Anneke e Arjen concedem entrevista exclusiva sobre o Gentle Storm

0 Flares Filament.io 0 Flares ×
Detalhes sobre o processo criativo e curiosidades sobre The Diary, o recém lançado álbum do projeto The Gentle Storm – idealizado por Anneke van Giersbergen e Arjen Lucassen – em versão brasileira pela Masque Records são contatos pelos próprios músicos em entrevista exclusiva conduzida pela equipe da fansite Anneke van Giersbergen Brasil. 
 
Leia a entrevista na íntegra abaixo, reproduzida no site da gravadora responsável pelo lançamento do CD, duplo em digipack, no mercado nacional: www.masquerecords.com
 
Dividida em três partes, a entrevista tem conteúdo exclusivo respondido primeiro por Anneke, em seguida por Arjen e um terceiro e último bloco com perguntas respondidas por ambos os ícones da música pesada e criativa da Holanda. Todos os assuntos pertinentes ao autêntico The Diary são contemplados: a concepção do projeto, a união entre os músicos, a turnê acústica e o EP promocional, além de considerações sobre o enredo do álbum e as diferenças entre cada versão. 
 
O CD já está à venda em lojas especializadas e também na loja virtual da Masque Records por encomendas pelo e-mail info@masquerecords.com

“Amo fazer muitas coisas ao mesmo tempo”

The Diary foi sua primeira experiência em compor um álbum conceitual. Como encarou este trabalho e quais foram as inspirações para o processo?

ANNEKE VAN GIERSBERGEN – De fato foi e realmente gostei de fazê-lo, porque possui uma história bem definida para que eu pudesse escrever as letras. Primeiro concebemos os personagens e a linha narrativa, inspirações para as letras. Mais e mais detalhes surgiam durante o processo de composição. É ótimo analisar, hoje, como o processo como um todo originou este projeto.

O tempo, as melodias e as letras são as mesmas em cada versão do álbum – Gentle e Storm. Muda o sentimento em relação ao envolvimento e trabalho de cada uma?

ANNEKE – Sim, as mudanças acontecem de acordo com a instrumentação e a performance dos vocais. Significa que se pode estar triste de um jeito intenso, mas também triste de uma maneira introvertida. O sentimento e a emoção são as mesmas, no entanto, expressas de forma extremamente diferentes.

Susanne, Joseph e Michiel, os principais personagens do álbum tiveram alguma inspiração em pessoas reais? Sejam pelos nomes, ou pelas características passionais dos amantes ou a beleza infantil da criança,  eles possuem vínculo com o mundo real?

ANNEKE – Sim, muitos fatos e personagens da história são inspirados pela vida real. Tenho certeza que o Joseph existe no mundo em que vivemos e foi mesmo um marinheiro naqueles tempos. O navio The Merchant (O Mercador) existiu de verdade, assim como a rota da jornada descrita nas letras, além de muitos outros fatos.

Percebe-se uma grande diferença em como você encaixa sua voz entre a versão Gentle e a versão Storm. Qual foi a versão mais desafiadora?

ANNEKE – Nada foi muito desafiador, apenas entramos em estúdio e começamos a compor e gravar canções. Estávamos inspirados pela música e pela história, e os vocais falam por si. Foi um processo tranquilo.

Você disse em uma entrevista que trabalha melhor quando está sob pressão. Os tantos projetos e turnês acontecendo ao mesmo tempo foram fatos positivos durante a criação de The Diary?

ANNEKE – É verdade, amo fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Uma tarefa inspira e fortalece a outra. Aprendi demais trabalhando com pessoas diferentes em diversos estilos musicais, e estes processos me ajudaram a crescer como artista, intérprete, cantora e também como pessoa.

É verdade que optar pelo CD1 ser da versão mais leve foi uma decisão estratégica para que não soasse como apenas um álbum bônus da versão mais pesada, a Storm?

ARJEN LUCASSEN – Correto, eu trabalhei pesado na versão Gentle!

Considerando a riqueza instrumental da versão Gentle, que parece ser muito mais complexa musicalmente falando que a versão Storm, e que as gravações tiveram de ser feitas duas vezes com arranjos completamente diferentes, como foi esse processo de gravação?

