Entrevista Exclusiva com a banda Capadocia

Tocando juntos desde 2011, o Capadocia é uma banda de metal do ABC Paulista, totalmente independente e formado por Baffo Neto.

Em 2006, após residir durante 07 anos na Europa com sua antiga banda “Retturn”, (grupo de expressão no Brasil na década de 90), Baffo Neto retornou ao Brasil com o intuito de criar uma nova banda que seguisse os passos do Retturn, e reunindo os músicos Marcio Garcia (ex-Postwar), Gustavo Tognetti (ex-Skin Culture) e Palmer de Maria (ex Choldra/Retturn), Baffo Neto criou uma banda que está abalando as estruturas do Underground.

Batemos um papo com o Baffo Neto, a mente por trás do Capadocia, que nos constou sobre a banda, sobre o cenário atual da música, sobre iniciar uma banda no Brasil entre outros assuntos que você confere nas linhas abaixo.

Olá ! Primeiramente gostaríamos de agradecer de coração o tempo cedido para Heavy World.

Baffo Neto – Sempre um prazer contribuir com o pessoal que dedica seu tempo a bandas novas e ao rock/metal em geral. Toda iniciativa e válida e em nome do Capadocia eu agradeço a oportunidade e o espaço. Obrigado.

Capadocia 1

1 – Conte para os nossos leitores um pouco sobre o Capadocia, há quanto tempo estão na estrada, seu início, seu estilo e suas principais ifluências.

Baffo Neto O Capadocia está na estrada há pouco tempo, lançando o primeiro disco agora mas os músicos da banda já são rodados e estamos ensaiando juntos desde 2011. Eu e o baterista Palmer de Maria tínhamos uma banda chamada Retturn e hoje, pela graça do destino, tocamos novamente juntos no Capadocia. O guitarrista Márcio Garcia tinha uma banda chamada Postwar, que infelizmente não existe mais e o baixista Gustavo Tognetti tocava no Skin Culture, do meu amigo Shucky Miranda. Quando montamos o Capadocia eu não queria que a banda saísse tocando por aí a troco de nada logo de cara, então ficamos ensaiando por um longo tempo até poder montar uma estrutura de trabalho descente e só então seguir a diante com nossos planos. Hoje estamos bastante felizes com o que está rolando com a banda e com as pessoas que trabalham com a gente. É um negócio de família, só que a família é bem grande.

 

2 – Vocês estão lançando um trabalho fresquinho denominado Leader’s Speech o qual possui algumas ótimas amostras no site oficial da banda, as músicas me agradaram muito, principalmente pela vontade me pareceu, de uma busca por uma identidade própria e isso logo no primeiro Cd é louvável, pode nos falar um pouco sobre esse trabalho e sobre essa musicalidade ?

Baffo Neto – Desde quando eu e o Palmer montamos nossa primeira banda, quando ainda tínhamos 13 e 14 anos de idade, sempre tivemos a mesma ideia musical, o mesmo direcionamento musical. Hoje em dia estamos mais espertos quanto a isso, temos uma noção muito boa do que precisamos para chegar onde queremos e isso inclui nosso direcionamento musical. No caso do Capadocia, obviamente ainda estamos buscando nosso produto final, desenvolvendo nosso som, mas com certeza já temos o nosso DNA em nossa música. Fico feliz que você tenha notado esse trabalho de desenvolvimento artístico em nossas músicas. Leader’s Speech é um álbum que nos coloca como uma opção entre as bandas brasileiras de metal. Essa é a missão deste disco. Algumas das músicas já existiam antes do Capadocia ser formado e foram repaginadas, rearranjadas e hoje elas soam muito diferentes do que soavam no passado graças a esta banda, este momento. Já temos dois vídeo clipes e faremos outros dois em breve. Everybody Hates Everybody e a mais rapida do disco e Stay Awake a mais lenta e pesada. Standing Still tem o Groove mais pesado e swingado e Snake Skin, a que tem mais trabalho de bateria e talvez a história mais completa. Estamos felizes com este disco, com o que estamos fazendo para promovelo e principalmente com o pessoal que temos conosco cuidando da coisa toda. Temos uma equipe excelente.

