho, por essa definição, que eu posso aceitar esse título. 🙂

Pessoalmente, eu costumo me ver como uma alma inquieta e faminta,  que nunca vai deixar de prestar atenção aos detalhes, e nunca se sentirá satisfeita. Sempre procurando por novas maneiras e novos milagres – implacavelmente curioso. Meu cérebro trabalha como o combustível de um avião, e ele só está muito interessado em música, bem, então eu acho que isso é o que brilha através de minha composição e em minhas letras.

 

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9 – Vocês tem uma base de fãs muito dedicados. Diga-nos o que PoS pensa sobre os fãs brasileiros.

DG – Nós realmente amamos os fãs brasileiros – vocês são os melhores em curtir e cantar junto! Sério, 10 brasileiros fazem tanto quanto 500 Europeus, mesmo em um dia ruim! É uma sensação incrível, o que nos faz querer voltar novamente e dar algum  retorno a essa paixão.

 

10 – Por favor, deixem uma mensagem para os leitores do Heavy World.

DG – Vemos vocês nos shows, estamos contando os dias. Liguem os motores, pessoas bonitas, nós queremos ver vocês saírem como fogo em frente de nós!

 

Lembrando que o Pain Of Salvation se apresenta em São Paulo  dia 04/06/2015, feriado.

Confira o serviço abaixo.

PAIN OF SALVATION EM SÃO PAULO
Dia 04/06/2015 – 
quinta feira (feriado)
Horário: 17h30

Banda convidada: Seventh Seal

Horários dos shows: Seventh Seal- 18h00 / Pain of Salvation- 19h30

Local: Carioca Club- Rua Cardeal Arcoverde, 2899- Pinheiros- São Paulo-SP

INGRESSOS

Pista:
Estudante: R$90,00
1 lote: R$100,00
2 lote: R$120,00
3 lote: R$130,00
Porta: R$180,00 (Inteira)

Camarote:
1 lote/estudante: R$140,00
2 lote: R$150,00
3 lote: R$160,00

Pontos de Venda:

São Paulo: Mutilation (Galeria do rock) / Carioca Club

Santo André: Metal CDs

Internet- www.ticketbrasil.com.br / www.clubedoingresso.com

Info- sevenstarsmanag@ig.com.br

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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