Marcelo Quintanilha – Compus CAJU porque achei merecidíssimo que Cazuza tivesse uma canção composta em sua homenagem

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No dia 4 de abril de 2018 o ícone Cazuza completaria 60 anos, uma data a ser lembrada e comemorada como o nascimento de um dos grandes poetas do rock nacional e da música popular brasileira.

E para homenagear essa data e esse ícone da música, um dos maiores nomes do cenário nacional, o cantor e compositor Marcelo Quintanilha, lançou dia 19 de janeiro pela gravadora DECK, o álbum CAJU, para honrar este ícone de uma geração que, órfã da já moribunda ditadura militar, buscava uma identidade tanto estética quanto de valores.

No repertório de CAJU estão 11 canções de Cazuza, como “Blues da Piedade” que ganhou versão à capela num côro Gospel; “Codinome Beija-Flor”, numa versão valsada; “Exagerado”“Azul e Amarelo”; e “Brasil”, com participação de sua filha Nina Quintanilha dando voz da nova geração a um retrato tão atual quanto há 30 anos atrás, reiterando a atemporalidade de sua obra.

E para falar um pouco sobre  esse belo trabalho e nos contar um pouco sobre sua concepção, entre outras curiosidades batemos um papo com o próprio Marcelo Quintanilha, que você confere agora, nas linhas abaixo:

1 – Cazuza é uma lenda não só para o publico Rock and Roll mas para fãs de todos os estilos da música Brasileira, como foi regravar e modificar esses clássicos atemporais ?

Marcelo Quintanilha – Um desafio e um prazer. Um desafio pois a ideia original do projeto era trazer a obra atemporal de Cazuza para a contemporaneidade, com arranjos que, sem perder a essência das canções, dessem leveza e grifassem seu lado poético valorizando as letras. Um prazer pois o resultado superou nossa expectativa. Acho que, com a ajuda de todos os músicos que participaram e do meu produtor, o Maestro R. Petreca, conseguimos uma sonoridade que trouxe um frescor às suas músicas. Foi um trabalho feito com muito respeito e carinho.

2 – O álbum foi intitulado de Caju, porque esse nome ? Nos conte um pouco sobre a escolha do titulo desse trabalho.

Marcelo Quintanilha –Caju era o apelido de Cazuza, que já era o apelido de Agenor de Miranda Araújo Neto, seu nome de nascença. Escolhi esse nome pois queria fazer algo que soasse íntimo, próximo; quase informal, como a sonoridade do álbum sugere.

 

 

3 – Com tantas canções de sucesso, como foi a escolha do repertório desse trabalho?

Marcelo Quintanilha –Muito difícil! Com tantas boas canções à disposição numa obra tão vasta, utilizei um pouco das preferências pessoais, é verdade. Mas sobretudo, as que considerei que se encaixassem mais na sonoridade e no conceito que queria imprimir ao trabalho. Além disso, a Canção “Azul e Amarelo”, menos conhecida do grande público, foi um achado importantíssimo e talvez, para mim, a mais especial. A colocação dessa canção resultou de uma pesquisa detalhada da obra de Cazuza, e após saber da história e da circunstância que levaram Cazuza a compô-la, ela não poderia jamais ficar fora desse álbum.

4 – O Album contará com uma canção inédita não é? Conte um pouco sobre essa canção.

Marcelo Quintanilha –Compus CAJU porque achei merecidíssimo que Cazuza tivesse uma canção composta em sua homenagem. Pesquisei muito e não encontrei nenhuma música com essa intenção (podem até existir, mas não que eu tenha conhecimento). Mas mesmo que houvesse, sentia a necessidade de expressar minha gratidão a ele como referência que foi para o meu trabalho de compositor e cantor, e minha admiração à sua liberdade na obra e na vida.

5 – Cazuza sempre mesclou o Rock and Roll o Blues e a MPB, com uma formula única, essa originalidade gerou alguma dificuldade para a reformulaçao das canções sem perder a sua originalidade ?

Marcelo Quintanilha –Acho que pelo contrário, sua liberdade em transitar por tantos estilos diferentes, seu gosto eclético e sua linguagem ampla me deram a certeza que estava também no caminho certo ao arriscar novos arranjos para canções que foram consagradas também por eles, como no caso de “Pro Dia Nascer Feliz”. Como descolar o riff da introdução da própria canção? Pois se Cazuza estivesse vivo, certamente arriscaria mudar tudo, como foi minha intenção. Há uma homenagem implícita aí: correr riscos era a cara de Cazuza!

 

6 – Onde o Fã vai poder ouvir Caju ? Estará disponível em lojas ou apenas em plataformas Digitais ?

Marcelo Quintanilha –Por enquanto sim. Em todas as plataformas digitais, a partir de 19/01. Mas quem sabe não aparece um formato surpresa por aí…

7 – Anos depois da morte de Cazuza e com bandas de Rock e Pop Rock cada dia mais escassas, qual sua opinião da cena musical Brasileira atualmente.

Marcelo Quintanilha –A cena brasileira sempre foi e sempre será riquíssima, eclética e de mil sotaques. Nossa maior riqueza está aí: na mistura. Talvez a música de melhor qualidade feita em cada um desses nossos universos musicais não tenha tanto “sucesso” tal como a palavra é significada, mas ela existe, está lá, firme e forte e dando sentido à nossa identidade cultural. Quanto mais democrático for o acesso a todas elas, mais diversificada e melhor será nossa produção musical.

 

 

O disco está nas principais plataformas digitais, e você está esperando o que para ouvir ??

https://itunes.apple.com/br/album/caju-as-canções-de-cazuza-por-marcelo-quintanilha/1331679108

https://www.deezer.com/br/

https://www.spotify.com/br/

https://play.google.com/store/music?hl=pt_BR

 

 

 

 

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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