3 – A banda iniciou as atividades em 2011, e somente agora em 2015 lança um CD Full. A dificuldade do concorrido mercado musical brasileiro dificultou uma antecipação do lançamento, ou foi opção da banda amadurecer mais e depois seguir com um material de divulgação ?

Baffo Neto – Não tínhamos um time para trabalhar conosco, não achávamos que a banda estava em ponto de bala para sair tocando e promovendo este disco, não tínhamos criado ainda uma situação favorável … Haviam muitos fatores a serem considerados antes de lançar este disco e isto nos tomou tempo. Queríamos que a banda impressionasse ao vivo e para isto, precisávamos de tempo para ensaiar e criar em nós mesmos enquanto grupo a confiança necessária para chegar no palco e realmente resolver. Precisávamos também de bons shows, em situações descentes e tal, e só recentemente conseguimos cria-las. Muitos fatores determinaram a época do lançamento deste disco e acreditamos que foram todos por bem. As dificuldades da indústria não tiveram muito há ver com isso, foram decisões e situações pessoais que determinaram o que entendemos como o melhor timing para lançar o disco, mas agora que lançamos o primeiro, o relógio já está contando para o lançamento do segundo em menos de um ano. Temos essa meta de lançar um disco por ano.

4 – Falando em divulgação, novamente vocês tocaram em uma série de apresentações com os caras do Cavalera Conspirancy, músicos consagrados mundialmente, como é a experiência e o desafio de aquecer o palco para centenas ou milhares de pessoas ?

Baffo Neto – Hoje em dia é mais fácil porque somos macacos velhos, mas antigamente era super complicado. Uma vez tocamos com o Retturn, nossa antiga banda em um show abrindo pro Ramones no Clube Aramaçã em Santo André, SP num show da adios amigos tour. Eramos novos de banda, não tínhamos experiência nem um crew legal, nem um gear legal e o show foi horroroso. Eu vi 7000 pessoas me chingando … jogando coisas na gente e tal, foi foda, mas depois disso tudo ficou muito fácil. Ja essa tour com o Cavalera foi mais uma honra sem tamanho do que qualquer outra coisa. Nos deu a oportunidade de tocar em locais onde normalmente seria muito cedo para conseguirmos tocar como em Porto Alegre por exemplo, Manaus, Recife, Salvador, Belem, Belo Horizonte, Curitiba, Montevidéu, Ciudad del Leste e etc. A banda ainda não criou a demanda necessária pra tornar isso possível com as próprias pernas então o que rolou foi uma benção. Quanto ao lance de esquentar a galera, e uma questão de sentir o clima, saber posicionar as músicas, tocar o cover certo, falar a coisa certa no lugar certo. Pode dar muito errado caso a performance não seja de acordo com o padrão da galera, mas graças a Deus deu tudo certo nesta tour. Temos muito o que agradecer a galera que trabalha com a gente, da Hoffman & O’Brian e da GW entertainment, que pilota nossa carreira e tal e também a Glória Cavalera que permitiu com que isso tudo fosse possível na magnitude que foi.

Capadocia 2

5 – Uma questão polêmica, porém muito interessante que gostaria de leventar aqui, é saber se na opinião da banda, realmente se aprende ou se aproveita alguma coisa tocando com artistas consagrados, pois não é novidade acompanhar e ver muitas declarações de bandas que falam que são prejudicadas por conta de som, tempo, equipamento etc, e isso é uma polêmica, o que vocês acham sobre isso ?

