Hammurabi – Confira Entrevista Exclusiva com a Banda

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Por Cyntia Marangon 

 

Os Mineiros do Hammurabi estão na estrada há muitos anos sempre carregando a bandeira do Metal Nacional, e sempre comprometidos em levar boa música aos seus fãs,  lançaram recentemente o álbum L.A.W. (Legions from the Ancient World) e nós do Heavy World não poderíamos deixar de ressaltar sua relevância para a cena nacional, principalmente por se tratar de uma banda como esta que possui uma qualidade diferenciada e sempre apresenta inovações neste aspecto.

O fundador da banda, Daniel Lugondi (guitarra e vocal) nos concedeu uma entrevista exclusiva ressaltando tal importância desde álbum e nos atualizando de todas as novidades sobre a banda neste ano de 2018.

 

Confiram Abaixo:

Antes de mais nada, queria muito agradecer a sua disponibilidade Daniel, isso é de extrema importância, pois desde o álbum “The Extinction Root” é notável por todos a qualidade que a banda apresentou e ainda apresenta fazendo um comparativo com o L.A.W., definitivamente estou impressionada com a evolução da banda e tamanha qualidade, sem falar que a minha música favorita é Marduk’s New Order pela questão da velocidade e etc, acho que me identifiquei mais com ela… Enfim, espero que o nosso bate-papo renda e traga diversas informações para os fãs de uma forma geral.

Daniel Lugondi: Eu que agradeço, muita coisa mudou desde aquela época e evoluímos muito e também espero poder expor todas as ideias da melhor forma possível por aqui, e que legal ter gostado dessa música, realmente ela é mais rápida e diferenciada das outras, pois marca uma outra parte da cronologia do álbum…

 

-Bom então vamos começar primeiramente sobre os fatos direcionados a banda ter passado por algumas reformulações nos últimos anos, o que você pode dizer sobre isso, de uma forma geral?

Daniel Lugondi: Bom, atualmente a banda está com uma formação bem sólida que conta com o Leandro Gavazzi na bateria desde 2014, com o Uila Max na guitarra e com o Felipe Freitas no baixo, que entrou recentemente, digo desde 2016 na verdade, inclusive o Felipe tocou por um tempo pelo Nervochaos e a sua técnica e evolução referente a sua musicalidade são indiscutíveis, o que nos fez sem sombra de dúvidas acreditar no seu trabalho.

De uma forma geral, a banda passou por vários momentos, várias reformulações até encontrarmos o que se tem hoje. Desde quando eu me mudei para São Paulo (capital), as coisas começaram a se tornar um pouco difíceis para os outros membros da época, pois todos nós residíamos em Minas Gerais, mais especificamente em BH e com a minha vinda em busca de novos horizontes na parte profissional, isto se tornou um pouco complicado para a banda em todos os aspectos.

Em 2013 fiquei em Manaus trabalhando por um tempo. Depois voltei para São Paulo, daí tive a oportunidade de estar mais próximo do pessoal que realmente está inserido na cena, tanto como os músicos, quanto na parte dos bastidores e afins, e daí gravamos um clip com o Dick Siebert da banda Korzus, que ficou animal por sinal e na época o próprio Dick me indicou o Uila Max, que é um guitarrista excepcional com uma técnica que eu particularmente gosto demais e também o Leandro, um baterista muito diferenciado, ótimo por sinal, que era o que realmente a banda precisava. Daí, o Dick nos ajudou muito, principalmente com a caracterização do clip e de toda a música em si, pois “The Emperor Returns to the Front” é realmente o que posso dizer sobre sua analogia onde marcou o retorno da banda, inclusive diversas dessas comparações da musicalidade em si, o Dick realizou durante toda a produção sempre referindo como ao peso da música ao peso de um “Opala” e etc., o que trouxe uma sonoridade única e diferenciada, neste single. Aí depois com a entrada do Felipe Freitas na banda, para realizarmos a gravação do disco e tudo o mais, tudo ficou mais homogêneo.

Inclusive vale lembrar que até realizamos um show de retorno da banda, no Manifesto Bar para marcar esta fase em definitivo ao lado da banda belga Dehuman, além de termos apresentado algumas das novas músicas deste novo álbum na época.

Enfim, hoje a banda encontra-se com uma formação bacana e estamos em busca de investidores e em aspectos deste gênero, para continuarmos trabalhando nisso e evoluindo musicalmente falando.

 

-Bom, já que a banda está com um trabalho novo, que por sinal está impecável (tive a oportunidade de ouvir e está primoroso), vamos falar um pouco sobre o lançamento do álbum L.A.W., sobre toda a temática que o álbum aborda, além das expectativas que pairam sobre ele, o que você poderia sintetizar dentre tudo isso?

Daniel Lugondi: De uma certa forma as expectativas que eu tinha sobre este álbum, em questão de lançamento e etc, não foram da forma como eu esperava, tanto que ele está apenas disponível para as mídias digitais, inclusive a galera que quiser conferir basta acessar nossas mídias sociais e também escutá-lo pelo Spotify.

