Confira Entrevista Exclusiva com a Banda Endigna

 

Pra galera que ainda não conhece, o Endigna é uma banda do Taboão da Serra – SP, fundada em meados de 2007. A banda fundamenta sua proposta em mostrar o lado mais agressivo do metal nacional, demonstrando isso através de suas letras em português, onde abordam diversos temas tanto introspectivos quanto de protesto. A parte instrumental é bem marcante com afinações mais baixas, destacando o vocal feminino oscilando técnicas vocais guturais (não muito comum no Brasil), e vocal limpo. A banda está sendo muito bem aceita por onde passa, pelos arredores de São Paulo, e também nas cidades do interior como: Jundiaí, Hortolândia, Indaiatuba e até no litoral paulista como Santos.
Line-up atual: Thais BabyDrunk – vocal, Diego Mattos – guitarra, Tiago Sorrentino – bateria, Cadu – guitarra e o mais novo integrante, Armando Turin – baixo.

 

Segue a entrevista abaixo.

Primeiramente, parabéns pelo trabalho de vocês! E, um enorme obrigada pelo tempo e pela concessão dessa entrevista!

1- Poderia nos falar um pouco sobre a ideia da banda? Como definem o som de vocês? E, quais as suas principais influências ?

BabyDrunk: Nos queremos fugir do convencional, com um som mais agressivo. Queremos colocar nossa brasilidade em nosso som, queremos marcar uma identidade brasileira. Sobre a classificação, não temos muito como classificar, mas estaríamos próximos de um metal brasileiro cru. Nossa maior influência é o Sepultura! Mas gostamos de muita coisa gringa e européia. Ouvimos muito som brasileiro também. Posso citar Faith no More, Nação Zumbi, Raimundos, e um tempero com Metallica.

2- Vocês lançaram o primeiro EP de vocês : “Soldado não para” em 2014. Pelo que vimos, tem sido muito bem aceito pelo público. Tem planos para um full-lenght? Nos conte sobre.

BabyDrunk: Estamos em estúdio agora gravando nosso primeiro Full. Estamos na pré-produção. O álbum terá 12 ou 13 faixas e está sendo produzido por ninguém menos que Thiago Bianchi (Shaman, Noturnall). Estamos tentando fazer algo com a cara da Endigna mas já com uma elaboração mais profissional, estamos muito felizes com a ajuda que Thiago já vem mostrando para a banda. Está sendo gravado no Fusão estúdio. Estamos completamente comprometidos com essas gravações, dando duro pra fazer um puta álbum aê pros nossos fãs! Temos uma previsão para lançamento no segundo semestre de 2016.

3-  Recentemente vocês tem tocado em festivais na cidade de Osasco. Como vêem o cenário rock na cidade? E, o que acham da interação entre as bandas nesses festivais?

BabyDrunk: Putz. Cara, sempre falo no palco, a receptividade tanto do público quanto dos organizadores é do caralho! Estamos tocando em Osasco desde Janeiro desse ano, acho que já fomos umas quatro vezes. Todas as vezes somos muito bem recebidos. A cidade é muito empenhada em difundir o cenário, respeita o músico, respeita o público. Gostaria de parabenizar á todos os envolvidos nas organizações dos eventos, produtores, prefeitura.
Quanto a interação, vejo muita banda boa, muita gente empenhada em fazer um trabalho sério, em levar seu melhor pro palco. Muito massa trocar experiências.

 

Endigna 14- Percebemos que a banda tem um som agressivo com o vocal condizente, e com letras bastante criticas e elaboradas. Como se dá o processo criativo das canções da banda?

BabyDrunk: A Endigna já existe há oito anos. Nosso processo de criação foi mudando ao longo desses anos. Sou eu quem componho as letras, no começo elas eram auto biográficas, depois fui colocando mais criticas. Hoje, posso dizer que prezo por letras que tenham uma certa dualidade em suas linhas, tento expressar algo de uma maneira mais artística. As vezes as pessoas nem percebem bem o que estou querendo dizer, ou podem interpretar de sua forma. Por exemplo, em “Soldado não para” falo nitidamente de um suicídio, mas quando se canta o refrão, quase fica subentendido o tema principal.
Já na parte musical, os caras tem meio que uma disputa para sempre produzirem riffs cada vez mais pesados. Eles vem com as ideias e encaixamos a coisa toda.

5- Como escolhem os instrumentos para tocarem?

Thiago – batera: Bom, depois de um riff pronto, da música estar na parte da produção final, sempre fazemos um ensaio para um ajuste fino dos timbres. Dai deixamos a emoção falar pela gente. Sentimos a atmosfera da música, os efeitos vem na mente, ajustamos e fazemos. Por exemplo, em “Soldado não para” disse pro galera da guita para colocarem um Drive, com Chorus e Reverb (efeitos de pedais na guitarra), que me veio a mente, para tocar o riff do inicio da música, e ficou como queríamos. Vamos fazendo conforme o som vai pedindo.
Nesse novo álbum, estamos experimentando instrumentos mais brasileiros, que tem uma sonoridade peculiar, tipo o berimbau, pra deixar o som como imaginamos.
É tudo sentimento puro.

6- Como é a interação da banda com os fãs?

BabyDrunk: Sou do povo! Adoro ir falar com a galera, os outros integrantes são mais reservados, mais eu sempre vou pra galera. Temos muito respeito por nossos fãs, eles são amigos. Se não fossem os fãs nenhum trabalho existiria.