ARJEN – A princípio eu compus todas as faixas como peças de uma obra clássica: apenas baixo duplo, violoncelo e violino. Depois, então, gravei a versão Storm e, por último, a versão Gentle.

Desde que saiu do The Gathering e anunciou que continuaria no universo musical em carreira solo, Anneke van Giersbergen já lançou cinco álbuns de estúdio, além de um ao vivo, e contabiliza diversas participações e contribuições em bandas de estilos variados. Em meio à turnê de divulgação de Drive ela mesma revelou o envolvimento direto num trabalho com o amigo Arjen Lucassen, o talentoso e carismático guitarrista e produtor holandês mentor do Ayreon. Assim nasceu o The Gentle Storm, lançado na Europa em março e desde agosto no mercado brasileiro via Masque Records, em versão luxuosa digipack, com os dois CDs, duas versões distintas, concebidas individualmente, para contar uma história de amor a partir de um recorte histórico na Holanda do século 17. Confira a entrevista exclusiva ao Anneke van Giersbergen Brasil, dividida aqui em três partes – respondida por Anneke e por Arjen.

“Trabalhei pesado na versão Gentle!”

Enquanto a versão Gentle foi produzida com instrumentos de música folclórica, num ambiente entre o folk e o acústico, a Storm é orientada ao metal sinfônico, mas sem nunca perder a leveza e sofisticação das melodias. Nesta segunda parte da entrevista Arjen conta como concebeu cada momento do The Gentle Storm e comenta sobre a decisão de não sair em turnê de The Diary.

Foi um processo com alguma dificuldade?

ARJEN – Sem nenhuma dificuldade! Apenas muitas horas de trabalho de gravação e produção de todos os diferentes instrumentos para a versão Gentle e para a Storm.

Em relação à temática de The Diary, como foi concebida? Foi algo totalmente concebido em parceria com a Anneke ou você já tinha um ponto de partida?

ARJEN – A decisão em ter dois estilos contrastantes já existia mesmo antes da Anneke se juntar ao projeto. Quando

A capa do álbum, em específico, me remete a um quadro de William Turner e, ao ouvir o álbum, é como se fosse, de fato, possíveis momentos da pintura do inglês quando ele pintava aqueles grandes navios em alto mar.

ARJEN – A Era de Ouro holandesa é especialmente conhecida por alguns grandes pintores daquele tempo, como Rembrandt e Vermeer. Existem muitas possibilidades a partir do olhar artístico da Era de Ouro e dos navios da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (N.R.: a maior companhia de mercadores daquele período) que navegaram por todo o mundo. Foi um período em que nosso País estava no topo do mundo. Bem, eram também piratas e conquistadores maléficos, eu suponho.

Você nunca escondeu da mídia especializada que não é fanático por palcos, apesar de algumas apresentações acústicas junto a Anneke no começo deste ano para divulgar The Diary. Estas oportunidades não o instigaram para uma exceção e excursionar com o The Gentle Storm?

ARJEN – Não! Realmente detesto tocar ao vivo e prefiro, mesmo, ficar em casa e compor novas músicas. Fiquei feliz em fazer uma breve turnê acústica com a Anneke, mas também estou muito contente em estar em casa novamente! Sou um recluso, um anti-social, de verdade. Fico feliz pelo The Gentle Storm estar excursionando, é uma grande banda ao vivo! Chorei, fiquei arrepiado quando os vi tocando pela primeira vez.

Em seus principais trabalhos, como Ayreon e Star One, duas características são bem marcantes: o tema baseado em ficção científica e o uso de teclados e sintetizadores. Qual foi o maior desafio de The Gentle Storm,  compor na  contramão e mergulhar em um  tema

“Poderíamos criar muito em um único dia”

até então inédito ou lançar mão do uso dos seus instrumentos tão adorados?

ARJEN – Foi, sim, um grande desafio não poder utilizar meu velho teclado analógico, como o Hammond, e sintetizadores. Fui forçado a compor boas músicas baseadas em boas melodias, não em sonoridades, enquanto Anneke escreveu as letras sobre a história de amor. Faria tudo novamente desta forma se fosse necessário!

