Arandu Arakuaa: Confira Entrevista Exclusiva com a Banda

 

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Para quem ainda não conhece o Arandu Arakuaa (que em tupi guarani significa: “saber dos ciclos dos céus” ou “sabedoria do cosmos”).Fique sabendo que a Banda teve início em abril de 2008 quando Zândhio Aquino começou a compor músicas com letras em Tupi Antigo.

A musicalidade da banda mescla vertentes do rock pesado à música indígena e regional brasileira, com letras inspiradas em suas lendas, ritos e lutas. Desta maneira, busca contribuir para divulgação e valorização das manifestações culturais dos povos indígenas do Brasil, subestimadas durante os séculos.

O uso da viola caipira nas músicas realça ainda mais a brasilidade da banda. Zândhio usa uma guitarra viola, instrumento idealizado pelo próprio músico.

Em agosto de 2011, a banda fez o seu primeiro show e, desde então, divulga o seu trabalho com um repertório 100% autoral. Em junho de 2012, lançou o seu primeiro CD demo. Em setembro de 2013, lançam o seu álbum de estréia, intitulado “Kó Yby Oré”,  contando com dois vídeos clips e um lyric vídeo. A banda está em estúdio gravando seu novo álbum, e cedeu um tempinho para conversar com o Heavy World, e você pode conferir abaixo.

 

1 – Conte um pouco para os leitores do Heavy World, que ainda não conhecem o Arandu Arakuaa, sobre o trabalho de vocês e sobre a banda.

Adriano – Muito obrigado pela oportunidade pessoal do Heavy World! Bom, a Arandu Arakuaa é uma banda de Rock/Metal com elementos indígenas e regionais com temática indígena. Estamos na ativa com essa formação desde 2011 e já fizemos alguns shows bem legais e reconhecidos na cena do Rock do Brasil e em grandes festivais como Ferrock, Porão do Rock, Agosto de Rock, Femme Festival e ThorhammerFest. A ideia é levar para a galera música verdadeira e com muita diversidade.

Nájila – Buscamos resgatar a cultura dos povos indígenas do Brasil e levar a importância de se preservar e respeitar todas as culturas e o meio ambiente, combinado com a junção do rock n’ roll.

Zândhio – Temos um EP e um CD lançados e estamos prestes a lançar um novo disco.

 

2 – Zhândio: Como a ideia da Arandu lhe surgiu? E como se concretizou?

Zândhio – Cresci na zona rural do estado do Tocantins ouvindo apenas música regional e tendo contato com cultura indígena, e na adolescência veio o rock. Foi natural aparecer todas essas referências no meu estilo de compor, musicalmente falando esses são os três elementos da identidade musical da banda.

Encontrar músicos dispostos a encarar um projeto “complexo” e “exótico” (eu particularmente não acho exótico)  que foi foda, ainda mais eu sendo apenas um caipira tímido do underground. Por sorte encontrei Nájila, Adriano e Saulo que trouxeram seu talento e sua garra e aqui estamos firmes na luta.

Em se tratando do conceito, é divulgar e chamar atenção para as culturas e as lutas dos Povos Indígenas do Brasil.

 

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3 – Vocês estão trabalhando em algum novo. O que podemos esperar deste novo trabalho?

Adriano – Então, terminamos há algumas semanas atrás a gravação do nosso segundo CD, depois de muitos meses trabalhando forte no mesmo e cumprindo a nossa agenda de shows e compromissos, enfim finalizamos e nosso segundo filho, e deu trabalho viu. Algo de novo? Sim, muitas coisas novas! Novos elementos de voz, instrumentos diferentes, composições mais rápidas e ainda mais trabalhadas e talvez, o que seja o mais “foda” desse disco é a diversidade de composições e linguagens.

Saulo – E podem esperar uma banda mais madura e um maior aprofundamento das melodias, das ideias, em fim de todo o projeto.

Zândhio – O disco tem previsão de lançamento para agosto deste ano. Foi produzido, gravado, mixado e masterizado noBroadband Studioaqui em Brasília pelo produtor Caio Duarte. Em breve divulgaremos capa, título e lançaremos vídeo clip. Fiquem ligados em nossos canais oficiais.

 

4 – Recentemente vocês tocaram no Thorhammerfest em São Paulo ao lado de grandes bandas. Como foi essa experiência pra vocês?

Adriano – Foi uma experiência incrível cara, sem dúvida alguma um dos melhores shows que já fizemos. Foi um festival do carálio, muito enriquecedor para nós e para os nossos fãs.

Saulo – Foi uma honra tocar com cracks da cena folk… E um enorme prazer em encontrar nossos amigos que vieram de longe para nos prestigiar

Nájila – Dividir palco com bandas de folk metal com prestigio internacional foi uma grande honra, mais uma vez vemos nosso trabalho ganhando espaço e reconhecimentos.

Zândhio – Pra mim a melhor parte de qualquer show é conversar com a galera e ter oportunidade de agradecê-los pelo apoio. O público é nosso patrão.