Baffo Neto – Depende muito de quem é a banda de abertura e quem é a banda principal. O que não varia éé o fato do showbusiness não estar a disposição da banda de abertura. O headliner sempre tem seu sistema de trabalho que jamais será desrompido para ajudar quem toca antes. Caso a banda de abertura entenda a mecânica da coisa, vão prosperar. Caso não entendam, vão fracassar e colocar a culpa no headliner. Uma banda de abertura não pode depender de condições técnicas específicas que não podem serem providas por ela mesma por exemplo. Nao podem depender de passagem de som, monitoração, estética, espaço ou conforto porque não vão ter nada disso e se tiver, será pela metade. Uma banda de abertura precisa funcionar sem nada, sem frescura, na tora. Num show de abertura realmente não se aprende muita coisa, mas pode se tirar proveito de muita coisa sim. Se aproveita a mídia em questão, se aproveita as fotos, os fãs, merchandising, a prática em tocar para públicos diferentes e etc., mas não e coisa para iniciantes. Só se tira proveito de um show de abertura depois que se tem uma certa experiência em shows ao vivo e uma estrutura montada para tirar este proveito. Por isso tantos relatos de supostos mau tratos, desrespeito e boycote. Não e nada disso. Banda de abertura precisa se virar com o que resta sempre, e a maioria das bandas que se colocam nessa situação não esperam ou sabem lidar com isso. O que falta na real e preparo.

6 – Qual o conselho o Capadocia daria para as bandas que estão iniciando hoje e que almejam um lançamento e shows com bandas consagradas, assim como vocês conseguiram e fazem hoje ?

Baffo Neto – Primeiro e mais importante de tudo: se precisa de grandes canções. A única coisa comum a todos os grandes artistas da história são suas grandes canções. Depois, vá aprender como funciona o showbusiness. O mundo dos espetáculos tem seu próprio jeito de se desenrolar e gira em torno de uma série de fatores que esta além do alcance da grande maioria dos músicos aspirantes ou mesmo profissionais. Se você quer jogar o jogo, precisa entrar em campo, ser parte disso tudo, portanto, posicione-se de forma inteligente no mercado e nunca desista. Não importa quanto tempo se passar, não desista. Se voce só quer ter uma banda por diversão, saída do caminho de quem trabalha sério. O mercado precisa de novos artistas, não novos aventureiros.

 

7 – Voltando a falar da banda, adorei o clipe de STANDING STILL muito bem produzido e muito bem trabalhado, como surgiu a ideia do clipe e porque a faixa STANDING STILL ? Ela já veio de primera ou vocês cogitaram outras antes ?

Baffo Neto – A Standing Still foi eleita por ter todos os ingredientes da nossa mistura em uma música só. Antes pensamos na Leader’s in the Fog ou na Stay Awake, mas acabamos por optar pela Standing Still. O roteiro do clipe foi uma sugestão coletiva, com ideia inicial da Margareth, assistente da Damaris, nossa manager. A partir da ideia inicial fomos evoluindo até chegar no produto final que e o vídeo clipe.

A ideia era mostrar que a música pode fornecer a energia que precisamos para impedir com que coisas ruins aconteçam conosco e com quem amamos e nos importamos. Minha ideia com o Capadocia sempre foi levar uma mensagem boa, uma energia boa. Nada de destruição, guerra, sangue, essas coisas clichês do perfil “revoltado”. Estamos aqui para promover a informação, evolução, crescimento e consciência, assim como o espeito entre religiões e pessoas. Por isso temos 4 espiritos no vídeo, com símbolos usados na umbanda, mas com roupas do período bizantino, onde não se tinha conhecimento dos cultos africanos ou preceitos cardecistas como os conhecemos hoje.

Capadocia 3

8 – Vocês estão lançando seu trabalho em uma época de vacas magras para a industria do CD Físico, há muitas pessoas que desacreditaram nesse meio de divulgação e algumas bandas como o Raimundos por exemplo, que lançaram seu trabalho somente em plataforma digital, o que vocês tem a dizer sobre essa globalização da música para plataformas como Deezer, Rdio, AppleStore, entre outras, são a favor ?