As resenhas têm dado notas e avaliações muito positivas para The Diary. Também se percebe um feedback muito positivo vindo dos fãs. Estes podem ser um sinal de uma continuação do projeto?

ARJEN – Ah, sim, foi uma experiência muito agradável trabalhar com a Anneke, e um ótimo desafio compor músicas desta maneira. Adoraria gravar outro álbum, mas isto depende do sucesso do The Diary. Alem disso, tenho tantos projetos, tenho que identificar as prioridades. Geralmente faço o que quero, mas também gosto de agradar os fãs. Isto me inspira.

ela entrou, eu imaginei que seria legal trabalhar num conceito tipicamente holandês, foi então a minha idéia em fazer o recorte na Era de Ouro holandesa, enquanto Anneke teve a idéia de ambientá-la a partir de uma história de amor. Acredito que teria sido uma história completamente diferente caso tivesse gravado com outra vocalista.

The Diary é resultado de um peculiar trabalho colaborativo entre Anneke e Arjen, pela primeira vez juntos por um longo tempo em estúdio. A sintonia entre ambos os músicos holandeses, que criaram um álbum ambientado em uma época próspera da terra natal, é notória tanto na parte artística como nas idéias que conceberam este registro. Nesta terceira e última parte da entrevista, as perguntas são respondidas pelas duas mentes criativas do The Gentle Storm, que falam sobre a turnê acústica, os videoclipes, o EP promocional e opinam sobre uma possível turnê pela América do Sul.

Já foram lançados até agora os belíssimos lyric vídeos das duas versões de Endless Sea, o videoclipe animado e descontraído de Heart of Amsterdam e uma megaprodução para Shores of India. Como foi o processo de escolha das canções que divulgariam o álbum e como foi a concepção das ideias de cada vídeo?

ANNEKE – Algumas músicas exigem um peculiar suporte visual. É o caso de Shores of India, uma canção bombástica, um vídeo “feliz” não a representaria. No entanto, Heart of Amsterdamprecisava de um vídeo mais leve, algo encorajador e engraçado porque a letra da música é positiva e alegre. O segredo dos vídeos é iniciar a criação com uma boa idéia básica – pensamos e conversamos bastante a respeito disso antes de produzi-los.

ARJEN – Acredito que  Endless Sea é bem represen-

tativa ao estilo musical do álbum, ou seja, uma boa música para ser o nosso primeiro vídeo. A princípio estávamos céticos a respeito de um lyric vídeo, mas a produtora responsável fez um excelente trabalho e capturou o exato clima dos século 17. Isto foi muito importante como algo introdutório a respeito do The Gentle Storm aos fãs. A idéia da Anneke caminhando por Amsterdam do século 17 foi do marido e empresário dela, o Rob. Já a idéia de trazer a maioria das pessoas que tocaram no álbum e nos filmar na sala de ensaio foi minha. Creio que as idéias se transformaram em um clipe vívido e positivo. Shores of Indiaé a faixa mais épica do álbum e, portanto, perfeita para um bombástico – e caro –videoclipe. Anneke e eu voamos para Sérvia para gravá-lo, que também tem muitas partes criadas no computador. E não acredito que concordei em tocar aquele esquisito instrumento sem cordas, mas me diverti relaxando com aquelas belas dançarinas! (risos).

A junção criativa de vocês criou um álbum concei-tual poderoso. Mas, como surgiu esse conceito? Com a

possibilidade de abordar temas contemporâneos, antigos e futuristas, por que optaram pelo século 17 e às navegações holandesas, a história de amor e a ideia das cartas? Aliás, foram as cartas que aparecem no encarte que deram origem às letras ou foi o contrário?

ANNEKE – Arjen queria produzir algo que trabalhasse nosso passado holandês. A Era de Ouro foi um período de muito alvoroço, com infinitas possibilidades para histórias, então apareceram os dois personagens principais, duas pessoas que estavam apaixonadas, uma em terra firme, em Amsterdam, e a outra no mar, que partiu para muitas aventuras.

