Gosotsa: Confira Entrevista Exclusiva Com a Banda

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Por Bruno Nascimento

O rock sempre foi uma música que rompeu com convenções, aliás, a convenção do rock, na maioria das vezes, foi romper barreiras. Hoje, catalogado por infinitos gêneros para descrever um som, o fã ficou mais especializada nesse ou naquele estilo, afastando a forma mais generalizada de se consumir música. Em meio essa salada de ritmos, surge o Gosotsa, um ambicioso projeto, que engloba diversas expressões artísticas, tais como: artes plásticas, teatro e música.

Conversamos com Drannath, baixista e Vocalista da banda, que nos ajuda a entender melhor o conceito por trás dessa manifestação artística.

Heavy World: Bom, primeiramente, obrigado por se disponibilizarem à falar conosco. Eu ouvi o trabalho de vocês, “O Sol tá Maior III”. Confesso que gostei da forma como, musicalmente, as coisas se misturam bastante, é um turbilhão de sensações. Vocês têm algo progressivo, ao mesmo tempo que soam diretos como uma banda de garage rock. Como Você definiria o som de vocês?

Drannath: Nós que agradecemos o convite! Bem, nosso som é difícil de se definir, por se tratar de uma Arte de vanguarda. Nossa Obra contém alguns elementos da música erudita do século XX, com atonalismos por exemplo, mas também temos peças com harmonias complexas como no século 18-19, passando por elementos do barroco. Eu diria que nossa música é uma síntese de tudo que já veio antes mas também agrega inúmeras novas possibilidades, é um trabalho bem inventivo e desrespeitoso com o que se estabeleceu como padrão.

Heavy World: Já em cima disso, vocês não são apenas uma banda comum, é algo como um conjunto artístico mais completo. Uma arte complementa a outra?

Drannath: Sem dúvida! A mesma linguagem da música é aplicada nas artes plásticas e literatura, tudo se soma a uma Obra maior mas também funciona de forma independente. Não é necessário conhecer a música para apreciar os quadros, por exemplo.

HW: O público do GOSOTSA é fiel em todas essas facetas dos seus trabalhos?

Drannath: Infelizmente é difícil para nós, como um grupo artístico independente, apresentar todas as facetas para todo o nosso público, de uma só vez. O que eu vejo é que os quadros atingem um maior público, talvez por as artes plásticas já estarem mais avançadas em aceitação da abstração em relação à música, onde o mainstream ainda é bem quadradinho. Quanto ao livro, ainda não foi lançado oficialmente, apenas alguns amigos tiveram contato, então não deu pra medir. Já os quadrinhos são sucesso total, quase uma unanimidade rs.

HW: Vivemos num país, em que a condição de trabalho para o artista independente é muito precária, existe uma panela beneficiada por empresários, e grandes veículos de comunicação. Com o atual governo, parece eminente algumas revisões nas leis de incentivo à cultura. Como isso afeta a arte em geral e a vocês, em específico?

Drannath: Este desGoverno é um desastre total, é impressionante como não há evolução alguma no quadro político brasileiro, a coisa só piora. E não falo só da besta do presidente, falo de todos, ou quase todos, desde o vereador até o presidente, passando pelos três poderes. A desilusão é total, como dizem os Sex Pistols, “no future, no future”. Por outro lado, acho que, mesmo antes desse desastre atual, os recursos investidos na cultura sempre foram mal distribuídos, privilegiando uma panela que muitas vezes nem precisava disso. Já participamos de inúmeros editais, e quem sempre vence é quem está fazendo mais do mesmo, seguindo a cartilha dos clichês, atuais e passados, à risca. Então, para um grupo disruptivo como o Gosotsa, que sempre contou apenas com recursos próprios para sua produção, não muda nada, continua tudo muito difícil, exatamente igual sempre foi.

HW: Vocês conseguiram lançar o trabalho em outros países também? Pretendem tentar algo no exterior?

Drannath: hoje em dia, com o streaming, o lançamento é sempre mundial, pois está disponível para todos. Investimos bastante em publicidade em outros países, e temos muitos ouvintes de países cabulosos, como Cazaquistão, Israel e Rússia, além de Suécia, Alemanha, Portugal, Espanha, EUA, e muitos outros… Além do nosso querido Brasil. Estamos indo bem!

HW: Como anda a agenda de vocês? Quais os próximos passos para o GOSOTSA?

Drannath: Estamos gravando um disco novo, que tem seu lançamento previsto para o segundo semestre de 2019, então estamos focados nisso e não estamos fazendo shows. Também lançaremos nosso livro, O Sol Tá Maior, agora no começo do segundo semestre, e também lançaremos nosso site oficial.

HW: Agradeço, mais uma vez, pelo seu tempo para conversar conosco. Há mais alguma coisa que você gostaria de dizer aos nossos leitores?

Drannath: Nós que agradecemos! É muito importante o trabalho do Heavy World e de todos vocês da imprensa, tão importante quanto o nosso, de produzir arte. Obrigado! Galera, ouçam nosso trabalho nas plataformas de streaming e também no youtube, e sigam nossas redes sociais. E ABRAM A MENTE PARA O NOVO! O ROCK SEMPRE SE REINVENTOU, PERMITA QUE ISSO CONTINUE! Valeu galera!!

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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