Tivemos também a felicidade de contar com o ator Matheus Nachtergaele no palco (o eterno João Grilo do Auto da Compadecida) interpretando o lendário Zé do Caixão para uma cena de uma série sobre o mesmo que será transmitida em um canal de Televisão.

 

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5 – Zhândio: Recentemente você passou um tempo com alguns índios Xerentes não foi ? Conte pra galera aqui, como foram  esses dias e o que isso lhe ajudou nas composições da banda, além e claro da experiência.

Zândhio – Na verdade apenas uma visita rápida a alguns amigos. Morei perto da Terra Indígena Xerente desde o dia que nasci até meus 24/25 anos, nunca morei dentro da aldeia, mas sempre tive contato com eles e sua cultura. A comida e as casas daquela região tem bastante influência da cultura Xerente, a cultura indígena não fica limitada a apenas quem vive nas aldeias. Cresci ouvindo histórias do folclore indígena local e isso sempre foi minha maior influência como compositor, sou apenas um contador de histórias.

Então voltar e passar uns dias na aldeia me inspirou em todos os aspectos da composição do novo disco. Tem muito do Povo Xerente neste disco.

 

6 – Como é compôr em tupi guarani arcaico? Não é todo dias que vemos isso não é?

Zândhio – Tem seu grau de complexidade como em qualquer língua, a meu ver compor músicas é apenas contar histórias, a letra é complemento da música e vice versa. As línguas indígenas tem sua tradição oral, de forma que só faz sentido no contexto deles. Nossas letras seguem a estética da música indígena, com mensagens fortes e em poucas palavras.

Neste novo disco teremos algumas outras línguas indígenas além do Tupi.

 

7 – Conte-nos como foi a entrada dos integrantes na banda?

Zândhio – A Nájila entrou em Outubro de 2010 através de um anúncio na internet e foi a primeira pessoa que eu senti que realmente se identificou com a proposta da banda.

Adriano veio em Janeiro de 2011 também através de um anúncio na internet e em seguida convidou o Saulo. Os dois já tocavam juntos há um tempo e chegaram de punhos erguidos.

Entre 2008 e 2010 muitos músicos foram testados, mas foi a partir da entrada dos três que a coisa começou a funcionar.

Nós quatro somos pessoas muito diferentes tanto musicalmente quanto em personalidade e isso só agrega mais ainda à identidade da banda.

Somos todos de origem humilde tentando fazer um tipo de arte marginalizada em nosso país. No fim do dia, estamos felizes por tocarmos juntos e levar nossa música às pessoas e alertá-las para importância de nossa cultura raiz.

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8 – Sabemos que no Brasil é muito difícil a vida de um músico, vocês trabalham com outras coisas, ou vivem apenas da música? Conte-nos um pouquinho sobre cada um de vocês.

Adriano – Acreditamos que é um sonho para qualquer banda viver de música, nós da Arandu Arakuaa ainda não vivemos, todos possuem um trabalho formal para pagar suas contas (risos), é o jeito! Eu, por exemplo trabalho na área da saúde, o Saulo trabalha em Hipermercado, a Nájila com Call Center e o Zândhio com trabalhos em situações in loco vinculados a órgãos do governo. E assim vamos nos mantendo e trabalhando duro com a banda.

Zândhio – Investimos parte da nossa suada merreca na banda. Ela tem sido minha esposa e o os discos, os filhos. Preciso fazer música pra me sentir vivo, é através dela que consigo me expressar. Já teria enlouquecido de vez se ficasse apenas em casa vendo TV ou saindo pra beber com amigos.

Nájila – Com certeza não é fácil para bandas autorais chegar no auge do sucesso e através da música conseguir estabilidade financeira, com Arandu Arakuaa não é diferente, todos os integrantes vem de origem humilde, a dedicação de cada um é o que faz a banda cada dia mais conquistar espaço no mundo da música. No momento trabalho e estudo.

Saulo – Infelizmente não vivo da arte, trabalho por fora pra me manter. Mas o esforço é imenso para conciliar.

 

9 – Adriano: Como foi o processo de inclusão da percussão na bateria?

Adriano – A percussão e todos os elementos da mesma estão sempre muito presente no som da Arandu, eu sempre faço questão que tudo isso se mostre, por que é um lance enriquecedor, dinâmico e que marca de forma bem evidente o som da banda. Temos vários instrumentos percussivos, para citar alguns: Pau de Chuva, Maráca, Efeito Jatobá, Pandeirola, Jam Block, Tamborim, Cowbel e por aí vai. O som da Arandu sugere isso cara, temos muitos elementos regionais e indígenas e tocar reto e seco, não vai ser legal, por isso de toda essa diversidade.

 

10 – Como encontraram o rock na vida de vocês?