O álbum já estava pronto há um tempinho, sendo assim, a busca por selos e outros meios para lançarmos como mídia física foi complicado, tanto que prorrogamos o lançamento dele algumas vezes, justamente pelo fato de eu entrar em contato com diversos meios para lançarmos, aliás, ainda está sendo complicado, pois não encontramos ninguém neste aspecto que possa investir.

O que posso dizer é que o álbum demorou um pouco para ser lançando na verdade, justamente por conta de toda essa logística. Você sabe Cyntia, eu vejo praticamente a banda de uma forma empresarial, ou seja, como uma empresa mesmo, e para isso precisamos de investimentos, de cash no caixa da própria banda e de vários outros pontos para tentar fazer tudo isso andar e realmente sem incentivo externo fica demasiadamente complicado, o que pode tornar algumas coisas inviáveis.

Sobre toda a temática do L.A.W. e influências que o álbum apresenta, o que posso dizer é que ele basicamente é uma homenagem a uma das principais bandas deste Brasil, um dos maiores ícones de todos os tempos que é a banda Sarcófago, todos nós somos muito fãs, além do mais, o nosso baterista foi vizinho de um dos caras do Sarcófago, o que para mim já é algo incrível.

Bom, o álbum todo se traduz em uma linha do tempo, ou seja, praticamente todos as músicas possuem uma ordem cronológica em toda a temática que envolveu a criação do álbum em si. As analogias frente as ordens das músicas, como disse, estas que seguem uma cronologia, envolvem desde o aspecto aonde Hammurabi ressuscita, ou seja, estarmos realmente de volta com este álbum novo e trazermos todas as nossas referências musicais, assim como essa temática histórica que definitivamente nos aproxima e nos caracteriza como banda.

 No caso da primeira música intitulada “Prelude to Creation” realmente é o que se quer dizer, um prelúdio para criação, correlacionada até mesmo com a ideia de Darwin onde além desde cunho de criação, do início de tudo, surge o conceito para uma evolução a partir deste ponto. O que demonstrará realmente as ideias relacionadas ao nosso trabalho, mas não se esquecendo das origens, tendo em vista como uma função da mudança e evolução em si.

Partindo para a segunda música do álbum, que também é o título deste, “L.A.W. (Legions from the Ancient World)”, vai decorrer mais para o cunho histórico das guerras, ou seja, da formação de novas legiões neste aspecto, o que no caso tais guerras, apesar de todo o conflito de ideias, de evolução, foram necessárias, justamente para trazer os valores, princípios e ideais.

O que a gente já pode fazer um gancho para a próxima música “Kings of Babylon”, onde posso descrever um pouco sobre Hamurabi que foi um rei babilônico do século XVIII A.C., onde ele morreu no ano de 1750 a.C. e foi o sexto rei da primeira dinastia babilônica dos Amoritas e o fundador do primeiro Império Babilônico, onde unificou o mundo da mesopotâmia, unindo os sumérios e os semitas. Contudo, hoje é um grande nome, daí onde temos diversas explicações tanto para contextualizarmos o nome da banda e até mesmo as analogias que mencionei neste novo álbum.

A importância de Hamurabi em si, é que o nome dele está diretamente ligado a um dos mais importantes códigos jurídicos da antiguidade, o Código de Hamurabi, o que já podemos nos referir a música seguinte intitulada de “The Codex and the Human Condition”, onde realmente existe um código para reger os humanos em si. Lógico, que isto também é uma alegoria e nos trás como referências diversos aspectos tanto historicamente falando quanto na música, que mostra que os humanos também possuem falhas e para isto precisamos de algo para seguirmos, né? O Código de Hamurabi estabelecia regras de vida e de propriedade, estendendo a lei a todos os súditos do império.

 

Já a próxima música “Wrath Against and the Dying of the Light”, além do que o próprio nome já estabelece, mostra que apesar de toda a ira e conhecimento adquiridos dentre toda esta evolução, isto acabou se perdendo, ou seja, se acabou de uma forma direta.

Em “Marduk’s New Order”, falará do surgimento de uma nova ordem, já de um novo começo, por isso do gancho da música anterior, na realidade trazer este tipo de assunto na criação desta música, implicou em uma analogia ao ser contra o “modus operandi” de tudo o que está no mundo, relacionado as discussões, preconceito, raça, cor… Na verdade, seria basicamente ser contra uma forma de agir, pensar, executar, algo que já está imposto pela sociedade em si.

Agora vale ressaltar também que Marduk era filho de Enki, que é uma divindade da mitologia suméria. Enki era conhecido como o deus das Águas, da sabedoria, portador dos segredos da vida e também da morte. E Marduk é filho da relação incestuosa que Enki teve com Ninhursag, e com a ascensão da Babilônia para a capital da coligação de estados do Eufrates, onde o rei Hamurabi comandava, ele foi considerado o deus supremo do panteão. Assim sendo, isto implicará em toda a analogia apresentada nesta música.