Baffo Neto – 100% a favor. Nós também não acreditamos no CD físico há muito tempo, mas nem por isso vamos deixar de disponibiliza- lo, porque em regiões como o norte e nordeste por exemplo se consome muito o CD. No Paraguay e Uruguay também se consome muito o CD e portanto entendemos que hoje o CD e uma forma complementar de disponibilização da nossa música, e não a principal como era antigamente. Nossas músicas também estão disponíveis online e de graça para download e streaming. Queremos que as pessoas nos escutem da maneira que elas quiserem e puderem e faremos o que for preciso para que a disponibilidade de nossa obra seja o maior e de mais fácil acesso possível. Somos a favor de mais, mais rápido e melhor, seja o que for preciso para isso. Temos que correr na mesma velocidade do mundo pois ele não precisa de nós, e nós assim precisamos dele e dos fãs de metal que nele habitam.

9 – Vocês acham que o CD realmente está com os dias contados ?

Baffo Neto – Acho que não. Tem lugar para todos nesse imenso mundo. O CD somente deixou de ser protagonista para tomar um papel coadjuvante. Eu mesmo não compro um CD há quase 15 anos

10 – Uma ultima pergunta sobre a banda, porquê o nome Capadocia ? (Pra mim lembra apenas a cidade dos balões lá naTurquia…rsrsrs)

Baffo Neto – Foi sugestão de uma criança, um amiguinho meu chamado Arturzinho. Eu procurava um nome que fosse legal em qualquer lí.ngua e que tivesse uma energia positiva. Esse meu amiguinho sugeriu o nome porque ele escutava falar muito sobre a Capadocia por ser o lugar de onde veio São Jorge de acordo com o catolicismo e também Ogum de acordo com o sincretismo religioso. Me soou legal e eu imaginei que um nome desses não poderia se tornar tão popular se não carregar uma boa vibe. Foi simples assim. Na real , Capadocia se trata de um lugar na Turkia sim e São Jorge não se tornou uma figura popular por lá, mas o nome funciona bem, assim como eu imaginei que iria.

12 – Quais os planos futuros da banda, haverá mais datas agendadas no Brasil ?

Baffo Neto – Agora vamos tocar o quanto pudermos no Brasil e popularizar a banda em nosso meio. Queremos fazer os festivais que tenham o perfil onde nos encaixemos, trabalhar no próximo disco que eu quero que esteja pronto em menos de um ano e depois disso, dar início a nossa carreira internacional. Entendi que não e possível ter uma carreira internacional com credibilidade ser você não e ninguém em seu próprio país. O respaldo do seu povo e o primeiro sinal de credibilidade que uma banda pode ter. Sem este respaldo uma banda não tem nada, não importa qual música você toque, não importa de onde vem ou pra onde quer ir. A indústria internacional usa este respaldo de parâmetro para definir o grau de seriedade em um artista. Bandas brasileiras sofrem de um problema sério de credibilidade na Europa por contra das inúmeras bandas que iniciaram algumas coisa e jamais terminaram o que começaram. Confiaram demais em artistas que no passado bateram no peito, gritaram alto e até fizeram bonito, mas deixaram quieto tudo que começaram a conquistar seja por falta investimento, por questões familiares ou problemas na formação da banda. Sempre teve um problema com os brasileiros com excessão do Sepultura e isso junto ao mau comportamento profissional de alguns promotores de shows internacionais destruíram a reputação das bandas brasileiras no exterior.

13 – Agadecemos muito a oportunidade dada ao Heavy World e gotariamos que deixassem uma mensagem para os nossos leitores que conhecem, ou que ainda vão conhecer o Capadocia

Baffo Neto – Há muitos anos estamos trabalhando para montar uma banda e uma estrutura coesa, bastante musical e com grande representatividade, para que fosse capaz de um dia figurar no mercado internacional por muitos anos e este trabalho culminou no que vem se tornando o Capadocia. Agradecemos a oportunidade desta entrevista, espero ter sido claro ao menos na maioria das minhas respostas e para quem já conhece o Capadocia, nosso muito obrigado pelo interesse em nossa banda. Para quem ainda não conhece, procure em nosso site ou facebook page. Muito obrigado.

www.capadocia.mus.br

www.Facebook.com/capadociaband

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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