ARJEN – Na história, Anneke encontra um velho diário no sótão de sua casa que pertenceu a uma mulher que viveu na Holanda do século 17. Neste diário Anneke encontra cartas trocadas entre a mulher e seu homem, que partiu em viagem num navio da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.  As músicas são as cartas e as citações que as explicam estão ilustradas no encarte.

xecutados. Como surgiu a idéia?  Podemos esperar algum outro material do gênero nas próximas turnês do The Gentle Storm?

ANNEKE – A intenção do EP foi oferecer um souvenir bacana para a turnê promocional. As pessoas realmente gostaram do material, especialmente para quem viu alguma das apresentações. É uma adorável coleção de canções que somam ao The Diary. Eu provavelmente vou lançar um ou dois acústicos como este no futuro. É a maneira perfeita de lançar musicas que não se encaixariam num álbum pesado, mas que valem a pena escutar. Algo apenas para tocar ao vivo e ter na loja virtual, por diversão!

ARJEN – Obrigado pelo elogio! Para a nossa surpresa, todos os CDs que levamos para aquela turnê foram vendidos. No entanto, ainda temos algumas cópias que podem ser adquiridas na nossa loja virtual e nos shows do The Gentle Storm. Acredito que faríamos algo do tipo novamente quando eu e a Anneke montarmos uma turnê acústica em conjunto. Como eu disse, nunca diga nunca!

Muitas pessoas ficaram surpresas quando souberam que o Arjen sairia em turnê para divulgação do The Gentle Storm. Qual foi o sentimento durante a turnê acústica? Outras como aquela podem acontecer? Quais as melhores lembranças dessa experiência?

ANNEKE – (risos) Fiquei surpresa quando ele disse “sim” ao meu convite para essa turnê! Ele realmente gostou, especialmente por causa do contato pessoal com os fãs. No entanto, as longas horas de viagem foram duras para ele. Não acredito que o Arjen fará isso novamente tão logo.

ARJEN – Foi muito legal ver as caras felizes dos fãs e ouvi-los cantar juntos conosco as letras de músicas do Ayreon. Emocionante! Também me diverti conhecendo pessoas depois do show. Mas, fora isso, não gosto de viagens, tenho medo de palco e das noites mal dormidas. Neste momento eu diria que não faria novamente, nunca mais, mas foi o que eu disse sobre minha última turnê antes dessa.

Vocês gravaram um EP com 5 músicas acústicas para a turnê europeia, contendo covers  incrivelmente  bem e-

A impressão de quando um trabalho conjunto entre vocês é lançado é que as coisas fluem de forma muito natural e a sincronia é perfeita. Como tem sido essa parceria ao longo do tempo?

ANNEKE – E de fato é! É ótimo trabalhar com o Arjen, ele tem muitas idéias, é talentoso, além de trabalhar duro e com agilidade. Poderíamos criar muito em um único dia.

ARJEN – Tudo acontece com muita naturalidade e espontaneidade entre nós! Invés de nos contradizermos, um inspira o outro. Esta foi a primeira vez que realmente trabalhamos juntos intensamente e durante um longo período. Antes, era geralmente apenas um dia, quando nos encontrávamos para gravar os vocais dela.

Arjen, obrigado por nos conceder essa entrevista e parabéns pelo ótimo trabalho em The Diary. Você é muito querido por aqui. Deixe uma mensagem para os seus fãs do Brasil.

ARJEN – É sempre um prazer e obrigado pelo interesse em nossa música. Estou contente pelo fato de que o álbum está facilmente disponível aos tantos leais fãs que temos no Brasil. Recebo muitas mensagens adoráveis daí. Espero que curtam The Diary e obrigado desde já por comprá-lo!

Anneke, obrigado pelo espaço reservado pra gente! Sabemos que está corrido e esperamos muito ver a turnê do The Gentle Storm passando pela América Latina em breve. Quais são as possibilidades? Aproveite e deixe uma mensagem para os fãs brasileiros!

ANNEKE – Estamos, como sabem, sempre trabalhando pesado para retornar à América Latina. Amo muito, muito tocar no belo Brasil. Com certeza os deixarei avisados! Abraços! ❖

Tagged with:
4
Matéria enviada por Aline Narducci

Similar articles