Já em “Followers of Black” demonstrará de um certo aspecto a galera que veste Negro, seria mesmo a galera do Heavy metal em si, de todos que curtem o estilo e até mesmo o próprio questionamento do “modus operandi”, pois querendo ou não é o surgimento de uma vertente contra tudo isso.

Aí seguimos para “The Emperor Returns to the Front”, que como já disse, marca definitivamente a volta da banda, assim como gravamos o videoclipe com o Dick Siebert, baixista da banda Korzus, que nos deu a honra de ter participado das gravações deste single anteriormente e que agora tal música está neste novo álbum. E por fim, “Screeches from the Silence”, que fecha o disco com chave de ouro.

Contudo, isso representa demais o contexto que queremos apresentar, desde as nossas origens como todas as nossas criações, musicalmente falando. Eu particularmente sou apaixonado por esta temática, me empolgo para conversar e falar disso sempre, inclusive tem um livro muito bom chamado “O 12° Planeta”, que demonstra as origens da humanidade tanto da forma arqueológica, mitológica e também de diversos textos antigos, inclusive o envolvimento de extraterrestres, mas o livro foca muito na antiga Suméria também, é sensacional.

-Sobre a capa do álbum, que está incrível e rica em todos os detalhes possíveis, como que foi a concepção até chegar nesta capa?

Daniel Lugondi: Inspiração certamente não faltou, mas toda a conceituação e caracterização, até chegar neste resultado final, foi basicamente toda feita por mim. Claramente, se notar com cuidado, dá para se ver todos os detalhes de vários aspectos, muitas das características de alguns artistas em específico que eu gosto, da pintura do século XVIII e afins.

Inclusive umas das inspirações foi relacionada aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, que representam a peste, a guerra, a fome e também a morte, uma das explicações para o cavaleiro da capa.

Eu sempre gostei de colagens, realizo isto desde os primórdios… lá na minha infância e acredito que atualmente, com o photoshop e demais ferramentas, consegui realizar isso de uma forma diferenciada e trazer uma capa com todas as características e elementos que eu queria. E também pelo fato da inspiração de toda a parte histórica que descrevi no começo da entrevista, acredito que colaboraram para conseguir chegar nesse resultado final.

-Para finalizarmos, temos algo marcado como turnês, shows e etc? Ou até mesmo algum material físico para sair da banda? Merchan?

Daniel Lugondi: Bom, na verdade foi como eu disse no começo, estamos sem investidores no momento e acabei até mesmo usando de minhas próprias economias para investir neste álbum. Atualmente na questão de merchan temos a loja on-line, tanto que para adquirir é só entrar em contato com a banda até mesmo pelo facebook (https://www.facebook.com/HammurabiBrasil), pois lançamos recentemente um moletom em prol da campanha da Cruz Vermelha, onde a cada dois moletons vendidos, o valor de um deles é doado para ajudar nesta campanha, justamente pois acreditamos nesta reciprocidade, de entregar para sociedade o que também nos foi entregue: “Entregar de volta para o povo o que é para o povo”.

Sobre os próximos shows, turnês e etc., ainda não temos nada marcado, estamos no aguardo de nos convidarem inclusive.

-E o que você poderia resumir sobre tudo isto, agora no final de nossa entrevista, digo neste aspecto de recomeço, da gravação no novo álbum e etc.?

Daniel Lugondi: Então, para nós que tivemos a oportunidade de trabalhar com dois grandes nomes da cena como Marcello Pompeu e o Heros Trench é algo demasiadamente gratificante e enriquecedor em todos os aspectos, não foi atoa de que o resultado final do álbum ficou incrível.

Mas você sabe Cyntia, por um lado é muito complicado para todos nós da banda, pois investimos muito nisso, como tempo, dinheiro, economias, enfim, isto é muito difícil, cada um de nós temos os nossos trabalhos regulares em paralelo, o que mostra que fizemos isto tudo acontecer na raça, na verdade empreender nisso já é algo que deve ser feito com raça e muita determinação, afinal estamos no Brasil e a falta de incentivo neste ramo é praticamente zero.

Bom, de qualquer forma venho aqui desejar o meu sucesso para você e para todos os membros da banda, que a banda realmente siga adiante e continue evoluindo dessa forma sensacional, afinal eu já ouvi este último álbum diversas vezes e está incrível. É uma nova fase que a Hammurabi está agora e isto certamente deve ser valorizado pelo público e mais uma vez agradeço pela disponibilidade e por ter demonstrado nesta entrevista o quanto você é apaixonado pelo que faz. Sucesso mais uma vez para vocês!

Daniel Lugondi: Eu que agradeço mais uma vez a você e também ao Heavy World, pelo espaço e por ter tido este bate-papo e ter demonstrado todas as perspectivas possíveis deste álbum e também desta nova fase. Muito obrigado.

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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