Zândhio – Eu era uma criança tímida, pobre, órfão de mãe, do mato, vítima de bullying e cheio de questionamentos (hoje sou um idoso com os mesmos problemas rs). Aos nove anos de idade fui na cidade e ouvir a intro de Maior Abandonado do Barão Vermelho em um comercial de TV, aquilo fez meu sangue ferver.

Mais tarde quando fui estudar na cidade e corri atrás de som mais pesado e parecia o certo para as pessoas que não se encaixam nos padrões da sociedade.

O rock é um tipo de música muito emocional, tal qual a música regional e indígena. Tem sido uma terapia e uma forma de me expressar artisticamente.

Nájila – O rock entrou na minha vida através do meu pai, que sempre ouvia discos do Raul Seixas, Pink Floyd, Queen. Aos 14 anos comecei a apreciar Bandas de Heavy, Thrash, Death e Black Metal, e fiquei fascinada com os vocais guturais.

Adriano – O rock me acompanha desde a minha adolescência, comecei a sair e curtir o rockão com amigos e em grandes festivais aqui em Brasília. Tinha uma cena legal aqui em Brasília de bandas novas e isso foi muito motivador para que eu continuasse a buscar o rock, sempre.

Saulo – Eu encontrei no Colégio.

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11 – Nájila uma coisa que chama a atenção na banda é o seu vocal gutural,  que dá uma característica única para a banda. Como veio essa ideia de um gutural feminino e onde você aprendeu essas técnicas ?

Nájila – Aos 14 anos comecei a me interessar por bandas de metal, Death, Cannibal Corpse Decide, King Diamond, Obituary, Napalm Death, Slayer, em fim varias bandas…

Comecei a praticar acompanhando principalmente Chuck Schuldiner ex vocalista do Death, para mim a melhor banda que já existiu, ouvia e cantava todos os dias os álbuns Human e Simbolic. No começo incomodava e com passar do tempo fui adaptando técnicas de respiração e intensidade da voz e a 15 anos continuo aprendendo novos exercícios e técnicas.

 

12 – Se pudessem se imaginar daqui uns dez anos, quais seriam os caminhos sonoros da Arandu?

Adriano – É sempre muito difícil prever alguma coisa, mas imaginar é possível (risos), dessa forma, pensamos que a sonoridade não mudará absurdamente, mas certamente novos elementos, instrumentos, cantos e outros vão fazer parte do nosso futuro. O que mais nos importa é chegarmos daqui  10 anos com a mesma motivação e vontade de hoje, pois isso é fundamental para qualquer banda.

Nájila – Vejo a banda com muito prestígio principalmente a musicalidade e a temática que conduz quem aprecia o som a uma outra realidade fora do padrão valorizando nossa cultura e conduzindo novas gerações a adotar práticas e conceitos de respeito e tolerância a todos.

Saulo – Continuar mostrando em todos os polos a nossa riquíssima cultura em todas as suas vertentes.

 

13 – Quais as principais influências de vocês?

Saulo – Música raiz brasileira,  Rock e Pop Rock internacional. Sem muita rotulagem

Adriano – Muitas coisas me influenciam, desde bandas como (Artic Monkeys, Lampirônicos, Nação Zumbi e Jets to Brasil) a até obras de artes e MOMENTOS que o rock nos proporciona. Tudo isso faz que possamos transmitir em nossas canções e nos motivem no dia a dia.

Nájila- A música sempre fez parte da minha vida, desde que me conheço por gente sempre cantei e dizer minhas principais influências é difícil. A música e o prazer em cantar é minha principal influência.

14 – Obrigado pela atenção e gostaríamos de pedir que Deixem uma mensagem para os leitores do Heavy World.

Saulo – Obrigado pelo carinho e respeito… E continuem acompanhando nossa viagem pelas sonoridades do Brasil

Nájila – Agradeço o espaço cedido a Arandu Arakuaa, a oportunidade de todos que acompanha nosso trabalho conhecer um pouco mais sobre nossa história. Fica meu abraço forte em todos os leitores do Heavy World e todos os envolvidos na produção desse trabalho.

Adriano – Mais uma vez agradecer a oportunidade de vocês da Heavy World estarem nos entrevistando. Cara, agradecemos, sobretudo, a galera que nos acompanha, que curtem o nosso som, nosso trabalho, fazemos isso por vocês e pra vocês. Valeu mesmo! Um grande abraço a todos.

 

Itegrantes:

Nájila Cristina – Vocais/Maracá
Zândhio Aquino – Guitarra/Viola Caipira/Vocais /Teclado/Maracá
Saulo Lucena – Contrabaixo/Vocais de Apoio/Maracá
Adriano Ferreira – Bateria/Percussão

 

Links:

https://www.youtube.com/watch?v=L11HRPYon7o

https://www.youtube.com/watch?v=OXvTZ_tqcYc

https://www.facebook.com/aranduarakuaa?fref=ts

 

Contato

(61) 8237-8742
E-mail: aranduarakuaa@gmail.comntato

 

 

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Matéria enviada por Lucas Amorim

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