7- Como é o dia a dia dos integrantes? Vivem só de música, ou tem outras ocupações?

BabyDrunk: Infelizmente, como a maioria das bandas de rock, ainda não podemos viver só da nossa música. Ainda. Mas temos esperança e trabalhamos duro pra isso virar uma realidade.
Todos trabalhamos. Eu sou secretária, o Thiago é professor de bateria e é formado em enfermagem, Diego trabalha com comunicação visual, Cadu e vendedor, e o mais novo integrante da banda Turin é empreendedor.

 

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8- Quais as expectativas para a banda, com o atual cenário brasileiro?

BabyDrunk: Toda área de trabalho tem suas defasagens, a música tem suas defasagens, o rock tem suas defasagens, o metal tem suas defasagens… Enfim, não é uma área fácil. Tem muita banda boa pra caralho por ai. Assim como tem coisa ruim também. Mas enfim, vamos falar de coisa boa. Nós da Endigna queremos fazer a diferença, queremos mostrar nosso som pra galera e mostrar nossa originalidade. E continuar pela estrada sempre.

9- Qual a trajetória musical dos integrantes?

BabyDrunk: Comecei a cantar no coral da igreja, quando eu tinha 9 anos. Segui estudando canto e ouvindo rock, pela minha juventude. De 17 para 18 anos decidi ter uma banda. Andei cantando em bandas e depois fiz um teste e passei, fiquei uns 2 anos nessa banda, mas não seguimos. Em 2007 decidi formar o Endigna. Cantar, estar no palco, expressar minha música faz parte de quem eu sou, tenho fome de compor, de fazer os shows, ali me sinto eu.

Thiago (bateria): Meu primeiro instrumento na verdade foi uma guitarra, daí com 12 anos, decidi que queria aprender a tocar bateria. Quando fui pedir minha bateria de presente de aniversário para meu pai, ele disse que me daria, mas que eu ia ter que aprender a conquistá-la sozinho. Faço aniversário em setembro. Então ele me deu um macacão e me disse para passar em sua serralheria todas as tardes. Comecei a ajudá-lo em janeiro. Em setembro, meu pai veio com a bateria me dizendo que era meu pagamento por ter trabalhado nesses meses. Dai acontecerem umas coisas na família, e eu me tranquei e estudei muito até meus 15 anos, então surgiu a oportunidade de tocar em algumas bandas na noite, e assim foi. Depois parei um pouco com as bandas, para fazer a faculdade de enfermagem, deixei a bateria meio de lado. Um belo dia a Thaís me liga me convidando para um teste na Endigna. E aqui estou.

Diego (guitarra): Eu comecei a tocar guitarra em 2004, tirando vários covers. Daí surgiu a ideia da Thais do projeto Endigna. Estou na banda ai até hoje. E entre brigas e criações “O soldado não para”.

Cadu (guitarra): Comecei na música muito cedo, por influência de meus familiares. Os primeiros contatos foram com o violão, a viola, com a música sertaneja, por incrível que pareça, em reuniões familiares. Senti a vontade de aprender um instrumento. Lá pelos meus 13 pra 14 anos, na escola, escutava muita música com os amigos, Walkman de pilha, radinho de pilhas. Escutávamos Pantera, Metallica, AC/DC e Iron Maiden, minhas maiores influências no começo. Tinha um primo meu que estava com um violão aqui em casa nessa época, aprendi meis primeiros passos com ele. O primo foi embora, levando o violão com ele. Meu pai trouxe um violão velho de Minas Gerais que pertencia a ele. E foi nesse violão que eu dei os primeiros passos reais, aprendi muito. Uma boa parte com a ajuda da internet. E depois de 1 ano e meio mais ou menos, eu já comecei a tocar nas bandas covers. Por indicação de um amigo que tocava comigo em uma das bandas, fiz o teste com a Endigna. Era uma das bandas que eu já tinha visto ao vivo aqui pelas quebradas de Embu, Taboão, Santo André, e curtia muito. Passei no teste e já estou com a banda há uns dois anos e estamos ai na correria.

Armando Turin (baixo): Bom… como todo moleque roqueiro, tive várias bandas de garagem, sempre tocando. Ai tive um grande intervalo na música, por conta de ter me casado e ter tido filhos. Agora que já estão criados, de uns anos pra cá voltei a tocar. Passei por algumas bandas, e hoje estou na Endigna.

10-  Quais as aspirações futuras da banda? Possuem mais shows marcados?

BabyDrunk: Queremos finalizar nosso álbum, divulgá-lo no Brasil inteiro, mostrar ao nosso publico nosso trabalho mais maduro. Queremos sair em uma turnê pelo nordeste. Temos as melhores expectativas possíveis. Temos a convicção de que nosso trabalho mostre nossa cara, transmita nossa brasilidade.

 

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11- Agradecemos a oportunidade e gostaríamos que deixassem uma mensagem para os leitores do Heavy World.

Primeiramente queremos agradecer a Paula Alecio pela entrevista descontraída e pelas perguntas muito bem elaboradas, e principalmente, pela oportunidade que nos deu de falar um pouco sobre nosso trabalho.
Aos leitores do Heavy World o nosso muito obrigado e continuem a acompanhar as notícias e novidades que estão por aqui, pois tanto o veículo quanto quem trabalha por ele é de total confiança.
(Thais/BabyDrunk- Endigna)
Soldado Não Para!!

Aproveite e curta, siga, seja fã de Endigna!

 

Links:

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Matéria enviada por Paula Alecio

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